{"id":24,"date":"2015-01-21T20:55:00","date_gmt":"2015-01-21T22:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/prejuizos_as_empresas\/"},"modified":"2015-01-21T20:55:00","modified_gmt":"2015-01-21T22:55:00","slug":"prejuizos_as_empresas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/prejuizos_as_empresas\/","title":{"rendered":"PREJU\u00cdZOS \u00c0S EMPRESAS"},"content":{"rendered":"\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/wp-content\/uploads\/blog-vicente\/714331778d78c30199b11cfd289cb20b.jpg\"> <\/p>\n<p>\u201cEu  vou beber pra esquecer meus problemas. Eu vou beber pra esquecer minhas  d\u00edvidas. Eu vou beber para esquecer minhas ang\u00fastias. Eu vou beber que  hoje eu quero alegria\u201d  <\/p>\n<p> (Renato Fechine)  <\/p>\n<p>&gt;&gt; DIEGO AMORIM <\/p>\n<p>Fernando* n\u00e3o se considera alco\u00f3latra. \u201cEu? De jeito nenhum\u201d, responde, convicto. Tem 25 anos e trabalha na \u00e1rea administrativa de um cart\u00f3rio da capital do pa\u00eds. Bebe \u2014 sozinho ou com os amigos \u2014 pelo menos tr\u00eas vezes por semana. Perdeu a conta dos dias em que bateu o ponto virado da farra na noite anterior, de ressaca ou, como ele diz, \u201cdoid\u00e3o mesmo\u201d. Certa vez, recorda aos risos, dormiu por quase uma hora no ch\u00e3o do banheiro do cart\u00f3rio, abra\u00e7ado ao vaso sanit\u00e1rio para uso exclusivo de deficientes f\u00edsicos. \u201cAli \u00e9 mais espa\u00e7oso\u201d, justifica. <\/p>\n<p>Mesmo sem reconhecer ser dependente do \u00e1lcool, Fernando percebe os preju\u00edzos da bebida na vida profissional. \u201cSinto cansa\u00e7o no corpo e na mente. Pensar fica mais dif\u00edcil\u201d, relata. Por m\u00eas, o jovem gasta, no m\u00ednimo, R$ 500 para \u201ctomar uma e espairecer\u201d. No dia seguinte, n\u00e3o consegue evitar o cochilo na frente do computador. Diz que vai entregar algum documento, mas, na verdade, passa em casa para descansar no meio do expediente. \u201cO chefe s\u00f3 n\u00e3o percebe porque \u00e9 muita gente.\u201d <\/p>\n<p>O \u00e1lcool responde por 50% das aus\u00eancias no servi\u00e7o, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT). Encarado, quase sempre, de forma engra\u00e7ada ou velada, o alcoolismo mina a produtividade no cart\u00f3rio onde Fernando trabalha e em milhares de empresas e \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos brasileiros. As consequ\u00eancias v\u00e3o muito al\u00e9m dos atrasos e das faltas motivadas pela ressaca. O mau uso da bebida, que atinge todos os cargos e n\u00edveis, favorece acidentes \u2014 muitos, fatais \u2014 afastamentos por doen\u00e7as e situa\u00e7\u00f5es em que o funcion\u00e1rio est\u00e1 presente, mas n\u00e3o usa todo o potencial. <\/p>\n<p>\u00c0 conta do alcoolismo das empresas somam-se o aumento de gastos com horas extras, o comprometimento da qualidade do produto ou servi\u00e7o, um maior desperd\u00edcio de materiais, sem contar os preju\u00edzos nas rela\u00e7\u00f5es interpessoais. \u201cEm um mundo cada vez mais competitivo, o alcoolismo provoca preju\u00edzos imensur\u00e1veis, afetando a lucratividade das empresas\u201d, sentencia Rita Brum, diretora da Rhaiz Solu\u00e7\u00f5es em Recursos Humanos. <\/p>\n<p>Demiss\u00f5es <\/p>\n<p>Cerca de 5% dos que assumem beber com frequ\u00eancia \u2014 um universo de 4,6 milh\u00f5es de pessoas \u2014 j\u00e1 perderam o emprego no Brasil devido ao consumo exagero de \u00e1lcool, de acordo com o levantamento mais recente do Instituto Nacional de Pol\u00edticas P\u00fablicas do \u00c1lcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp). A demiss\u00e3o por embriaguez, prevista na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) como justa causa, tem sido condenada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), que recomenda o afastamento do trabalhador. <\/p>\n<p>Estudos indicam que o \u00edndice de recupera\u00e7\u00e3o de alco\u00f3latras quando acompanhados pelas empresas varia de 50% a 70%, enquanto os tratamentos na rede hospitalar registram m\u00e9dia de 30%. \u201cAntes, o aux\u00edlio era baseado na \u2018chefia amiga\u2019, no protecionismo. Hoje, os gestores est\u00e3o entendendo melhor que um funcion\u00e1rio b\u00eabado n\u00e3o traz lucro e que trat\u00e1-lo \u00e9 importante para a empresa\u201d, sustenta Rita Brum. <\/p>\n<p>Os afastamentos do trabalho por problemas decorrentes do \u00e1lcool costumam ser repetidos e prolongados, pontua o diretor do Departamento de Pol\u00edticas de Sa\u00fade e Seguran\u00e7a Ocupacional do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Marco Ant\u00f4nio Gomes P\u00e9rez. \u201cO etilismo \u00e9 uma doen\u00e7a e gera incapacidade para o trabalho\u201d, refor\u00e7a. De 2009 a agosto do ano passado, foram autorizados 75.139 aux\u00edlios para trabalhadores com depend\u00eancia do \u00e1lcool. Se cada um deles recebeu apenas uma vez o benef\u00edcio \u2014 o que \u00e9 pouco prov\u00e1vel \u2014, o volume dessas concess\u00f5es encostou nos R$ 40 milh\u00f5es. <\/p>\n<p>Somente na ind\u00fastria brasileira, estima-se que um ter\u00e7o dos trabalhadores faz uso abusivo do \u00e1lcool. \u201cMuitos entendem como algo normal operar uma m\u00e1quina depois de um dia de bebedeira. Mas nunca ser\u00e1\u201d, comenta o diretor t\u00e9cnico da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV), Alberto Ogata. H\u00e1 anos, estudos internacionais abordam a rela\u00e7\u00e3o entre \u00e1lcool e produtividade. A constata\u00e7\u00e3o se repete: quem faz uso exagerado da bebida corre maior risco e compromete os desempenhos intelectual e motor. \u201cO problema ainda n\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio pelo ambiente corporativo. N\u00e3o basta querer tratar apenas quem chegou ao fundo do po\u00e7o\u201d, sublinha. <\/p>\n<p>Intoxica\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>O alcoolismo \u00e9 mais frequente em algumas \u00e1reas, como a constru\u00e7\u00e3o civil e os trabalhos noturnos. Por\u00e9m, n\u00e3o existe regra quando se trata do v\u00edcio. Funcion\u00e1rios satisfeitos com o que fazem, em atividades com pouca press\u00e3o, tamb\u00e9m podem ser sugados pelos efeitos da embriaguez. \u201cExiste uma lista de preju\u00edzos provocados pelo \u00e1lcool em pessoas que n\u00e3o s\u00e3o consideradas dependentes\u201d, alerta a psiquiatra Carolina Hanna, pesquisadora do Grupo Interdisciplinar de Estudos de \u00c1lcool e Drogas (GREA) e do Centro de Informa\u00e7\u00f5es sobre Sa\u00fade e \u00c1lcool (Cisa). <\/p>\n<p>Mesmo quem bebe somente aos fins de semana tem o corpo intoxicado e leva um tempo para se recuperar. Quando ingerida em excesso, ainda que de maneira espor\u00e1dica, a bebida traz consequ\u00eancias que podem atrapalhar a carreira, retardando promo\u00e7\u00f5es ou, no m\u00ednimo, impedindo o trabalhador de fazer benfeito as obriga\u00e7\u00f5es. \u201cA norma social diz que o \u00e1lcool \u00e9 algo inofensivo. Isso acaba dificultando o processo de conscientiza\u00e7\u00e3o. Por isso, a nega\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o comum\u201d, diz Hanna. <\/p>\n<p>O professor Pedro* bebe dia sim, dia n\u00e3o. Ele n\u00e3o acha que o \u00e1lcool tenha poder de atrapalhar as aulas que leciona em uma escola particular de Bras\u00edlia, mesmo relatando j\u00e1 ter \u201cconseguido um atestado\u201d em uma segunda-feira para ficar em casa sofrendo a ressaca da farra do domingo. \u201cTem gente que fica ruim, mas eu n\u00e3o. Eu fico at\u00e9 melhor\u201d, afirma. <\/p>\n<p>O \u00e1lcool pode at\u00e9 dar a sensa\u00e7\u00e3o de al\u00edvio e bem-estar em um primeiro momento. Depois dos est\u00edmulos euf\u00f3ricos, no entanto, a fase depressiva chega com a mesma intensidade. \u201cN\u00e3o existe essa hist\u00f3ria de beber para trabalhar melhor. O \u00e1lcool diminui reflexos e afeta o racioc\u00ednio\u201d, sustenta o psiquiatra Ernin Hunter. \u201cO certo \u00e9 que a bebida reduz a produtividade e causa uma s\u00e9rie de transtornos emocionais\u201d, emenda o educador financeiro Rog\u00e9rio Oleg\u00e1rio. <\/p>\n<p>(*) Nomes fict\u00edcios <\/p>\n<p>Lei aumenta o custo para manter funcion\u00e1rios <\/p>\n<p>Belo Horizonte \u2014 Se antes a legisla\u00e7\u00e3o brasileira permitia ao empregador demitir por justa causa um funcion\u00e1rio alco\u00f3latra, agora, a empresa corre o risco at\u00e9 de pagar indeniza\u00e7\u00e3o por dano moral \u00e0 pessoa dispensada por esse motivo. \u201cA embriaguez habitual \u00e9 considerada doen\u00e7a. O colaborador precisa ser afastado do servi\u00e7o, ter o contrato suspenso e receber o aux\u00edlio-doen\u00e7a\u201d, afirma o desembargador Jos\u00e9 Eduardo de Resende Chaves J\u00fanior, do Tribunal Regional do Trabalho da 3\u00aa Regi\u00e3o (Minas Gerais). <\/p>\n<p>O artigo 482 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), em vigor desde 1943, mant\u00e9m a embriaguez como um dos motivos para a demiss\u00e3o por justa causa. A norma n\u00e3o foi alterada, mas, nos \u00faltimos anos, o entendimento da Justi\u00e7a caminhou no sentido oposto, aplicando indeniza\u00e7\u00f5es que variam de acordo com o porte da empresa. \u201cSe a pessoa doente perde o emprego, isso vira mais um motivo para ela beber\u201d, diz o desembargador. <\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, as empresas devem passar a ter um custo a mais com o funcion\u00e1rio afastado em raz\u00e3o da depend\u00eancia do \u00e1lcool. Entrar\u00e1 em vigor a norma determina que o empregador arcar\u00e1 com os primeiros 30 dias de afastamento, e n\u00e3o mais 15 dias. Somente a partir do segundo m\u00eas o valor ser\u00e1 assumido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). <\/p>\n<p>T\u00e2nia*, 49 anos, foi demitida duas vezes em raz\u00e3o do alcoolismo: a primeira de uma ind\u00fastria de cer\u00e2mica em Santa Catarina; a segunda, da casa onde era dom\u00e9stica. \u201cJ\u00e1 dormi na escada do pr\u00e9dio dos patr\u00f5es de t\u00e3o embriagada. N\u00e3o consegui chegar ao apartamento. Outra vez, quando eles viajaram, dormi na cama do casal e, quando eles chegaram, estava l\u00e1, toda vomitada.\u201d <\/p>\n<p>Atualmente, T\u00e2nia frequenta os Alco\u00f3licos An\u00f4nimos. Largou o v\u00edcio h\u00e1 13 anos e voltou a trabalhar. \u201cComecei a beber na adolesc\u00eancia. O \u00e1lcool me dava sensa\u00e7\u00e3o de alegria, mas era passageira. Com o tempo, fui bebendo mais e mais: acetona, \u00e1lcool puro, tudo\u201d, recorda. \u201cHoje, est\u00e1 tudo diferente. Tenho trabalho e minha filha me reconhece como m\u00e3e\u201d. <\/p>\n<p>Para a empresa, a melhor estrat\u00e9gia \u00e9 estender a m\u00e3o ao colaborador. \u201cIncentivar a qualidade de vida ajuda nesse sentido, aumentando a produtividade e afastando o funcion\u00e1rio do perigo do \u00e1lcool em excesso\u201d, recomenda Lu\u00eds Testa, da empresa de recrutamento Catho. <\/p>\n<p>DEPOIMENTOS <\/p>\n<p>V\u00f4mito, sono e dor de barriga&nbsp;\u201cComo domingo \u00e9 meu dia folga, aproveito para beber com os amigos. V\u00e1rias vezes vou trabalhar na segunda-feira ainda mal. Acaba que passo da conta com a bebida. Come\u00e7o com a cerveja, mas logo emendo na vodca, entro na tequila e por a\u00ed vai. Do bar, vou direto para alguma festa e continuo bebendo. Claro que isso atrapalha meu trabalho. J\u00e1 me cortei e me queimei na cozinha. No restaurante, tenho que cumprir metas, e o \u00e1lcool tira os reflexos, me deixa desatenta e compromete o meu paladar na hora de experimentar as comidas. Um dia, fiquei t\u00e3o doente de ressaca, que n\u00e3o consegui levantar da cama. Vomitava muito, sentia sono, dor de barriga. Consegui um atestado para n\u00e3o ir ao trabalho. Minha chefe ficou um pouco desconfiada, eu acho, mas deu certo.\u201dCozinheira, 27 anos <\/p>\n<p>&nbsp; <\/p>\n<p>Sociedade \u00e9 permissiva\u201cAs pessoas acham que alco\u00f3latra \u00e9 s\u00f3 a ral\u00e9. N\u00e3o \u00e9. Meu marido era m\u00e9dico, de fam\u00edlia de classe m\u00e9dia alta, e morreu de cirrose aos 45 anos. Foi a pessoa que mais amei e mais odiei na minha vida. Ele sa\u00eda para comprar p\u00e3o de manh\u00e3 cedo e tomava cacha\u00e7a: n\u00e3o acreditava naquilo. B\u00eabado n\u00e3o \u00e9 divertido, \u00e9 doente e precisa ser tratado. Ele chegava ao consult\u00f3rio cheirando \u00e0 bebida e dormia com a porta trancada, enquanto pacientes esperavam do lado de fora. Sempre foi muito inteligente, mas o \u00e1lcool o impediu de progredir. Da noite para o dia, percebi que tinha um alco\u00f3latra em casa. Hoje, considero um absurdo a maneira permissiva com que a sociedade lida com o \u00e1lcool.\u201dVi\u00fava de alco\u00f3latra, 56 anos <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 20h55min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cEu vou beber pra esquecer meus problemas. Eu vou beber pra esquecer minhas d\u00edvidas. Eu vou beber para esquecer minhas ang\u00fastias. Eu vou beber que hoje eu quero alegria\u201d (Renato Fechine) &gt;&gt; DIEGO AMORIM Fernando* n\u00e3o se considera alco\u00f3latra. \u201cEu? De jeito nenhum\u201d, responde, convicto. Tem 25 anos e trabalha na \u00e1rea administrativa de um [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-24","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}