{"id":242,"date":"2015-10-27T00:00:52","date_gmt":"2015-10-27T02:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=242"},"modified":"2015-11-03T17:02:27","modified_gmt":"2015-11-03T19:02:27","slug":"virando-po","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/virando-po\/","title":{"rendered":"VIRANDO P\u00d3"},"content":{"rendered":"<p>A incapacidade do governo de chegar ao tamanho do rombo fiscal em 2015 \u00e9 impressionante e s\u00f3 comprova como a m\u00e1quina federal se acostumou com as manobras, as maquiagens e as pedaladas para esconder a real situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Sabe-se que o buraco \u00e9 enorme e, se realmente for contabilizado por completo, pode ficar pr\u00f3ximo de R$ 100 bilh\u00f5es. Mas, independentemente do valor a ser divulgado e das justificativas que venham a ser dadas, o certo \u00e9 que Dilma Rousseff conseguiu a fa\u00e7anha de quebrar um pa\u00eds que, quando lhe foi entregue, crescia a 7,6% ao ano.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 desesperadora. Quanto mais o governo demorar para apresentar a realidade fiscal, mais a economia ir\u00e1 para o buraco. As previs\u00f5es mais recentes para o Produto Interno Bruto (PIB) mostram um Brasil destro\u00e7ado. Pelos c\u00e1lculos do Bank of America Merrill Lynch, o pa\u00eds vai encolher 3,3% em 2015 e 3,5% em 2016. Em apenas dois anos, se o banco norte-americano estiver correto, o PIB brasileiro acumular\u00e1 queda de quase 7%.<\/p>\n<p>O Santander endossa esse quadro dram\u00e1tico e prev\u00ea tombo de 3,2% neste ano e de 2% no pr\u00f3ximo. C\u00e9tica quanto \u00e0 capacidade do governo de fazer um ajuste fiscal, a institui\u00e7\u00e3o espanhola estima deficit prim\u00e1rio de 1,5% em 2015 e de 1% no ano que vem. Com isso, a d\u00edvida bruta do pa\u00eds alcan\u00e7ar\u00e1 68% neste ano e 75% em 2016. S\u00e3o previs\u00f5es catastr\u00f3ficas, que refletem a desconfian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de Dilma de p\u00f4r o Brasil nos eixos.<\/p>\n<p>Mesmo dentro do governo, o pessimismo \u00e9 grande. Acreditava-se que, com as mudan\u00e7as feitas pela presidente nos minist\u00e9rios e com o enfraquecimento do impeachment, Dilma conseguiria ganhar f\u00f4lego para destravar a agenda e criar fatos positivos, por m\u00ednimos que fossem. Ledo engano. A presidente se mostra cada vez mais despreparada para o cargo e seus comandados, mais preocupados em garantir suas boquinhas. Nem mesmo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, consegue se desvencilhar da camisa de for\u00e7a que engessou o governo e travou a economia.<\/p>\n<p><strong>Risco de aventuras<\/strong><\/p>\n<p>Nas ruas, a gritaria \u00e9 geral. Para boa parte dos brasileiros, seria melhor que Dilma pedisse para sair. Mas ningu\u00e9m sabe dizer o que ocorreria no pa\u00eds se a presidente, por exemplo, renunciasse. As op\u00e7\u00f5es que se colocam n\u00e3o agradam aos eleitores. N\u00e3o h\u00e1 hoje um l\u00edder capaz de arregimentar as massas. Isso fica claro por meio da mais recente pesquisa do Ibope. A despeito de a rejei\u00e7\u00e3o ao ex-presidente Lula, que est\u00e1 disposto a retornar ao Pal\u00e1cio do Planalto na elei\u00e7\u00e3o de 2018, ter atingindo 55%, nenhum dos nomes apresentados pelo instituto consegue atrair a aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A falta de op\u00e7\u00e3o abre espa\u00e7o para o surgimento de aventureiros, como foi Fernando Collor de Mello, em 1989, sustentado pelo lema \u201co ca\u00e7ador de maraj\u00e1s\u201d. O que se viu foi um governo corrupto, que surrupiou a poupan\u00e7a dos brasileiros e provocou queda superior a 4% do PIB em apenas um ano. O Brasil n\u00e3o merece a repeti\u00e7\u00e3o desse quadro. J\u00e1 basta todo o estrago provocado por Dilma, que trouxe de volta a infla\u00e7\u00e3o, rodando nos 10%, e o desemprego.<\/p>\n<p>Os desafios para o pa\u00eds s\u00e3o enormes. O ajuste fiscal \u00e9 um problema de curto prazo. Se feito a contento, dar\u00e1 apenas um al\u00edvio tempor\u00e1rio. Os anos de descaso com as reformas, em especial a tribut\u00e1ria e a da Previd\u00eancia Social, comprometeram o futuro. Al\u00e9m de a economia perder competitividade, abriu-se um fosso que tem tudo para tragar as finan\u00e7as do pa\u00eds. Diante dessa realidade, ser\u00e1 preciso muito mais do que discurso e promessas, receita que jogou a economia no atoleiro.<\/p>\n<p>A Argentina, felizmente, pode nos servir de refer\u00eancia. Depois de ser destru\u00edda por anos de pol\u00edticas populistas, sobretudo nos governos de Cristina Kirchner, parece disposta a se livrar dessa praga, com chance real de vit\u00f3ria do candidato de oposi\u00e7\u00e3o, Maur\u00edcio Macri, no segundo turno da elei\u00e7\u00e3o presidencial. Os argentinos est\u00e3o sendo obrigados a conviver com infla\u00e7\u00e3o acima de 30% ao ano, restri\u00e7\u00f5es cambiais e falta de perspectivas. Ainda n\u00e3o chegamos a esse ponto. Mas, perante todo o descalabro a que assistimos diariamente, tudo \u00e9 poss\u00edvel. Com diz a sabedoria popular, sempre pode piorar.<\/p>\n<p><strong>Receita de Meirelles<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central, diz que, quando aceitou o convite de Dilma Rousseff, o ministro Joaquim Levy deveria ter exigido o que Henrique Meirelles imp\u00f5e para suced\u00ea-lo na Fazenda: nomear o ministro do Planejamento e o presidente do Banco Central. \u201cCertamente, Levy n\u00e3o estaria enfrentando tantos problemas\u201d, diz.<\/p>\n<p><strong>\u00c0 espera de Dilma<\/strong><\/p>\n<p>\u00bb O corpo diplom\u00e1tico est\u00e1 em polvorosa em Bras\u00edlia. Pelo menos 15 embaixadores est\u00e3o esperando a boa vontade da presidente Dilma para lhes conceder \u00e0s credenciais de representantes oficiais de seus pa\u00edses no Brasil.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h10min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A incapacidade do governo de chegar ao tamanho do rombo fiscal em 2015 \u00e9 impressionante e s\u00f3 comprova como a m\u00e1quina federal se acostumou com as manobras, as maquiagens e as pedaladas para esconder a real situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. 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