{"id":247,"date":"2015-10-28T08:08:18","date_gmt":"2015-10-28T10:08:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=247"},"modified":"2015-11-03T17:09:17","modified_gmt":"2015-11-03T19:09:17","slug":"o-ultimo-suspiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-ultimo-suspiro\/","title":{"rendered":"O \u00daLTIMO SUSPIRO"},"content":{"rendered":"<p>Quando assumiram seus postos no governo, Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) fizeram quest\u00e3o de rufar os tambores para anunciar que, daquele momento em diante, a responsabilidade fiscal havia retornado ao governo. Com ares de superioridade, alardearam que a meta fiscal deste ano seria de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) e que o ajuste seria profundo e r\u00e1pido. Dez meses depois, nenhum dos dois ministros teve a coragem de mostrar a cara para anunciar que o rombo nas contas p\u00fablicas de 2015 ser\u00e1 de R$ 51,8 bilh\u00f5es, o equivalente a 0,90% do PIB. A divulga\u00e7\u00e3o se deu por meio de um parlamentar, no meio de uma cal\u00e7ada, como se estivesse falando de um assunto banal.<\/p>\n<p>Talvez Levy e Barbosa n\u00e3o tivessem muito o que dizer. Afinal, desde que chegaram ao governo s\u00f3 colecionaram fracassos. Nenhum dos dois foi capaz de entregar o que prometeu. \u00c9 por isso que, al\u00e9m de o an\u00fancio do rombo nas contas deste ano n\u00e3o surpreender, quase ningu\u00e9m acredita que a equipe econ\u00f4mica de Dilma Rousseff ser\u00e1 capaz de alcan\u00e7ar um superavit prim\u00e1rio de 0,7% do PIB em 2016. Todas as proje\u00e7\u00f5es s\u00e3o de deficit crescente, diante da incapacidade do Pal\u00e1cio do Planalto de arregimentar apoio \u00e0s medidas que est\u00e3o no Congresso para garantir a meta. A proposta de ressurrei\u00e7\u00e3o da CPMF neste ano est\u00e1 quase enterrada.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais ilus\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao governo. Daqui por diante, ser\u00e1 preciso apresentar resultados concretos. Enquanto eles n\u00e3o aparecerem, o pessimismo vai imperar. N\u00e3o por acaso, os analistas t\u00eam revisado, quase que diariamente, as proje\u00e7\u00f5es para o PIB. E sempre para pior. As equipes de Levy e de Barbosa ainda insistem que o resultado da economia no ano que vem ser\u00e1 positivo. Citam como justificativa a recupera\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es, que tender\u00e3o a impulsionar a ind\u00fastria. Mas o saldo l\u00edquido do setor externo n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para compensar a forte contra\u00e7\u00e3o do consumo das fam\u00edlias.<\/p>\n<p><strong>Sem tr\u00e9gua<\/strong><\/p>\n<p>As dificuldades que os lares est\u00e3o enfrentando neste ano tendem a piorar em 2016, pois a fatura do desemprego n\u00e3o chegou por completo. Por enquanto, parte significativa dos demitidos est\u00e1 se beneficiando do seguro-desemprego e dos recursos oriundos das rescis\u00f5es de contratos. Da virada do ano em diante, faltar\u00e1 dinheiro para fechar as contas. Esse quadro se agravar\u00e1 porque a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o dar\u00e1 tr\u00e9gua. \u00c9 poss\u00edvel que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) feche acima de 6,5%, o teto da meta definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN).<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, a retra\u00e7\u00e3o do consumo das fam\u00edlias pesar\u00e1 mais para a recess\u00e3o de 2016 do que a queda dos investimentos produtivos, que, nos \u00faltimos anos, ditou o ritmo do PIB. Os empres\u00e1rios manter\u00e3o o p\u00e9 no freio por causa da desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao governo, mas ser\u00e1 a combina\u00e7\u00e3o perversa entre infla\u00e7\u00e3o alta, desemprego, queda na renda e cr\u00e9dito caro e escasso que manter\u00e1 a atividade no atoleiro.<\/p>\n<p>\u201cEm meio a esse quadro preocupante, h\u00e1, ainda, o medo do retrocesso, de ado\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas populistas\u201d, diz Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Partners. Por mais que a presidente Dilma diga que o ministro da Fazenda n\u00e3o sair\u00e1 do governo, o clima de tens\u00e3o entre integrantes do Planalto \u00e9 evidente diante da cobran\u00e7a por medidas como incentivo ao cr\u00e9dito para estimular a retomada do crescimento. \u201cOu seja, se h\u00e1 uma tend\u00eancia, \u00e9 de piora\u201d, destaca.<\/p>\n<p><strong>Reprova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O pr\u00f3prio governo reconhece que a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas \u00e9 dram\u00e1tica. Afirma que, se houver mais algum corte nas despesas, h\u00e1 risco de os minist\u00e9rios entrarem em colapso. As equipes da Fazenda e do Planejamento alegam que, neste ano, foi feito o maior contingenciamento da hist\u00f3ria, o equivalente a 1,22% do PIB. Os t\u00e9cnicos s\u00f3 se esquecem de dizer que a gastan\u00e7a e a vincula\u00e7\u00e3o de receitas foram patrocinadas pelo pr\u00f3prio governo, que apostou no intervencionismo no Estado para elevar o ritmo de crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Todas as armadilhas que agora custam caro ao pa\u00eds foram armadas com o aval de Dilma. Isso vale, inclusive, para as pedaladas fiscais que o Planalto n\u00e3o sabe o que fazer. As despesas irregulares que podem custar o mandato da presidente, caso o Congresso endosse a recomenda\u00e7\u00e3o do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o (TCU) de reprova\u00e7\u00e3o das contas de 2014, continuam pendentes. S\u00e3o pelo menos R$ 40 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e0 toa, t\u00e9cnicos do governo reconhecem que o rombo de R$ 51,8 bilh\u00f5es \u00e9 provis\u00f3rio, ou seja, mais \u00e0 frente, h\u00e1 o risco de buraco se mostrar maior, o que se tornou rotina na administra\u00e7\u00e3o de Dilma. Somente diante dos n\u00fameros que se t\u00eam em m\u00e3os, \u00e9 poss\u00edvel dizer que a presidente se especializou em destruir as finan\u00e7as do pa\u00eds. Somados, os deficits de 2014 e de 2015 chegam a R$ 84,3 bilh\u00f5es. Cobrir essa quantia e ainda economizar mais de R$ 50 bilh\u00f5es no ano que vem exigir\u00e1 muito empenho e disciplina, nada que combine com a petista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando assumiram seus postos no governo, Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento) fizeram quest\u00e3o de rufar os tambores para anunciar que, daquele momento em diante, a responsabilidade fiscal havia retornado ao governo. 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