{"id":24997,"date":"2022-07-17T18:15:11","date_gmt":"2022-07-17T21:15:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=24997"},"modified":"2022-07-17T18:15:25","modified_gmt":"2022-07-17T21:15:25","slug":"viver-em-portugal-nem-tudo-e-o-que-parece","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/viver-em-portugal-nem-tudo-e-o-que-parece\/","title":{"rendered":"Viver em Portugal: nem tudo \u00e9 o que parece"},"content":{"rendered":"<p>Por Luiz Recena Grassi, de Lisboa<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Eles continuam a fumar muito e a fazer churrascos no auge do ver\u00e3o seco, nas casas, nos campings, nas piscinas p\u00fablicas, nas praias fluviais ou de mar. N\u00e3o importa se tem gravetinho ou pinheiro crescido. A importar, mesmo, s\u00e3o os tr\u00eas meses de ver\u00e3o, s\u00f3 tr\u00eas, o que provoca um frenesi para que, al\u00e9m dos churrascos, grupos de portugueses, moradores no pa\u00eds ou no estrangeiro, com casas na terras de Cabral, decidam ajeitar e dar um trato nas propriedades, melhorando-as. Neste ano, n\u00e3o est\u00e1 a ser diferente. \u00c9 o \u201cfogo posto\u201d (pequena chama n\u00e3o criminosa, ou grande chama, para limpar um terreno, cheia de m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es) respons\u00e1vel por mais de 60% dos inc\u00eandios que, a cada ano, ardem e provocam trag\u00e9dias lusitanas anunciadas, h\u00e1 mais de d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sempre que algu\u00e9m vem do Brasil, a pergunta \u00e9 inevit\u00e1vel: est\u00e1 tudo bem? Vive-se melhor aqui, pois n\u00e3o? E quando se \u00e9 apresentado a um portugu\u00eas ou portuguesa, moradores locais, principalmente no interior do pa\u00eds, a eterna pergunta reaparece, renasce. \u00c9 melhor estar c\u00e1, pois n\u00e3o?<\/p>\n<p>A prefer\u00eancia pelo questionado vem de, no m\u00ednimo, duas fontes. A primeira \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o profissional, pois todos querem, nesta hora, uma fonte para sustentar seus argumentos. \u201c Um amigo jornalista me disse\u2026\u201d e estamos resolvidos. A segunda \u00e9 o tempo vivido, os tr\u00eas anos que parecem 30, com uma pandemia de mais de dois anos, uma guerra entre meninos que querem mostrar a testosterona que rola orelhas abaixo, e adultos espertos, muito espertos, a fatiar um mercado imenso e rico. A resposta \u00e9 um exerc\u00edcio no arame. Deve buscar situa\u00e7\u00f5es concretas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi bom enquanto durou. Da entrada plena de Portugal na Uni\u00e3o Europeia at\u00e9 o come\u00e7o da pandemia. O turismo queria amealhar dinheiro, o que viesse; e queria produzir dinheiro. O governo queria impostos e estimular compras, vendas e investimentos de e para amigos ricos ou indicados e afilhados. Teve tudo isso e, quando faltou m\u00e3o de obra, abriu-se para a raia mi\u00fada. Mais de uma d\u00e9cada de bons ventos, at\u00e9 com as leis de imigra\u00e7\u00e3o facilitadas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Vicente Nunes, correspondente rec\u00e9m-chegado, nos conta, hoje, que as dificuldades bateram em Lisboa, Porto e outras cidades importantes, expulsando portugueses e inchando as periferias. Imagine-se os brasileiros mais pobres ou de renda curta. Mas t\u00ednhamos o sistema de sa\u00fade. T\u00ednhamos, n\u00f3s e eles, agora n\u00e3o temos mais. O sistema p\u00fablico m\u00e9dico-fam\u00edlia est\u00e1 reduzido \u00e0 metade, e especialistas faltam em todas as modalidades. O Governo e os v\u00e1rios sindicatos n\u00e3o se entendem mais e pede-se a cabe\u00e7a da ministra da Sa\u00fade. Quem comeu, regalou-se; quem n\u00e3o comeu, perdeu a vez e as dificuldades s\u00f3 fazem aumentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Viver em outro pa\u00eds \u00e9 sempre bom. Em Portugal, \u00a0\u00e9 ainda melhor. S\u00f3 que, ao deixar o Brasil, as ideias devem ser bem pensadas. \u00c9 bom lembrar que, em quase tudo, somos dez, vinte vezes maior que Portugal. E os nossos problemas tamb\u00e9m. Se \u00e9 bom vir, venha! S\u00e3o mais de 200 mil, sem contar os que possuem dupla nacionalidade. Brasileiro tem fama de bom trabalhador, o que facilita. Por\u00e9m n\u00e3o esque\u00e7a: o idioma ajuda, n\u00e3o resolve tudo, com frequ\u00eancia, at\u00e9 atrapalha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Luiz Recena Grassi, de Lisboa &nbsp; Eles continuam a fumar muito e a fazer churrascos no auge do ver\u00e3o seco, nas casas, nos campings, nas piscinas p\u00fablicas, nas praias fluviais ou de mar. N\u00e3o importa se tem gravetinho ou pinheiro crescido. 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