{"id":25049,"date":"2022-07-27T17:04:35","date_gmt":"2022-07-27T20:04:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=25049"},"modified":"2022-07-28T17:29:31","modified_gmt":"2022-07-28T20:29:31","slug":"minimo-existencial-definido-pelo-governo-de-r-303-mensais-gera-controversias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/minimo-existencial-definido-pelo-governo-de-r-303-mensais-gera-controversias\/","title":{"rendered":"M\u00ednimo Existencial definido pelo governo, de R$ 303 mensais, gera controv\u00e9rsias"},"content":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo Jair Bolsonaro publicou, nesta quarta-feira (27\/7), um decreto que regulamenta o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) sobre o superendividamento e define como M\u00ednimo Existencial de 25% do sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente na data de publica\u00e7\u00e3o do decreto. A medida est\u00e1 gerando controv\u00e9rsias porque, considerando o valor do piso salarial atual, de R$ 1.212, o M\u00ednimo Existencial foi fixado em R$ 303, menos do que o valor pago pelo governo no Aux\u00edlio Brasil, que aumentou neste m\u00eas de R$ 400 para R$ 600, que ser\u00e3o pagos at\u00e9 dezembro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Nenhuma pessoa \u00e9 capaz de sobreviver com esse valor, que equivale a R$ 10,10 por dia. Esse decreto \u00e9 um absurdo, porque esvazia a Lei do Superendividamento que foi aprovada para proteger o consumidor&#8221;, destacou Walter Moura, advogado do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) no Distrito Federal. Segundo ele, a Lei do Superendividamento, aprovada em 2021 pelo Congresso, buscava proteger o consumidor muito endividado que pretende renegociar com os credores como M\u00ednimo Existencial e o valor determinado no decreto vai na contram\u00e3o de quem tenta buscar qualquer tipo de regulariza\u00e7\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com Moura, o Idec pretende entrar na Justi\u00e7a para derrubar o decreto, pois a medida dever\u00e1 afetar cerca de 40 milh\u00f5es de brasileiros superendividados. &#8220;Estamos estudando uma a\u00e7\u00e3o&#8221;, afirmou. &#8220;A Lei do Superendividamento era para ser uma coisa boa, mas ela n\u00e3o previa o valor do M\u00ednimo Existencial. Agora, com esse decreto, como diria uma f\u00e1bula paraibana, o consumidor ganhou uma rapadura, mas na cabe\u00e7a&#8221;, disse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de Estudos e Pesquisas Econ\u00f4micas da Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Executivos de Finan\u00e7as Administra\u00e7\u00e3o e Contabilidade (Anefac), acredita que o decreto n\u00e3o deve mudar as atividades das institui\u00e7\u00f5es financeiras, que n\u00e3o concedem cr\u00e9dito para quem tem mais de 25% da renda comprometida com empr\u00e9stimos e financiamentos. &#8220;Claro que isso depende muito da quest\u00e3o da d\u00edvida e da renda de cada consumidor, mas, mesmo em quest\u00e3o judicial, o banco tem interesse de receber e n\u00e3o vai fazer um acordo para o pagamento de uma d\u00edvida se a pessoa endividada n\u00e3o tiver condi\u00e7\u00f5es de sobreviver&#8221;, alertou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A norma protege o cidad\u00e3o contra o superendividamento e, ao mesmo tempo, contribui para o acesso do p\u00fablico de baixa renda ao sistema formal de cr\u00e9dito, evitando que o cidad\u00e3o tenha de recorrer \u00e0 agiotagem e a outras formas abusivas e inseguras de financiamento&#8221;, informou o comunicado da Casa Civil divulgado hoje, tratando do Decreto N\u00ba 11.150.\u00a0 Devido \u00e0\u00a0necessidade de adapta\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f4micos, o decreto ter\u00e1 vig\u00eancia ap\u00f3s 60 dias de sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com o documento, o\u00a0 valor foi definido com base em estimativas do Banco Central do Brasil, que calculou o impacto sobre a oferta de cr\u00e9dito. &#8220;O modelo adotado privilegia a disponibilidade de cr\u00e9dito aos consumidores, especialmente neste per\u00edodo de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica p\u00f3s pandemia. N\u00e3o haver\u00e1 atualiza\u00e7\u00e3o autom\u00e1tica do &#8216;M\u00ednimo Existencial&#8217; pelo reajuste do sal\u00e1rio m\u00ednimo, mas, sim, por decis\u00e3o do Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN)&#8221;, acrescentou a nota.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foram exclu\u00eddas da aferi\u00e7\u00e3o do n\u00e3o comprometimento do M\u00ednimo Existencial de parcelas de financiamento e de refinanciamento imobili\u00e1rio; de parcelas decorrentes de empr\u00e9stimos e financiamentos com garantias reais; de contratos de cr\u00e9dito garantidos por meio de fian\u00e7a ou com aval; de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito rural, entre outras, segundo a nota. &#8220;O atingimento do m\u00ednimo n\u00e3o impedir\u00e1 o consumidor de contratar opera\u00e7\u00e3o que melhore as condi\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas j\u00e1 existentes&#8221;, acrescentou o documento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Procurada, a Casa Civil ainda n\u00e3o comentou o assunto. Com um dia de atraso, o Minist\u00e9rio da Economia enviou uma nota na qual justificou a regulamenta\u00e7\u00e3o da Lei do Superendividamento que foi incorporada ao C\u00f3digo de Defesa do Consumidor era uma necessidade da mat\u00e9ria, &#8220;com a finalidade de proteger o consumidor financeiro da condi\u00e7\u00e3o de superendividamento e, ao mesmo tempo, assegurar o direito \u00e0 cidadania financeira \u00e0s pessoas de menor renda, com a possibilidade de maior acesso ao mercado formal de cr\u00e9dito e ao processo de bancariza\u00e7\u00e3o&#8221;. &#8220;Obt\u00e9m-se, com isso, padroniza\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a aplica\u00e7\u00e3o desse conceito de maneira uniforme e inequ\u00edvoca por todo o territ\u00f3rio nacional, contribuindo para uma maior seguran\u00e7a jur\u00eddica nas rela\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito e mitigando riscos de judicializa\u00e7\u00e3o, o que, por fim, favorece maior previsibilidade de atua\u00e7\u00e3o dos agentes econ\u00f4micos e o desenvolvimento sustent\u00e1vel do mercado financeiro&#8221;, acrescentou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De acordo com a pasta, o objetivo da medida \u00e9 que &#8220;o mercado evolua no sentido de ofertar produtos mais eficientes sob a \u00f3tica econ\u00f4mica, na busca de um melhor equil\u00edbrio entre a prote\u00e7\u00e3o ao consumidor superendividado e a seguran\u00e7a jur\u00eddica necess\u00e1ria para a contrata\u00e7\u00e3o de opera\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito&#8221;.\u00a0 Com rela\u00e7\u00e3o ao valor, o \u00f3rg\u00e3o informou que ele foi estabelecido &#8220;a partir de estudo e discuss\u00f5es com diversos \u00f3rg\u00e3os e entidades do governo&#8221;.\u00a0 &#8220;O objetivo \u00e9\u00a0n\u00e3o alijar o consumidor, principalmente aqueles de menor renda, do mercado formal de cr\u00e9dito e da possibilidade de assumir novos compromissos financeiros para consumo, evitando que o cidad\u00e3o tenha de recorrer a rela\u00e7\u00f5es de cr\u00e9dito informais inseguras e abusivas&#8221;, adicionou. &#8220;Quanto maior o valor a ser considerado, maior a restri\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os para acessar cr\u00e9dito no sistema financeiro&#8221;, emendou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*a mat\u00e9ria foi atualizada com a resposta do Minist\u00e9rio da Economia<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ROSANA HESSEL &nbsp; O governo Jair Bolsonaro publicou, nesta quarta-feira (27\/7), um decreto que regulamenta o C\u00f3digo de Defesa do Consumidor (CDC) sobre o superendividamento e define como M\u00ednimo Existencial de 25% do sal\u00e1rio m\u00ednimo vigente na data de publica\u00e7\u00e3o do decreto. 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