{"id":25246,"date":"2022-08-09T17:13:43","date_gmt":"2022-08-09T20:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=25246"},"modified":"2022-08-09T17:14:21","modified_gmt":"2022-08-09T20:14:21","slug":"artigo-e-hora-do-descanso-europeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/artigo-e-hora-do-descanso-europeu\/","title":{"rendered":"Artigo: \u00c9 hora do descanso europeu"},"content":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pronto. Tudo pronto. Durante a semana passada, os parlamentos europeus deliberaram o que era urg\u00eancia. O que n\u00e3o era, que poderia esperar mais um pouco, ficou para setembro, que ningu\u00e9m \u00e9 de ferro, nem mesmo germ\u00e2nicos ou gauleses.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica est\u00e1 em sintonia fina com o resto da Europa. C\u00e1 na terrinha, \u00f3 p\u00e1, onde a dedica\u00e7\u00e3o ao eficiente trabalho legislativo n\u00e3o mata ningu\u00e9m de amores, as lideran\u00e7as partid\u00e1rias cuidaram de planejar as pr\u00f3prias f\u00e9rias.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A maioria vai para o Algarve, outros para o Norte e destinos menos conhecidos. Todos levam livros, votos pessoais de leituras, ideias para elaborar algum projeto e apresentar na volta. Todos levam seus drinques especiais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O comunista Jer\u00f4nimo leva seu licor preferido, o Dona Cristina; enquanto o hiper extrema-direita Ventura vai para outro pa\u00eds, sem abandonar seu gin t\u00f4nica. A l\u00edder do Bloco de Esquerda, Catarina, quer praia com vento norte, piment\u00f5es assados e o drinque? O que estiver a provocar a boca. Ecl\u00e9tica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cotrim, dos liberais, quer um casa no campo, com boa cozinha, onde possa mimar fam\u00edlia e amigos com produ\u00e7\u00f5es gastron\u00f4micas de pr\u00f3pria lavra. Vai ler alguma coisa, promete. O socialista Eurico, ainda que bem atrasado, garante que vai ler <em>Don Quijote<\/em>. N\u00e3o era sem tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O novo l\u00edder dos conservadores, Montenegro, quer ler <em>Obama<\/em> e beber vinho branco. Tudo em uma semana. Depois, vai viajar e fazer pol\u00edtica. Os eleitores, em f\u00e9rias tamb\u00e9m, ser\u00e3o facilmente encontr\u00e1veis. Detalhe: todos esses pol\u00edticos e outros tinham tudo organizado, far\u00e3o igual ao que foi feito nas \u00faltimas f\u00e9rias e igual ao que ser\u00e1 nas pr\u00f3ximas, sempre em agosto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro ministro, Ant\u00f3nio Costa, matreiro, antecipou as f\u00e9rias e j\u00e1 est\u00e1 de volta ao pal\u00e1cio do governo, a trabalhar. Dar\u00e1 certamente suas escapadelas e estar\u00e1 de volta. A capital vazia de pol\u00edticos e intrigas. Lisboa \u00e9 minha, levita em sonhos a autoridade. N\u00e3o incendiar\u00e1 a urbe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A natureza encarregou-se disso, tal como em Espanha, Gr\u00e9cia, Fran\u00e7a e outros. Fazia 92 anos que n\u00e3o havia tantos inc\u00eandios em Portugal. Ardem casas simples, matas e at\u00e9 patrim\u00f4nios tombados, tipo a Serra da Estrela. Para que as f\u00e9rias sejam melhores, s\u00f3 apagando esses fogos. Os europeus precisam descansar e tudo est\u00e1 programado. Bastam os estragos e contratempos da guerra e da pandemia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Correio sabe porque viu<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estava l\u00e1. Num s\u00e1bado que tem 30 anos, come\u00e7o de agosto, o burocrata sovi\u00e9tico esperou-me no aeroporto. Levou-me para a casa nova. Abriu um champanhe pouco gelado, tomou meia ta\u00e7a e adeus! S\u00f3 no ver\u00e3o seguinte descobri o porque da pressa: precisava plantar. Velhas formigas trabalhando por toda R\u00fassia para produzir e estocar alimentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso guerra e frio para entender gente assim. Espera uns dias, disse-me o amigo conhecedor de Moscou e seus h\u00e1bitos. Os dias chegaram e fomos \u00e0 pra\u00e7a do poeta Pushkin. Um espet\u00e1culo! Homens em camiseta ou sem, cal\u00e7as at\u00e9 a canela; mulheres s\u00f3 com o suti\u00e3 e com al\u00e7as rebaixadas, saias aos joelhos. Um festival de brancura ao sol do meio dia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em Petersburgo, esse sol vira e toma f\u00f4lego. As noites brancas, sem quase sombras, s\u00e3o capazes de levar ao del\u00edrio. Com vodka, champanhe, pepino, caviar, p\u00e3o preto, n\u00e3o tem escapat\u00f3ria. \u00c9 del\u00edrio, certo? H\u00e1 passeios, barcos, comidas e outras atra\u00e7\u00f5es. O que marca, por\u00e9m, \u00e9 a brancura seminua exposta ao sol e as noites de sobras despejadas. Inesquec\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal &nbsp; Pronto. Tudo pronto. Durante a semana passada, os parlamentos europeus deliberaram o que era urg\u00eancia. 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