{"id":25647,"date":"2022-09-01T11:17:09","date_gmt":"2022-09-01T14:17:09","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=25647"},"modified":"2022-09-01T11:17:37","modified_gmt":"2022-09-01T14:17:37","slug":"artigo-mortos-pedem-silencio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/artigo-mortos-pedem-silencio\/","title":{"rendered":"Artigo: Mortos pedem sil\u00eancio"},"content":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cLament\u00e1vel\u201d. Econ\u00f4mico nas palavras, o antigo correspondente soviet\/russo resumiu seu sentimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte de Mikhail Gorbachev, aos 91 anos. E completou: \u201cFoi pessoa controvertida, para uns, her\u00f3i, para outros, traidor. Para a R\u00fassia, deu a liberdade, abriu-a para o mundo. Mas o pa\u00eds at\u00e9 agora n\u00e3o conseguiu tirar proveito dessa liberdade\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Amigos moscovitas come\u00e7am a fazer balan\u00e7os, condi\u00e7\u00e3o em que devem ficar por algum tempo. \u201c\u00c9 muito dif\u00edcil expressar tudo o que sinto em poucas frases. Tantas recorda\u00e7\u00f5es! A liberdade de express\u00e3o (Glassnost) que nos trouxe foi a maior conquista da Perestroika. Ficamos embriagados, a discutir qualquer tema sem receio ou medo. A economia n\u00e3o ajudou e piorou a situa\u00e7\u00e3o. Houve marchas sob o slogan \u201cGorbachev v\u00e1 embora\u201d. Temos um ditado que diz: \u201cqueria o melhor, mas acabou como sempre, no fracasso das reformas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Meu amigo ainda \u00e9 jovem e est\u00e1 na ativa, sofrendo com as medidas econ\u00f4micas anti russas. \u201cConfesso que estou meio para enlutada\u201d, escreve uma amiga daquela \u00e9poca. Brasileira e discretamente, torc\u00edamos por ele. Ali\u00e1s, muitos torciam por ele mundo afora: ocidentais, democratas, liberais, humanistas. Parecia que o mundo iria mudar. E mudou. Mesmo com a oposi\u00e7\u00e3o interna dos burocratas, dos bolcheviques empedernidos e dos secadores em geral, a R\u00fassia assinou o segundo grande ato da hist\u00f3ria pol\u00edtica moderna do nosso mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em menos de 80 anos, vieram a Revolu\u00e7\u00e3o Sovi\u00e9tica e o final da pr\u00f3pria, tudo sempre em grande estilo. O primeiro ato, dirigido por Lenin pulverizou principalmente alguns paradigmas seculares do capital e do cristianismo. Pecado duplo todo dia revisado e cobrado da R\u00fassia com juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No segundo lance, quase ao final do s\u00e9culo, Mikhail Sergueievitch Gorbachev surge como diretor e personagem central. Foi um grande momento para o mundo, ganhou adeptos e simpatizantes entre ocidentais, americanos do Norte e da Am\u00e9rica do Sul, \u00e1rabes, pacifistas, pessoas sens\u00edveis e at\u00e9 crist\u00e3os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pouco mais, pouco menos, \u00e9ramos muitos a apostar no sucesso dele. S\u00f3 n\u00e3o o apoiaram em casa. Velhos bolcheviques, burocratas cheirando a mofo, invejosos de todo o jaez. Meus amigos que sofrem com a guerra est\u00e3o tristes tamb\u00e9m. Uma escreveu para lembrar: ele tinha um p\u00e9 no futuro e o outro acorrentado no passado. O homem que queria mudar perdeu, morreu. N\u00e3o \u00e9 mais figurante da hist\u00f3ria, \u00e9 um destaque, um grande vulto. O resto \u00e9 sil\u00eancio. N\u00e3o fa\u00e7amos brindes ruidosos, deixemos os mortos a dormir em paz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O CORREIO SABE PORQUE VIU<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estava l\u00e1. Quando caiu o Muro de Berlim, houve repercuss\u00e3o mundial. Em Moscou, o \u201cDas Mauer\u201d s\u00f3 caiu no dia seguinte. A not\u00edcia circulou cedo porque, na noite anterior, o fato foi tarde, a m\u00eddia sovi\u00e9tica dormia. Gorbachev n\u00e3o gostou, tinha ido a Berlim Oriental dar o beijo da morte em Erich Honecker e ficara \u00e0 espera dos resultados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cabe\u00e7as rolaram como ocorrera antes na Arm\u00eania, ap\u00f3s forte terremoto. Sobraram as casas de pedra, ca\u00edram as casas populares. Arm\u00eanios de S\u00e3o Paulo levaram ajuda. Encontraram um l\u00edder com as m\u00e3o cheias e terra a perguntar \u201conde est\u00e1 o cimento que mandamos para c\u00e1?\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No principal telejornal da noite, o l\u00edder descobriu a corrup\u00e7\u00e3o dos burocratas da regi\u00e3o a desviar materiais. O do povo tamb\u00e9m viu. Gorbatchov gostava muito da sua Glassnost. Os burocratas babavam nas gravatas e explodiam nas iras reprimidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal &nbsp; \u201cLament\u00e1vel\u201d. Econ\u00f4mico nas palavras, o antigo correspondente soviet\/russo resumiu seu sentimento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morte de Mikhail Gorbachev, aos 91 anos. E completou: \u201cFoi pessoa controvertida, para uns, her\u00f3i, para outros, traidor. Para a R\u00fassia, deu a liberdade, abriu-a para o mundo. 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