{"id":26007,"date":"2022-10-09T11:09:31","date_gmt":"2022-10-09T14:09:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=26007"},"modified":"2022-10-09T11:09:54","modified_gmt":"2022-10-09T14:09:54","slug":"artigo-diabolico-passeio-em-dominios-do-kremlin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/artigo-diabolico-passeio-em-dominios-do-kremlin\/","title":{"rendered":"Artigo: Diab\u00f3lico passeio em dom\u00ednios do Kremlin"},"content":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Diabo passeou por Moscou e fez muitas travessuras, grandes e variadas estripulias, mais do que nos livros russos, dizem os que viram, souberam, deixaram registros por escrito. A \u00e9poca n\u00e3o permitia outra forma. Comentaram mesmo que o capeta ficou \u00e0 solta no pa\u00eds dos sovietes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tempo era esse, entre uma Grande Guerra e outra. O ditador dos bigodes mandava e deixava de mandar quando bem quisesse. A Guerra Patri\u00f3tica tinha terminado, o caos reinava no dia-a-dia da capital. Belzebu aproveitou a situa\u00e7\u00e3o e aprontou o que pode e sabe fazer. De dinheiro estrangeiro proibido a baile mais do que incrementado, passando por inc\u00eandios, desaparecimentos e reaparecimentos de gente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Soldados voltavam do front e o primeiro desfile da vit\u00f3ria entrou na lista de datas inesquec\u00edveis. Garbosos peitos luziram medalhas brilhantes, muitas, reluzentes. Os mais jovens se perguntavam para que? Para quase nada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Anos depois, o Diabo russo passou longe, no Afeganist\u00e3o. Poucas vit\u00f3rias, novos desfiles e novas medalhas reluzentes. A conversa dos mais jovens: para que? Para nada! E reapareceu o Sete L\u00e9guas. Na fronteira do que antes era dom\u00e9stico e mudou a condi\u00e7\u00e3o. Luta-se no mar Negro e do B\u00e1ltico chegam in\u00fameros sinais hostis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda h\u00e1 poucas medalhas, e russos est\u00e3o uns dias a apanhar para valer. Perdem parte do conquistado, tocam os clarins da retirada, ainda que menor e sempre pass\u00edvel de recupera\u00e7\u00e3o. Os jovens v\u00e3o para as ruas das grandes cidades e outros n\u00e3o podem, ocupados que est\u00e3o com convoca\u00e7\u00f5es e treinos para os combates futuros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Te\u00f3ricos europeus dizem que a situa\u00e7\u00e3o estaria estabilizada no empate. Os novos soldados excedem a 200 mil. Receberam armamento novo para combater uma Ucr\u00e2nia em fase de contraofensiva e cheia de armas novas ou nem tanto, fornecidas por Estados Unidos, Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan), Uni\u00e3o Europeia (UE).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>San\u00e7\u00f5es contra a R\u00fassia seguem e entraram na oitava vers\u00e3o. Vai ter teto, compras de g\u00e1s em conjunto. Uns informam n\u00e3o acompanhar ordem da UE. H\u00e1 farto dinheiro para pagar comprovada presen\u00e7a mercen\u00e1ria de muitos mundos, notadamente norte-americanos e europeus. A Otan entra na dan\u00e7a at\u00e9 o limite: apoio, treino e armas a seus membros. O inverno n\u00e3o chegou, vem forte, com vento, chuva e neve. Macron foge do gasoduto novo, ib\u00e9rico. Mercen\u00e1rios de um lado; forte massa de jovens de outro. E as medalhas, da guerra quem leva? Para que? Nada!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O CORREIO SABE PORQUE VIU<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estava l\u00e1. Quando cheguei a Moscou, a moda eram anedotas da CIA. E o camarada Popov, o exemplo. Membro do comit\u00ea de bairro. Foi perguntado por superior: Popov, por que n\u00e3o foi \u00e0 \u00faltima reuni\u00e3o do partido? Resposta: e era a \u00faltima? Por que n\u00e3o me avisaram? Conheceu boa parte da Sib\u00e9ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rep\u00fablicas B\u00e1lticas \u00e0s turras com a URSS e a Litu\u00e2nia, sempre mais belicosa, foi ao Kremlin conversar com a comadre, pedir seis dias de independ\u00eancia. N\u00e3o ganhou quase nada, barganhou at\u00e9 receber seis minutos. Voltou ao B\u00e1ltico e zero not\u00edcia. At\u00e9 a URSS chamar e perguntar o que a outra fez com seis minutos. Simples, disse a fin\u00f3ria de Vilnius. Nos primeiros tr\u00eas, declarei guerra \u00e0 Finl\u00e2ndia, na segunda parte, me rendi.<\/p>\n<p>Outros tempos, quando todos dividiam p\u00e3o preto, mortadela e pepino salgado, Vilnius era A Jerusal\u00e9m do B\u00e1ltico; com escola e biblioteca, j\u00f3ias da cultura judaica. Eles comeram o gefilte fish tradicional judeu que o Capeta cozinhou, encararam o tzarismo sanguin\u00e1rio, deram alian\u00e7a aos sovi\u00e9ticos. Perderam gente, patrim\u00f4nio liter\u00e1rio. Resistiram. H\u00e1 livros hoje em New York, Israel, It\u00e1lia, at\u00e9 Alemanha. \u201cOs Homens que Salvavam Livros\u201d, de David Fishman, \u00e9 pequena hist\u00f3ria do conv\u00edvio humano poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI, de Portugal &nbsp; O Diabo passeou por Moscou e fez muitas travessuras, grandes e variadas estripulias, mais do que nos livros russos, dizem os que viram, souberam, deixaram registros por escrito. A \u00e9poca n\u00e3o permitia outra forma. 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