{"id":26774,"date":"2022-12-22T21:29:29","date_gmt":"2022-12-23T00:29:29","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=26774"},"modified":"2022-12-22T21:34:32","modified_gmt":"2022-12-23T00:34:32","slug":"nove-em-cada-10-brasileiros-foram-discriminados-em-servicos-publicos-de-portugal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/nove-em-cada-10-brasileiros-foram-discriminados-em-servicos-publicos-de-portugal\/","title":{"rendered":"Nove em cada 10 brasileiros foram discriminados em servi\u00e7os p\u00fablicos de Portugal"},"content":{"rendered":"<h2>Os servi\u00e7os p\u00fablicos em Portugal s\u00e3o, em grande parte, gratuitos e universais. Por lei, servidores n\u00e3o podem deixar de atender quem quer que seja, mesmo estando a pessoa em situa\u00e7\u00e3o irregular. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, a discrimina\u00e7\u00e3o impera, como mostra a terceira edi\u00e7\u00e3o do projeto #MigraMyths, elaborado pela Casa do Brasil com apoio da Rep\u00fablica Portuguesa.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os dados s\u00e3o alarmantes. Nove em cada 10 brasileiros (91%) ouvidos pela pesquisa afirmaram ter sido v\u00edtimas de discrimina\u00e7\u00e3o. Quando se olha para o grupo total de estrangeiros que vivem em Portugal legalmente, 81,7% sofreram algum tipo de preconceito, sendo que 59,8% apontaram a xenofobia como principal problema. Outros 28% reclamaram do preconceito lingu\u00edstico e 12,2%, de racismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As maiores v\u00edtimas de intoler\u00e2ncia s\u00e3o as mulheres: sete em cada 10. Os centros de sa\u00fade de Portugal aparecem como campe\u00f5es de intoler\u00e2ncia, com 34,3% das queixas, seguidos pelo sistema financeiro, com 17,5%, pelo Servi\u00e7o de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), com 16,1%, pelas universidades, com 15,3%, pelo sistema de seguridade social (Previd\u00eancia), com 8,8%, e pelos hospitais, com 8%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Medo de retalia\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pesquisa mostra, ainda, que 89,1% dos estrangeiros v\u00edtimas de intoler\u00e2ncia n\u00e3o denunciaram os casos, muitas vezes por n\u00e3o acreditarem em puni\u00e7\u00f5es efetivas. Tamb\u00e9m h\u00e1 o medo de retalia\u00e7\u00e3o, porque depender\u00e3o de atendimentos futuros. Na avalia\u00e7\u00e3o dos inquiridos, ser\u00e1 preciso uma mudan\u00e7a profunda de cultura entre os servidores p\u00fablicos para que o desrespeito diminua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre as medidas apontadas como necess\u00e1rias para tornar os servi\u00e7os p\u00fablicos mais tolerantes aos estrangeiros, a principal (29,5%) \u00e9 uma melhor forma\u00e7\u00e3o dos servidores. Para 28,4%, \u00e9 preciso mais educa\u00e7\u00e3o daqueles que est\u00e3o \u00e0 frente dos trabalhos. Outros 22,6% defendem campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o e 19,5% pedem mais informa\u00e7\u00f5es sobre seus direitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Respons\u00e1vel pelo projeto MigraMyths, a vice-presidente da Casa do Brasil, Ana Paula Costa, diz que a pesquisa permite tra\u00e7ar um diagn\u00f3stico sobre a realidade enfrentada pelos estrangeiros em Portugal, evidenciar as\u00a0experi\u00eancias de discrimina\u00e7\u00e3o e sistematiz\u00e1-las. &#8220;S\u00e3o experi\u00eancias que as pessoas imigrantes enfrentam no seu dia a dia, mais especificamente sobre a discrimina\u00e7\u00e3o nos servi\u00e7os p\u00fablicos&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A estudiosa reconhece que est\u00e1 se tratando de um problema complexo, &#8220;pois envolve v\u00e1rias dimens\u00f5es, como falta de recursos materiais, humanos e financeiros nesses servi\u00e7os, alta carga de trabalho dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos e casos que precisam de mais aten\u00e7\u00e3o&#8221;. Al\u00e9m disso, acrescenta Ana Paula, falta informa\u00e7\u00e3o e dissemina\u00e7\u00e3o dos direitos das pessoas imigrantes\u00a0e sensibiliza\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos, que, muitas vezes, acabam por reproduzir preconceitos e estere\u00f3tipos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 importante considerar que os servi\u00e7os p\u00fablicos fazem a liga\u00e7\u00e3o entre o Estado e os cidad\u00e3os. \u00c9 por meio deles que as pessoas, imigrantes e nacionais, t\u00eam acesso a seus direitos, bens e servi\u00e7os p\u00fablicos, pelo que \u00e9 preciso garantir que nenhuma pessoa seja discriminada em Portugal em fun\u00e7\u00e3o da nacionalidade, cor, g\u00eanero, origem ou qualquer outro marcador social&#8221;, enfatiza. No total, quase 700 mil estrangeiros vivem em Portugal, dos quais um ter\u00e7o \u00e9 de brasileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os servi\u00e7os p\u00fablicos em Portugal s\u00e3o, em grande parte, gratuitos e universais. Por lei, servidores n\u00e3o podem deixar de atender quem quer que seja, mesmo estando a pessoa em situa\u00e7\u00e3o irregular. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, a discrimina\u00e7\u00e3o impera, como mostra a terceira edi\u00e7\u00e3o do projeto #MigraMyths, elaborado pela Casa do Brasil com apoio da Rep\u00fablica Portuguesa. 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