{"id":27707,"date":"2023-04-05T07:08:31","date_gmt":"2023-04-05T10:08:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=27707"},"modified":"2023-04-05T07:08:58","modified_gmt":"2023-04-05T10:08:58","slug":"artigo-bahmut-zaporijhi-kiev-e-outras-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/artigo-bahmut-zaporijhi-kiev-e-outras-palavras\/","title":{"rendered":"Artigo: Bahmut, Zaporijhi, Kiev e outras palavras"},"content":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A primeira not\u00edcia dram\u00e1tica desta semana foi dada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, que garantiu a presen\u00e7a e o depoimento do presidente da Bielorr\u00fasia, Aleksandr Lukashenko. Os dois secundados e garantindo a not\u00edcia: a R\u00fassia poder\u00e1 atacar a Ucr\u00e2nia com arma estrat\u00e9gica. Na sobra, poderiam levar uns tiros estrat\u00e9gicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo isso ter\u00e1 seu pre\u00e7o, inclusive a retalia\u00e7\u00e3o pelos estados da Uni\u00e3o Europeia e pelos aliados da Organiza\u00e7\u00e3o do Tratado do Atl\u00e2ntico Norte (Otan). A tudo isso seguir\u00e3o a\u00e7\u00f5es contra ultrapatriotas de uma guerra normal: a Alemanha mandou carros de combate Leopard-2 \u2014 18 j\u00e1 chegaram, assim como tr\u00eas enviados por Portugal. Tanques do tempo da extinta URSS.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Outros aliados mandaram armas de treinamento e teve at\u00e9 um que reservou 2,5 bilh\u00f5es de euros para pagar sal\u00e1rios e, junto com outro pa\u00eds, est\u00e3o acumulando balas e tiros a serem distribu\u00eddos a Ucr\u00e2nia. A primeira tranche j\u00e1 saiu. N\u00e3o chegou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para terminar, a R\u00fassia foi indicada presidente do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas. \u00c9 do jogo, embora uns e outros estejam choramingando. Veio um rastro de \u00f3dio, com a morte do blogueiro Vladlen Tatarsky, ligado e a grupos de combate na regi\u00e3o do Dombass. Sobraram as palavras dif\u00edceis da Ucr\u00e2nia e a R\u00fassia. Danya Trepova, c\u00famplice, est\u00e1 na cadeia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O COREIO SABE PORQUE VIU<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estava l\u00e1.\u00a0No segundo ver\u00e3o, come\u00e7aram os problemas. Pol\u00edcias ganharam mais servi\u00e7o. Este correspondente teve o apartamento violado. Passado o susto, contei o ocorrido a meus amigos russos. Pergunta: \u201cN\u00e3o passava nenhum carro de pol\u00edcia?&#8221;. Passava. &#8220;E voc\u00ea n\u00e3o pediu ajuda? Seria tudo muito mais f\u00e1cil&#8221;. Depois dos assaltantes imagin\u00e1rios atr\u00e1s de cada \u00e1rvore, de novo vem a cabe\u00e7a: Eu pedir ajuda para a pol\u00edcia, nunca, meu caro amigo!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Moscou, em agosto de 1988, era assim, as pessoas estavam acostumadas a recorrer \u00e0 pol\u00edcia quando precisavam de aux\u00edlio. Os tempos mudaram muito aceleradamente. Em outubro de 1991, meu apartamento foi assaltado. Levaram toda minha m\u00fasica, roupas e bebidas estrangeiras. Deixaram cinco garrafas de champanha sovi\u00e9tica e uma de conhaque b\u00falgaro. A champanha foi levada pelos policiais, o conhaque, pelo tenente que os comandava.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Naquele fim de semana, 32 apartamentos de estrangeiros foram visitados pelos amigos do alheio. Nada com a pol\u00edcia moscovita. Os primeiros, no mesmo ano, tinham visitado meu autom\u00f3vel duas vezes. Na primeira, levando os limpadores de para-brisas, na segunda, o r\u00e1dio-toca-fitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto\u00a0 \u00e0 pol\u00edcia, depois do golpe de Estado fracassado, da desorganiza\u00e7\u00e3o do abastecimento de viveres e aumento da infla\u00e7\u00e3o, passou a agir cada dia com mais desenvoltura, principalmente com os automobilistas, preferencialmente os estrangeiros, que transitavam com placas de cores diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o precisava cometer nenhuma infra\u00e7\u00e3o, pois eles mesmos se encarregavam de arrumar uma para a v\u00edtima. O neg\u00f3cio era tentar conversar, para pagar menos, abrir a carteira e mostrar que, embora estrangeiro, n\u00e3o tinha d\u00f3lares, uma vez que a simples presen\u00e7a das verdinhas excitava e aumentava a mordida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os caucasianos cuidavam dos hortifrutigranjeiros. As outras rep\u00fablicas, da Ge\u00f3rgia e do Azerbaij\u00e3o, por exemplo, por terem um clima muito mais quente, tinham mais produ\u00e7\u00e3o de frutas e legumes do que as que enfrentavam mais tempo o rigor do inverno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os espertos, levavam o que podiam para Moscou e faziam a festa. Os pre\u00e7os obedeciam a uma din\u00e2mica mercurial. Valia pechinchar. Brigar pelo pre\u00e7o fazia parte da cultura e, \u00e0s vezes, n\u00e3o regatear, n\u00e3o pechinchar, quebrava a magia da transa\u00e7\u00e3o comercial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI &nbsp; A primeira not\u00edcia dram\u00e1tica desta semana foi dada pelo porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, que garantiu a presen\u00e7a e o depoimento do presidente da Bielorr\u00fasia, Aleksandr Lukashenko. Os dois secundados e garantindo a not\u00edcia: a R\u00fassia poder\u00e1 atacar a Ucr\u00e2nia com arma estrat\u00e9gica. 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