{"id":27719,"date":"2023-04-05T12:53:34","date_gmt":"2023-04-05T15:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=27719"},"modified":"2023-04-05T13:10:44","modified_gmt":"2023-04-05T16:10:44","slug":"o-brasil-esta-doente-normalizou-o-odio-a-intolerancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-brasil-esta-doente-normalizou-o-odio-a-intolerancia\/","title":{"rendered":"O Brasil est\u00e1 doente, normalizou o \u00f3dio, a intoler\u00e2ncia"},"content":{"rendered":"<h2>O distanciamento permite, muitas vezes, nos desvencilharmos de conceitos aos quais est\u00e1vamos agarrados \u2014 ou pelo menos nos faz question\u00e1-los, o que \u00e9 o in\u00edcio de um longo processo de melhora como pessoa. Os 10 meses que estou em Portugal me levaram a perceber o quanto estava preso a um pa\u00eds doente, que normalizou o \u00f3dio, a intoler\u00e2ncia.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O assassinato, a machadadas, de quatro crian\u00e7as de 4, 5 e 7 anos nesta quarta-feira (05-04), em Blumenau, Santa Catariana \u2014 o estado em que h\u00e1 mais c\u00e9lulas nazistas \u2014, \u00e9 a s\u00edntese de como o Brasil piorou e se tornou um local hostil para se viver. Pior, as pessoas, no geral, n\u00e3o se comovem mais com a barb\u00e1rie. Quando algu\u00e9m \u00e9 morto, apenas se ouve, foi mais um. Vamos ao pr\u00f3ximo. Como assim?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o pode um menino de apenas 13 anos, uma crian\u00e7a, matar a facadas uma professora. N\u00e3o pode um agente policial assassinar um jovem com nove tiros e ferir outra pessoa porque n\u00e3o conseguiu comprar uma pizza brotinho. O que \u00e9 isso? Que pa\u00eds \u00e9 esse em que algu\u00e9m decide que pode tirar a vida do outro somente porque foi contrariado ou porque est\u00e1 com raiva?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o quero dizer que Portugal \u00e9 o para\u00edso. N\u00e3o \u00e9. O pa\u00eds se apresenta como o sexto mais seguro do mundo, mas, rotineiramente, h\u00e1 casos de assassinatos, de assaltos, de estupros. Mas as pessoas ainda se comovem. E, sim, ainda \u00e9 um lugar seguro para se viver, num mundo em que o respeito pelo outro est\u00e1 indo pelo ralo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enalte\u00e7o, por exemplo, o fato de se poder usar celular tranquilamente nas ruas sem a preocupa\u00e7\u00e3o de ser roubado ou morto. Fico encantado com tantas mulheres atravessando o Rio Tejo de barca, de madrugada, sem o temor de serem violentadas em alguma esquina quando estiverem indo a p\u00e9 para casa. \u00c9 um al\u00edvio ver idosos, sozinhos, sacando dinheiro no caixa eletr\u00f4nico \u00e0 noite certos de que est\u00e3o protegidos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Brasil, nada disso \u00e9 mais normal. Pelo contr\u00e1rio, o normal \u00e9 sentir medo, se privar da liberdade de andar a p\u00e9, de usufruir das facilidades que nos s\u00e3o oferecidas. A vida n\u00e3o vale mais nada. Como algu\u00e9m pode entrar em um creche e matar a machadadas crian\u00e7as que deveriam ser protegidas, cuidadas, amadas?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os \u00faltimos quatro anos foram devastadores no que se refere ao respeito \u00e0 vida, ao respeito ao pr\u00f3ximo. Incitou-se o \u00f3dio \u00e0s mulheres \u2014 os casos de feminic\u00eddio s\u00e3o assustadores \u2014, aos integrantes da comunidade LGBTQIA+ \u2014 o Brasil \u00e9 onde mais se mata por causa da orienta\u00e7\u00e3o sexual \u2014, aos negros \u2014 esses, eternamente discriminados. E est\u00e3o matando crian\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estamos diante de um Brasil armado at\u00e9 os dentes. At\u00e9 quando vamos aceitar tanto descalabro? At\u00e9 quando veremos o Estado leniente com a barb\u00e1rie? As cidades est\u00e3o dominadas pelo poder paralelo, pelo crime organizado. O nosso algoz est\u00e1 logo ali. Basta a primeira discord\u00e2ncia para uma vida ser ceifada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 doente. A sociedade brasileira est\u00e1 doente. Todos n\u00f3s precisamos de um bom tratamento. Temos de voltar a nos indignar com a viol\u00eancia. N\u00e3o podemos mais normalizar o absurdo. \u00c9 urgente retornarmos \u00e0 racionalidade antes que seja tarde demais. A pr\u00f3xima v\u00edtima pode ser qualquer um de n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O distanciamento permite, muitas vezes, nos desvencilharmos de conceitos aos quais est\u00e1vamos agarrados \u2014 ou pelo menos nos faz question\u00e1-los, o que \u00e9 o in\u00edcio de um longo processo de melhora como pessoa. 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