{"id":29170,"date":"2023-11-09T09:28:08","date_gmt":"2023-11-09T12:28:08","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=29170"},"modified":"2023-11-15T15:08:59","modified_gmt":"2023-11-15T18:08:59","slug":"a-real-de-portugal-movimentos-anti-imigracao-avancam-no-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-real-de-portugal-movimentos-anti-imigracao-avancam-no-pais\/","title":{"rendered":"A real de Portugal: movimentos anti-imigra\u00e7\u00e3o avan\u00e7am no pa\u00eds"},"content":{"rendered":"<h2>Um amplo estudo realizado pela brasileira Tha\u00eds Fran\u00e7a, doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra, mostra que Portugal j\u00e1 est\u00e1 no mapa anti-imigra\u00e7\u00e3o da Europa. Ainda que n\u00e3o seja um movimento solidificado, os casos de xenofobia v\u00eam se tornado cada vez mais frequentes, refletindo o aumento da presen\u00e7a de estrangeiros no pa\u00eds, em especial, de brasileiros.<\/h2>\n<h2><\/h2>\n<p>Os gritos de \u201cvolta para o seu pa\u00eds\u201d \u2014 como ouvido nesta semana, no Porto, quando uma portuguesa agrediu uma brasileira \u2014 viraram rotina. Tamb\u00e9m t\u00eam sido frequentes den\u00fancias de agress\u00f5es que j\u00e1 levaram brasileiros \u00e0 morte ou deixaram sequelas, como no caso de Jefferson Ten\u00f3rio (foto). Alguns desses atos de viol\u00eancia, inclusive, partiram da pr\u00f3pria pol\u00edcia, que deveria garantir a prote\u00e7\u00e3o de todos, independentemente da nacionalidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O estudo, intitulado <em>Mapping Out: Portugal on the European anti-immigrant movements map<\/em>,\u00a0faz um alerta contundente: &#8220;Ao contr\u00e1rio de uma ideia corrente, os movimentos anti-imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o inexistentes em Portugal, mas est\u00e3o adormecidos, em momento de (re) organiza\u00e7\u00e3o, e suas atividades t\u00eam se desenvolvido, sobretudo, em redes mais restritas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O avan\u00e7o da extrema-direita direita em Portugal tem estimulado o ataque a imigrantes, especialmente entre os grupos que se veem amea\u00e7ados pela abertura do pa\u00eds, que, hoje, n\u00e3o consegue sobreviver sem a m\u00e3o de obra que vem de fora. H\u00e1 setores, como o da constru\u00e7\u00e3o civil e de turismo, em que os portugueses se recusam a trabalhar, devido aos baixos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a soci\u00f3loga, embora a imigra\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha a centralidade na agenda dos partidos portugueses de direta, como acontece em outros pa\u00edses europeus, o endurecimento das pol\u00edticas migrat\u00f3rias e de acesso \u00e0 nacionalidade portuguesas \u00e9 uma demanda expl\u00edcita do partido de extrema direita, Chega. Isso, ao mesmo tempo em que o PSD, maior partido de oposi\u00e7\u00e3o ao atual governo, tamb\u00e9m tem apresentado posturas mais conservadoras sobre esse tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Discurso de \u00f3dio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Tha\u00eds, que \u00e9 filiada ao Centro de Investiga\u00e7\u00e3o e Estudos de Sociologia (CIES), do Instituto Universit\u00e1rio de Lisboa (Iscte),\u00a0 infelizmente, a a\u00e7\u00e3o dos movimento anti-imigra\u00e7\u00e3o tem tido pouca visibilidade em termos de mobiliza\u00e7\u00f5es de ruas e em cobertura midi\u00e1tica em Portugal. \u201cContudo, o crescimento dos discursos de \u00f3dio contra imigrantes, assim como o aumento de epis\u00f3dios de viol\u00eancia, mostram que, ao contr\u00e1rio do que se possa imaginar, essas mobiliza\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o inexistentes no pa\u00eds\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A professora ressalta, ainda, que a nega\u00e7\u00e3o do racismo em Portugal e a ret\u00f3rica de pa\u00eds aberto e tolerante com a diversidade cultural contribuem para a minimiza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es anti-imigra\u00e7\u00e3o como sendo casos individuais, que, portanto, n\u00e3o demandam promo\u00e7\u00e3o de medidas de preven\u00e7\u00e3o e enfrentamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, destaca a autora do estudo, \u00e9 fundamental que decisores pol\u00edticos n\u00e3o subestimem o potencial de articula\u00e7\u00e3o que tais movimentos anti-imigra\u00e7\u00e3o podem desenvolver ao longo dos pr\u00f3ximos anos. \u00c9 preciso que as autoridades ajam tempestivamente para que o problema n\u00e3o se agrave, como ocorreu em pa\u00edses com a Fran\u00e7a e a It\u00e1lia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Forma entrevistados, em Portugal, ativistas que declaram fazer parte de movimentos anti-imigra\u00e7\u00e3o. \u00c9 ficou claro o quanto eles est\u00e3o se organizando sem que haja um enfrentamento ao problema, que passa, especialmente, pela educa\u00e7\u00e3o e pelo combate \u00e0 normaliza\u00e7\u00e3o do tema. N\u00e3o h\u00e1 romantiza\u00e7\u00e3o nesse tema.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O <em>Mapping Out<\/em> ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo 29 de novembro na Universidade de Lisboa. O estudo \u201d faz parte de uma colabora\u00e7\u00e3o transnacional liderada por Kristian Berg Harpviken Peach, professor do Research Institute Oslo (Prio), na Noruega, que investiga as mobiliza\u00e7\u00f5es anti-imigra\u00e7\u00e3o em diferentes pa\u00edses da Europa \u2014 Alemanha, It\u00e1lia, Pol\u00f4nia, Reino Unido e Portugal \u2014, analisando as suas din\u00e2micas transnacionais e o seu impacto sobre as respectivas agendas nacionais e europeias da migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um amplo estudo realizado pela brasileira Tha\u00eds Fran\u00e7a, doutora em Sociologia pela Universidade de Coimbra, mostra que Portugal j\u00e1 est\u00e1 no mapa anti-imigra\u00e7\u00e3o da Europa. 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