{"id":29208,"date":"2023-11-12T10:29:59","date_gmt":"2023-11-12T13:29:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=29208"},"modified":"2023-11-13T14:18:03","modified_gmt":"2023-11-13T17:18:03","slug":"artigo-adeus-as-armas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/artigo-adeus-as-armas\/","title":{"rendered":"Artigo: Adeus \u00e0s armas"},"content":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O presidente da R\u00fassia, Vladimir Putin, anunciou que \u00e9 candidato a novo mandato no ano que vem. Mandar\u00e1 at\u00e9 2030. O presidente da Ucr\u00e2nia, Volodimyr Zelensky, n\u00e3o anunciou nada, vai ficando \u00e0 espera de sinais dos Estados Unidos. O ano termina sem maiores novidades al\u00e9m desta. A guerra chega a seu segundo ao com os mesmos atores principais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estados Unidos e R\u00fassia j\u00e1 estiveram pr\u00f3ximos e tiveram conv\u00edvio de admira\u00e7\u00e3o m\u00fatua. O come\u00e7o do s\u00e9culo XX concentrou essa rela\u00e7\u00e3o. Eram outros tempos, nestes dois lados mundo. Do lado de c\u00e1, s\u00f3 para facilitar o entendimento, deu para Henry Ford, o magnata industrial, manifestar sua admira\u00e7\u00e3o e fazer gestos: 20 mil tratores em doa\u00e7\u00e3o para a ajudar a incipiente agro sovi\u00e9tica. Ford simpatizava com id\u00e9ias que levassem mais gente ao viver digno.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lenin tinha respeito pelo norte americano, pelas ideias dele sobre economia e desenvolvimento. A Nova Economia Pol\u00edtica, NEP, era uma cartada imensa dos jovens revolucion\u00e1rios. S\u00f3 mesmo um atentado \u00e0 vida do l\u00edder poderia bagun\u00e7ar tudo. Foi o que ocorreu. Lenin duraria mais dois anos, at\u00e9 1926. A partir da\u00ed, a bagun\u00e7a revolucion\u00e1ria tomou conta. Vieram tempos de ditadura pesada e desvios na economia. E, na pol\u00edtica, houve a guerra e logo o rompimento entre o ocidente e os bolcheviques. Guerra Fria, corrida armamentista, outro mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Muita coisa aconteceu, inclusive essa guerra R\u00fassia-Ucr\u00e2nia, dois anos de muita morte, armas novas, velhas, tudo o que se podia aproveitar. Porque nem sempre foi assim. Na d\u00e9cada de 1960, quando o regime sovi\u00e9tico apresentou alguns sinais de fraqueza, os americanos e alem\u00e3es farejaram as mudan\u00e7as no ar. Sob a dire\u00e7\u00e3o de Nikita Khrushov, alguns gestos foram feitos, para dentro e fora pa\u00eds. S\u00f3 que a burocracia ainda era forte e Nikita foi derrubado. Morto, n\u00e3o foi para o Pante\u00e3o dos Her\u00f3is, ficou em cemit\u00e9rio menos, bem menos sofisticado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A burocracia bolchevique queria mais Guerra Fria. E assim foi, com a sucess\u00e3o de nomes pesados, destaque para Leonid Brezhnev. Quase duas d\u00e9cadas para os primeiros novos sinais de abertura e um novo nome no cen\u00e1rio: Mikhail Sergeivitch Gorbachov. Ele e sua Perestroika. Sacudiu o pa\u00eds na frente interna e deixou at\u00f4nitos os advers\u00e1rios europeus e nas Am\u00e9ricas. Americanos e alem\u00e3es, mais uma vez, perceberam os sinais. E investiram. Os yanques com a dupla Bush pai e filho. Os germ\u00e2nicos com Helmuth Kohl e os que lhe sucederam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Alguma ingenuidade levou sovi\u00e9ticos a ceder muito mais do que esperavam. Mundo afora houve dirigentes a passar a m\u00e3o no traseiro de Gorby. Mundo adentro, as antigas rep\u00fablicas foram atr\u00e1s do sonho da liberdade. O que estava calmo voltou a ser um rebuli\u00e7o. Farinha pouca, meu pir\u00e3o primeiro. A m\u00e1xima serviu para que as rep\u00fablicas mais fortes sa\u00edssem com alguma coisa. E estouraram os velhos contenciosos com a R\u00fassia, ainda poderosa, milenar e dona das principais riquezas. O principal era o com a Ucr\u00e2nia. At\u00e9 vir a guerra, que agora chega h\u00e1 dois anos. Chegou-se a mais de 600 dias quando escrevo. E vai continuar, dizem operadores dos dois lados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os russos de Vladimir Putin dominam a situa\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o tentam golpes de miseric\u00f3rdia. Os ucranianos de Volodimyr Zelensky tratam de resistir, agora com a concorr\u00eancia de Israel. \u00c9 uma nova guerra, cara, que drena altos recursos dos cofres aliados na Europa e Estado Unidos para os aliados mais antigos. Armas n\u00e3o d\u00e3o adeus. Kiev n\u00e3o contava com isso. E mais um inverno est\u00e1 a chegar. Dif\u00edcil para a Ucr\u00e2nia, despreparada, sem armas, sem dinheiro sobrando, com soldados em treinamento. A falta de capital deve, tamb\u00e9m, afugentar os \u201cvolunt\u00e1rios\u201d. Uma pausa para a edi\u00e7\u00e3o e publica\u00e7\u00e3o de novo trabalho. <em>R\u00fassia Condenada, o Segundo Livro<\/em>, tudo a ser preparado agora para chegar ao mercado at\u00e9 o final do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O CORREIO SABE PORQUE VIU<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estava l\u00e1. Pouco antes de viajar visitei reda\u00e7\u00f5es para vender meu trabalho. Em S\u00e3o Paulo, fui recebido pelo herdeiro de uma grande empresa. Disse-me que contasse com eles e que publicariam o que achassem interessante. Ao final, n\u00e3o se conteve e disse que a Perestroika n\u00e3o daria em nada: \u201c\u00c9 coisa para ingl\u00eas ver\u201d, decretou. Os ingleses viram, outros pelo mundo, o <b>Correio<\/b> <b>Braziliense<\/b>, este correspondente. O quatrocent\u00e3o paulista, vim a saber depois, teve que fazer reformas nas empresas. Para garantir o pr\u00f3prio emprego.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por LUIZ RECENA GRASSI &nbsp; O presidente da R\u00fassia, Vladimir Putin, anunciou que \u00e9 candidato a novo mandato no ano que vem. Mandar\u00e1 at\u00e9 2030. O presidente da Ucr\u00e2nia, Volodimyr Zelensky, n\u00e3o anunciou nada, vai ficando \u00e0 espera de sinais dos Estados Unidos. O ano termina sem maiores novidades al\u00e9m desta. 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