{"id":29215,"date":"2023-11-13T13:55:11","date_gmt":"2023-11-13T16:55:11","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=29215"},"modified":"2023-11-13T13:55:20","modified_gmt":"2023-11-13T16:55:20","slug":"a-real-de-portugal-brasileira-foi-expulsa-de-republica-porque-conheceu-namorado-no-tinder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-real-de-portugal-brasileira-foi-expulsa-de-republica-porque-conheceu-namorado-no-tinder\/","title":{"rendered":"A real de Portugal: brasileira foi expulsa de rep\u00fablica porque conheceu namorado no Tinder"},"content":{"rendered":"<h2>A jovem Lu\u00edza Gon\u00e7alves Cunha nem bem havia come\u00e7ado o curso de direito no Brasil, mas j\u00e1 tinha os olhos e a cabe\u00e7a voltados para Portugal. Era muito comum dedicar horas do dia para estudar sobre o pa\u00eds europeu, que, na vis\u00e3o dela, poderia lhe propiciar um mundo novo, cheio de oportunidades de trabalho.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela tinha em mente, desde sempre, advogar na \u00e1rea de direitos humanos, e entendia que, no Brasil, teria pouco sucesso. Na Europa, por\u00e9m, o tema sempre foi tratado com muita relev\u00e2ncia, sobretudo em terras lusitanas. N\u00e3o demorou muito para definir onde aportaria t\u00e3o logo se formasse. A cabe\u00e7a estava a mil.<\/p>\n<p>Pouco meses depois de pegar o diploma e de acumular algumas decep\u00e7\u00f5es no Brasil no mercado de trabalho, Lu\u00edza, que completar\u00e1 28 anos em dezembro, fez as malas e cruzou o Atl\u00e2ntico em busca de seus sonhos. Ao mesmo tempo em que faria um mestrado na \u00e1rea que escolheu, buscaria um emprego para refor\u00e7ar o or\u00e7amento. Afinal, as despesas passariam a ser em euros. N\u00e3o havia porque queimar rapidamente as reservas que poupou. Logo nas primeiras entrevistas, sentiu o tamanho da barreira que teria de enfrentar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato de ser mulher e brasileira jogava contra ela. N\u00e3o imaginava que um pa\u00eds integrante da Uni\u00e3o Europeia fosse t\u00e3o arraigado a preconceitos. \u201cOuvia falar, no Brasil, que os portugueses nos viam como prostitutas. Para mim, isso n\u00e3o passava de uma f\u00e1bula. Mas, t\u00e3o logo pisei em Portugal, vi que era realidade. Levei um susto\u201d, conta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lu\u00edza, por\u00e9m, n\u00e3o se deixou intimidar. Conquistado o primeiro emprego, tratou de procurar um im\u00f3vel para alugar. Mais uma vez, pesou o fato de ser mulher e brasileira. \u201cInfelizmente, minhas propostas n\u00e3o foram aceitas\u201d, diz. O jeito foi recorrer a uma rep\u00fablica. Ali, com jovens portugueses, tinha a certeza de que seria acolhida, sem preconceitos, sem xenofobia. Deu certo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Poucos meses depois, o mundo de Lu\u00edza desabou. Os colegas de rep\u00fablica, que, at\u00e9 ent\u00e3o, se mostravam acolhedores, colocaram para fora o que tinham de pior. Quando descobriram que a brasileira havia conhecido o namorado dela por meio de uma rede social, o Tinder, simplesmente decidiram expuls\u00e1-la da resid\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante da forma violenta com que foi tratada, ela foi obrigada a chamar a pol\u00edcia. \u201cFoi terr\u00edvel\u201d, afirma. Apesar do desapontamento e da raiva, a jovem, em nenhum momento, pensou em abrir m\u00e3o de seus objetivos e retornar para o Brasil. \u201cIsso n\u00e3o passou pela minha cabe\u00e7a. Tinha uma meta e os portugueses que me trataram muito mal teriam de me engolir\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lu\u00edza reconhece que o primeiro ano em Portugal foi terr\u00edvel, pois enfrentou todo tipo de xenofobia. Agora, dois anos e meio depois de pisar em territ\u00f3rio luso, tem a certeza de que fez a coisa certa. N\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 muito bem empregada como pesquisadora e gestora de eventos em duas associa\u00e7\u00f5es, como reabriu o cora\u00e7\u00e3o para as experi\u00eancias que a vida lhe tem proporcionado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cDepois de tudo o que passei, me fechei completamente. Agora, estabilizada, me abri para a vida e para as rela\u00e7\u00f5es e tenho descoberto uma nova gera\u00e7\u00e3o de portugueses que \u00e9 muito acolhedora e defensora da diversidade\u201d, ressalta a advogada. \u201cVivi as dores e, agora, saboreio as del\u00edcias de ser brasileira em Portugal\u201d, sentencia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A jovem Lu\u00edza Gon\u00e7alves Cunha nem bem havia come\u00e7ado o curso de direito no Brasil, mas j\u00e1 tinha os olhos e a cabe\u00e7a voltados para Portugal. 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