{"id":29388,"date":"2023-12-15T17:18:30","date_gmt":"2023-12-15T20:18:30","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=29388"},"modified":"2023-12-15T17:18:46","modified_gmt":"2023-12-15T20:18:46","slug":"a-real-de-portugal-brasileiras-saem-as-ruas-contra-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-real-de-portugal-brasileiras-saem-as-ruas-contra-violencia\/","title":{"rendered":"A real de Portugal: brasileiras saem \u00e0s ruas contra viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p>Entidades que representam mulheres, crian\u00e7as e jovens imigrantes fizeram, nesta sexta-feira (15\/12), uma manifesta\u00e7\u00e3o no Porto contra a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o. S\u00e3o crescentes os casos de agress\u00f5es verbais e f\u00edsicas a esses grupos, os principais alvos da xenofobia, da misoginia e do racismo em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O protesto, que contou com cerca de uma centena de pessoas, teve por objetivo alertar as autoridades portuguesas e tamb\u00e9m as brasileiras sobre os riscos que os grupos mais vulner\u00e1veis enfrentam. N\u00e3o h\u00e1, no entender de ativistas e estudiosos do tema, a\u00e7\u00f5es efetivas para conter o avan\u00e7o da viol\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da manifesta\u00e7\u00e3o realizada na Rotunda da Boavista, no Porto, a segunda maior cidade de Portugal, as entidades que d\u00e3o suporte \u00e0s v\u00edtimas de viol\u00eancia lan\u00e7aram <a href=\"https:\/\/www.peticao.online\/manifesto_educar_para_um_outro_amanha_ja\">um manifesto na internet para colher assinaturas com o intuito de cobrar os poderes constitu\u00eddos para que fa\u00e7am a sua parte e evitem futuros ataques.<\/a> Tamb\u00e9m foram encaminhadas cartas aos tr\u00eas consulados do Brasil em Portugal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crimes est\u00e3o disseminados<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de as mulheres, as crian\u00e7as e os jovens brasileiros estarem no centro das preocupa\u00e7\u00f5es, a antrop\u00f3loga e ativista Rita C\u00e1ssia Silva afirma que os protestos tamb\u00e9m visam a prote\u00e7\u00e3o aos cidad\u00e3os de Portugal e de outras nacionalidades que vivem no pa\u00eds. Infelizmente, as pragas do feminic\u00eddio e da viol\u00eancia n\u00e3o escolhem a origem das v\u00edtimas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;A viol\u00eancia est\u00e1 disseminada&#8221;, assinala Rita. Para ela, o primeiro passo para p\u00f4r fim aos ataques de xenofobia, misoginia e racismo passa pela educa\u00e7\u00e3o. Por isso, o mote do manifesto: &#8220;Educar para um outro amanh\u00e3, j\u00e1!&#8221;. Segundo ela, a sequ\u00eancia dos recentes ataques desferidos a mulheres, jovens e crian\u00e7as brasileiras e africanas em diferentes setores da sociedade portuguesa n\u00e3o s\u00e3o atos isolados. &#8220;Tratam-se\u00a0de <a href=\"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-real-de-portugal-preto-brasileiro-de-merda-macaco-diz-policial-torturador\/\">consequ\u00eancias de uma estrutura de pensamento colonial<\/a> que n\u00e3o pode ser legitimado&#8221;, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o da antrop\u00f3loga, o sil\u00eancio diante de situa\u00e7\u00f5es estruturais que perpetuam diferentes tipos de viol\u00eancias discriminat\u00f3rias s\u00f3 potencializa o medo, a inseguran\u00e7a social, as doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas, a falta de educa\u00e7\u00e3o e o \u00f3dio entre as pessoas. &#8220;\u00c9 fundamental, num momento como este, de reestrutura\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em Portugal, da volta democr\u00e1tica no Brasil e de conturba\u00e7\u00f5es pol\u00edticas em pa\u00edses que integram a CPLP (Comunidade dos Pa\u00edses de L\u00edngua Portuguesa), que possamos nos sensibilizar&#8221;, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Portugal ter\u00e1 elei\u00e7\u00f5es gerais em mar\u00e7o do pr\u00f3ximo ano e <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/mundo\/2023\/11\/6651729-extrema-direita-ganha-forca-em-portugal-com-a-queda-de-primeiro-ministro.html\">h\u00e1 chances de um forte crescimento do partido de extrema-direita, o Chega<\/a>. A legenda defende, de forma exacerbada, a discrimina\u00e7\u00e3o contra imigrantes, o racismo e a misoginia. Estudos apresentados recentemente pela professora Tha\u00eds Fran\u00e7a apontam que Portugal entrou no movimento anti-imigra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Qual o sentido de fam\u00edlias com a vida inteira organizada terem de fugir de Portugal com medo que lhes retirem os filhos? Qual o sentido de mulheres v\u00edtimas de viol\u00eancia dom\u00e9stica passarem, aos olhos de quem as julga, a ser as agressoras? Qual o sentido de pessoas serem xingadas na rua simplesmente por causa dos seus sotaques? Qual o sentido de pessoas negras serem maltratadas por causa da cor da pele?&#8221;, indaga Rita, que tem se aprofundado no estudo sobre viol\u00eancia contra imigrantes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Intoler\u00e2ncia toma conta<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo Evon\u00eas Santos, fundadora do Comit\u00ea Popular de Mulheres em Portugal, tanto a manifesta\u00e7\u00e3o desta sexta-feira no Porto quanto a peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica t\u00eam por objetivo\u00a0chamar aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de se refletir, interagir e agir. &#8220;Na riqueza da diversidade, a intoler\u00e2ncia vem prevalecendo e a arrog\u00e2ncia substituindo as regras de boa conviv\u00eancia&#8221;, diz<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entender dela, \u00e9 urgente a tomada de um posicionamento para travar o processo de naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia, principalmente, daquela contra a diversidade de g\u00eanero. &#8220;Tem se tornado frequente a exposi\u00e7\u00e3o de epis\u00f3dios de viol\u00eancia contra mulheres e crian\u00e7as. N\u00e3o podemos aceitar, n\u00e3o podemos ser indiferentes \u00e0s in\u00fameras atitudes racistas, xen\u00f3fobas, classistas e mis\u00f3ginas&#8221;, enfatiza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Evon\u00eas ressalta que as <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2022\/08\/5029287-mulheres-brasileiras-sao-as-maiores-vitimas-de-crimes-de-odio-em-portugal.html\">mulheres brasileiras lideram a lista de v\u00edtimas do crime de \u00f3dio em Portugal<\/a>. H\u00e1, incrustada em parte da sociedade de Portugal, a vis\u00e3o de que as brasileiras s\u00e3o putas e querem roubar os maridos das portuguesas. &#8220;Temos de frisar que, dentro da comunidade migrante, as mulheres brasileiras representam a maioria. Desse modo, s\u00e3o as que mais sofrem&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a ativista, \u00e9 de extrema import\u00e2ncia uma\u00a0interven\u00e7\u00e3o educativa e muitas a\u00e7\u00f5es de boas pr\u00e1ticas para combater o preconceito, a intoler\u00e2ncia, o \u00f3dio. &#8220;A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o meio mais curto para se alcan\u00e7ar o bom entendimento e a evolu\u00e7\u00e3o da sociedade moderna. N\u00e3o podemos dizer que estamos evoluindo tendo de tolerar quase todos os dias viol\u00eancias contra mulheres e crian\u00e7as&#8221;, diz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entidades que representam mulheres, crian\u00e7as e jovens imigrantes fizeram, nesta sexta-feira (15\/12), uma manifesta\u00e7\u00e3o no Porto contra a viol\u00eancia e a discrimina\u00e7\u00e3o. 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