{"id":29391,"date":"2023-12-17T14:28:27","date_gmt":"2023-12-17T17:28:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=29391"},"modified":"2023-12-18T07:58:54","modified_gmt":"2023-12-18T10:58:54","slug":"a-real-de-portugal-brasileira-mae-solo-sofre-para-obter-atendimento-ao-filho-autista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-real-de-portugal-brasileira-mae-solo-sofre-para-obter-atendimento-ao-filho-autista\/","title":{"rendered":"A real de Portugal: brasileira, m\u00e3e solo, sofre para obter atendimento ao filho autista"},"content":{"rendered":"<h2>A brasileira Let\u00edcia Gurgel est\u00e1 h\u00e1 quatro dias sem praticamente dormir. O filho autista, de 15 anos, entrou em severa crise e ela n\u00e3o consegue um atendimento adequado para o garoto, apesar de todos os laudos comprovarem a gravidade do caso dele.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sentindo-se humilhada e desamparada, Let\u00edcia tem sido jogada de um hospital para outro, lidando com urg\u00eancias fechadas, m\u00e9dicos despreparados, descaso das autoridades e, algumas vezes, at\u00e9 xenofobia, por ser imigrante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O autismo do filho da brasileira \u00e9 de um grau t\u00e3o elevado, que, quando ele entra em surto, fica extremamente agressivo. Tanto que ele j\u00e1 bateu nela com for\u00e7a, a ponto de o companheiro dela, um portugu\u00eas, ter de lev\u00e1-la ao hospital.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na quarta-feira (13\/12), o jovem entrou em crise. A m\u00e3e tentou acalm\u00e1-lo com um medicamento usado em caso de emerg\u00eancia. No entanto, o rem\u00e9dio n\u00e3o surtiu efeito. Let\u00edcia acabou recorrendo a mais duas doses, mas sem sucesso.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Um dia se passou, e nada de o menino dormir. Exausta, ela e o companheiro recorreram, ent\u00e3o, a mais tr\u00eas doses do medicamento, que n\u00e3o surtiram efeito. Agitad\u00edssimo, o garoto continuava andando o tempo todo pela casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Veio o terceiro dia de surto, e, sem dormir, a brasileira deu mais cinco doses, espa\u00e7adas, do rem\u00e9dio. Apesar de toda a medica\u00e7\u00e3o, nada continha o filho. Na noite anterior, por sinal, ele mudou todos os m\u00f3veis da casa de lugar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Brasileira sofre para conseguir atendimento m\u00e9dico para o filho autista\" frameborder=\"0\" width=\"562\" height=\"1000\" src=\"https:\/\/geo.dailymotion.com\/player.html?video=x8qnnzt&#038;\" allowfullscreen allow=\"autoplay; fullscreen; picture-in-picture; web-share\"><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em busca de ajuda veio a decep\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem ter mais o que fazer, e com a emerg\u00eancia do hospital mais perto, em Barreiro, fechada, Let\u00edcia ligou para o Instituto Nacional de Emerg\u00eancia M\u00e9dica (Inem), o Samu de Portugal. O atendente, passou a liga\u00e7\u00e3o para uma m\u00e9dica, que, depois de ouvir todo o relato, disse que mandaria os bombeiros at\u00e9 a casa de Let\u00edcia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A brasileira argumentou que o caso era muito s\u00e9rio, pois o filho estava em crise havia tr\u00eas dias, e que os bombeiros n\u00e3o saberiam como atend\u00ea-lo. O melhor, segundo ela, era que o menino fosse levado para o Hospital Dona Estef\u00e2nia, onde h\u00e1 pedopsiquiatras, profissionais especializados em autismo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Let\u00edcia foi completamente ignorada. Meia hora depois, al\u00e9m da ambul\u00e2ncia dos bombeiros, um carro de pol\u00edcia, com tr\u00eas agentes, chegou \u00e0 casa dela, que fica na Moita, a cerca de 16 quil\u00f4metros de Lisboa. Os policiais queriam se certificar de que n\u00e3o tinha havido viol\u00eancia contra o garoto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais uma vez, a brasileira implorou que para o filho fosse encaminhado para o Dona Estef\u00e2nia, o melhor local para atend\u00ea-lo. Os bombeiros, contudo, bateram o p\u00e9 e levaram o adolescente para o hospital de Set\u00fabal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Pedi, ent\u00e3o, que eu e meu companheiro, que est\u00e1vamos sem dormir havia tr\u00eas dias, f\u00f4ssemos juntos na ambul\u00e2ncia, at\u00e9 para ajudarmos em caso de um novo surto, mas s\u00f3 permitiram que uma pessoa acompanhasse meu filho. Meu companheiro teve de ir dirigindo por mais de meia hora, mesmo destru\u00eddo&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como j\u00e1 alertado por Let\u00edcia, ao chegar ao hospital, que estava vazio, uma pediatra disse que, pela apar\u00eancia do menino, que j\u00e1 tinha tomado cinco doses de calmante em um \u00fanico dia, n\u00e3o via nenhum sinal de crise grave.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Expliquei tudo o que havia se passado, mas n\u00e3o adiantou nada. A pediatra s\u00f3 me disse que sabia o que estava fazendo e que n\u00e3o prejudicaria a carreira dela&#8221;, relata. A m\u00e9dica, ent\u00e3o, decidiu dar mais uma dose de calmante ao garoto \u2014 a sexta daquele dia e a d\u00e9cima-segunda em tr\u00eas dias \u2014 e coloc\u00e1-lo em uma maca para ver se ele adormecia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, em vez de encaminhar o menino para uma sala de atendimento, o deixou deitado em uma maca, num corredor, perto da porta do banheiro. Let\u00edcia argumentou que aquilo era um absurdo, uma vez que o hospital estava vazio, mas foi ignorada novamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O m\u00e1ximo que o hospital fez foi ceder para a brasileira uma cadeira, para que ela pudesse ficar ao lado da maca do filho. Depois de algumas horas, o adolescente foi mandado para casa e n\u00e3o para o Dona Estef\u00e2nia, onde espera por um atendimento desde mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Enfim, estou com meu filho em casa. Esta noite foi um pouco melhor, ele conseguiu dormir por umas quatro horas, mas estamos devastados. Tudo no quarto dele est\u00e1 trancado, assim como todas as facas e tesouras de casa, para evitar o pior&#8221;, relata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Atestado exigiu den\u00fancia contra descaso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Let\u00edcia, que \u00e9 design de interiores e est\u00e1 h\u00e1 cinco anos em Portugal, relata todo o sofrimento para lidar com a doen\u00e7a grav\u00edssima do filho, que n\u00e3o consegue falar. Ela conta que ele s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 sem estudar, porque conseguiu uma escola para alunos especiais, em que os professores e demais profissionais s\u00e3o preparados para lidar com emerg\u00eancias, inclusive, isolar os estudantes em caso de surto, em seguran\u00e7a, at\u00e9 a chegada do Inem.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela ressalta ainda que, mesmo estando h\u00e1 tanto tempo em Portugal, foi somente h\u00e1 seis meses que conseguiu um atestado multiusos, que garante atendimento preferencial para o garoto. Mesmo assim, porque denunciou a demora para o obter o documento \u00e0 Secretaria de Sa\u00fade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para conseguir esse atestado, o filho de Let\u00edcia teve de passar por um per\u00edcia m\u00e9dica. Foi comprovado que ele tem 80% de comprometimento por causa da doen\u00e7a \u2014 o m\u00ednimo exigido, \u00e9 de 60%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;Meu filho \u00e9 dependente total at\u00e9 para atravessar a rua&#8221;, frisa a brasileira. &#8220;Fiquei um ano e meio esperando por esse documento. Durante todo esse per\u00edodo, tive que bancar tudo&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O companheiro de Let\u00edcia n\u00e3o \u00e9 pai do garoto, mas ajuda no que pode. &#8220;Uma m\u00e3e solo precisa de uma condi\u00e7\u00e3o mental muito boa para criar um filho com defici\u00eancia, por\u00e9m, \u00e9 preciso ter o dobro dessa for\u00e7a para poder brigar com o Estado&#8221;, afirma ela.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A brasileira Let\u00edcia Gurgel est\u00e1 h\u00e1 quatro dias sem praticamente dormir. 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