{"id":29614,"date":"2024-01-17T16:43:31","date_gmt":"2024-01-17T19:43:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=29614"},"modified":"2024-01-17T20:29:57","modified_gmt":"2024-01-17T23:29:57","slug":"a-real-de-portugal-na-hora-do-sufoco-sao-os-portugueses-que-estendem-as-maos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a-real-de-portugal-na-hora-do-sufoco-sao-os-portugueses-que-estendem-as-maos\/","title":{"rendered":"A real de Portugal: na hora do sufoco, s\u00e3o os portugueses que estendem as m\u00e3os"},"content":{"rendered":"<h2>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a xenofobia aumentou em Portugal nos \u00faltimos tempos, muito em fun\u00e7\u00e3o da campanha maci\u00e7a que o Chega, o partido de extrema-direita, tem feito contra a presen\u00e7a de imigrantes no pa\u00eds.<\/h2>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a verdade \u00e9 que os portugueses, em maioria, t\u00eam se mostrado bastante solid\u00e1rios com os brasileiros em dificuldades. S\u00e3o eles que, na hora do sufoco, estendem as m\u00e3os, enquanto os conterr\u00e2neos fogem ou se fazem de mortos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O mineiro Arlindo Pereira, 53 anos, perdeu quase tudo o que tinha durante a pandemia da covid. A empresa de transportes que garantia uma boa vida a toda a fam\u00edlia dele quebrou e as d\u00edvidas se acumularam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar dos muitos amigos brasileiros que o rodeavam, foi um ex-funcion\u00e1rio dele, um portugu\u00eas, que, quando soube das dificuldades que Arlindo estava passando, lhe ofereceu um emprego de motorista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pouco mais de um ano depois, o mineiro, que cresceu no Rio de Janeiro, \u00e9 s\u00f3 gratid\u00e3o. &#8220;Hoje, estou com todas as minhas contas em dia, consegui alugar um bom im\u00f3vel e tenho um trabalho digno, gra\u00e7as a esse portugu\u00eas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Na sa\u00fade e na doen\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A produtora de eventos, palestrante e ativista Ad\u00e9lia Pauferro, 44, sempre faz quest\u00e3o de ressaltar o quanto os seus vizinhos portugueses foram fundamentais num dos per\u00edodos mais dif\u00edceis da vida dela.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A baiana havia sido roubada pelo s\u00f3cio \u2014 um brasileiro \u2014 da empresa que ela tanto havia se esfor\u00e7ado para abrir. Com d\u00edvidas, ela descobriu um c\u00e2ncer, teve de operar, foi desenganada pelos m\u00e9dicos, mas sobreviveu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em todo o per\u00edodo em que esteve no hospital, os vizinhos portugueses pagaram as despesas da casa dela, inclusive, o aluguel. No dia em que ela deixou o hospital, eles fizeram uma bela compra para receb\u00ea-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ad\u00e9lia conta que tamb\u00e9m os m\u00e9dicos que a atenderam no per\u00edodo em que ela passou no hospital \u2014 todos portugueses \u2014 foram extremamente atenciosos e n\u00e3o economizaram esfor\u00e7os para que ela se recuperasse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Um mar de decep\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O carioca Jo\u00e3o Pedro Rodrigues, 37, tamb\u00e9m \u00e9 gratid\u00e3o aos amigos portugueses que fez nos dois anos em que mora em Portugal. Quando desembarcou no pa\u00eds, ele estava certo de que os amigos brasileiros que o haviam incentivado a cruzar o Atl\u00e2ntico o ajudariam caso precisasse.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas a decep\u00e7\u00e3o foi grande. Rodrigues demorou meses para arrumar um emprego, devido \u00e0 dificuldade para obter a autoriza\u00e7\u00e3o de resid\u00eancia em Portugal. Assim que o dinheiro que ele havia juntado para se mudar acabou, n\u00e3o teve mais como pagar o aluguel do quarto na casa dos amigos brasileiros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em quest\u00e3o de dias, foi despejado. Um portugu\u00eas que tinha um quarto vazio em casa disse que o carioca poderia ficar ali e, assim que arrumasse um trabalho, ajudaria nas despesas. &#8220;Foram mais de quatro meses no sufoco, mas o portugu\u00eas foi muito generoso&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hoje, Rodrigues mal fala com os brasileiros nos quais ele havia depositado uma enorme confian\u00e7a. Praticamente, s\u00f3 responde algumas mensagens que recebe deles. Os amigos de verdade, assegura, s\u00e3o os portugueses que ele conheceu quando tudo parecia perdido um mar de decep\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que a xenofobia aumentou em Portugal nos \u00faltimos tempos, muito em fun\u00e7\u00e3o da campanha maci\u00e7a que o Chega, o partido de extrema-direita, tem feito contra a presen\u00e7a de imigrantes no pa\u00eds. &nbsp; Mas a verdade \u00e9 que os portugueses, em maioria, t\u00eam se mostrado bastante solid\u00e1rios com os brasileiros em dificuldades. 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