{"id":29953,"date":"2024-02-27T15:20:05","date_gmt":"2024-02-27T18:20:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=29953"},"modified":"2024-02-27T16:58:53","modified_gmt":"2024-02-27T19:58:53","slug":"perdoo-a-agressora-mas-quero-justica-diz-mae-de-brasileira-vitima-de-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/perdoo-a-agressora-mas-quero-justica-diz-mae-de-brasileira-vitima-de-violencia\/","title":{"rendered":"&#8220;Perdoo a agressora, mas quero justi\u00e7a&#8221;, diz m\u00e3e de brasileira v\u00edtima de viol\u00eancia"},"content":{"rendered":"<h2><em>A auxiliar de cozinha Maria Luc\u00e9lia Oliveira, 38 anos, diz ter perdoado a menina, portuguesa, que agrediu a filha dela na porta de uma escola, em Santar\u00e9m, regi\u00e3o central de Portugal. A viol\u00eancia contra a brasileira de 14 anos foi tamanha, que provocou uma como\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. \u201cTanto a m\u00e3e da menina quanto ela pr\u00f3pria me pediram perd\u00e3o. E eu perdoei. Mas \u00e9 importante que haja justi\u00e7a, pois n\u00e3o h\u00e1 nada que justifique tamanha viol\u00eancia. Eu poderia estar enterrando a minha filha\u201d, diz, com a voz embargada.<\/em><\/h2>\n<p><em>Luc\u00e9lia conta que, desde que viu as imagens da agress\u00e3o da filha em uma tev\u00ea, no trabalho dela, n\u00e3o consegue dormir. \u201cEstou em choque. E tamb\u00e9m revoltada, porque havia v\u00e1rias pessoas vendo aquela viol\u00eancia toda e ningu\u00e9m fez nada. Ningu\u00e9m socorreu a minha filha, a \u00fanica preocupa\u00e7\u00e3o de todos era a de filmar aquele horror\u201d, afirma. Ela conta que, quando a filha chegou em casa, no dia da agress\u00e3o, n\u00e3o teve a dimens\u00e3o do que havia ocorrido. \u201cEla chorava e dizia que queria voltar para o Brasil. S\u00f3 entendi tudo quando vi os v\u00eddeos. Foi terr\u00edvel\u201d, acrescenta.<\/em><\/p>\n<p><em>A brasileira, cearense de Fortaleza, est\u00e1 em Portugal h\u00e1 quase cinco anos, assinala que escolheu esse pa\u00eds para viver, por acreditar que era seguro e cheio de oportunidades para garantir um futuro melhor aos dois filhos \u2014 ela ainda tem um menino de 10 anos. \u201cMas, independentemente do que aconteceu, n\u00e3o quero voltar para o Brasil. Portugal me acolheu e acredito que meu lugar \u00e9 nesse pa\u00eds\u201d, destaca. O marido dela vive na Fran\u00e7a, onde trabalha na constru\u00e7\u00e3o civil, e tamb\u00e9m est\u00e1 preocupad\u00edssimo. \u201cN\u00e3o tenho nenhum parente em Portugal, somos eu e meus dois filhos, para os quais fa\u00e7o tudo o que posso.\u201d<\/em><\/p>\n<p><em>Luc\u00e9lia ressalta que a filha agredida est\u00e1 mais tranquila. Conta que, quando foi fazer uma queixa na delegacia, pais de outros alunos j\u00e1 haviam denunciado o caso \u00e0 pol\u00edcia, que abriu um inqu\u00e9rito. Para ela, \u00e9 preciso refor\u00e7ar o policiamento na porta dos col\u00e9gios \u2014 nesta ter\u00e7a-feira (27\/02), havia agentes na porta da escola onde ocorreu a viol\u00eancia \u2014 e, sobretudo, que haja mais di\u00e1logo dentro das institui\u00e7\u00f5es de ensino para conscientizar os estudantes sobre a import\u00e2ncia de uma boa conviv\u00eancia. A seguir, os principais trechos da entrevista concedida ao <strong>Blog<\/strong>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a senhora soube da viol\u00eancia contra a sua filha, na porta da escola que ela estuda?<\/strong><\/p>\n<p>Soube pela televis\u00e3o. Estava no trabalho, quando vi aquelas imagens t\u00e3o chocantes. Fiquei realmente revoltada com tanta viol\u00eancia. Nada justifica a agress\u00e3o que a minha filha sofreu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A sua filha n\u00e3o lhe contou nada quando chegou em casa depois de ser agredida?<\/strong><\/p>\n<p>Ela chegou chorando, reclamando do que havia acontecido na porta da escola, dizendo que queria voltar para o Brasil, que queria ir com o pai dela, que mora da Fran\u00e7a. Mas n\u00e3o imaginei que a viol\u00eancia contra ela tinha sido t\u00e3o grande. S\u00f3 tomei ci\u00eancia da propor\u00e7\u00e3o quando via as imagens na televis\u00e3o e quando os v\u00eddeos se disseminaram pelas redes sociais. Foi terr\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como a senhora est\u00e1 se sentindo?<\/strong><\/p>\n<p>Olha, o que mais me revolta foi ver que ningu\u00e9m socorreu a minha filha no meio da agress\u00e3o, ela jogada no ch\u00e3o, imobilizada, levando tapas, socos no rosto. As pessoas assistiam a tudo aquilo e s\u00f3 estavam preocupadas em filmar. Isso realmente \u00e9 revoltante. Minha filha \u00e9 uma menina calma, uma crian\u00e7a, tem apenas 14 anos. O que ela passou deixa qualquer m\u00e3e horrorizada, com muito medo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora sabe de algum motivo que poderia ter detonado desaven\u00e7as entre a sua filha e a agressora?<\/strong><\/p>\n<p>Pelo que sei, o motivo da agress\u00e3o foi fofoca, boato, coisa de menina na escola. H\u00e1 v\u00e1rias colegas da minha filha que frequentam a minha casa, vem para c\u00e1, ficam de conversinha. Mas nada justifica tamanha viol\u00eancia. Uma garota sair de outro col\u00e9gio para tomar satisfa\u00e7\u00e3o com a minha filha e j\u00e1 partir para a agress\u00e3o \u00e9 inadmiss\u00edvel. Ela agrediu feio. Isso n\u00e3o pode acontecer mais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A escola poderia ter evitado essa viol\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Sei que, nas escolas de Portugal, a pol\u00edtica \u00e9 deixar as crian\u00e7as resolverem seus conflitos. Eles dizem isso nas reuni\u00f5es com os pais. Al\u00e9m da minha filha, tenho um menino de 10 anos, e converso todo dia com ele, digo para n\u00e3o bater em ningu\u00e9m, n\u00e3o brigar. A gente conversa aqui em casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em algum momento, a senhora percebeu algo que n\u00e3o estava sob seu controle?<\/strong><\/p>\n<p>Se eu soubesse que algo errado estava acontecendo e que a coisa ia acabar desse jeito, certamente, teria evitado. A minha filha \u00e9 muito nova para resolver tudo sozinha. As m\u00e3es est\u00e3o a\u00ed para ajudar seus filhos. Sou muito presente, at\u00e9 porque somos s\u00f3 n\u00f3s tr\u00eas, eu, ela e meu outro filho. Meu marido trabalha da Fran\u00e7a, na constru\u00e7\u00e3o civil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ser imigrante complica ainda mais as coisas, certo?<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza. Estou muito assustada, como m\u00e3e, como imigrante. N\u00e3o sai da minha cabe\u00e7a que tudo poderia ter sido muito pior. Poderia estar enterrando a minha filha, que saiu de casa para ir para a escola, um local que deveria garantir a seguran\u00e7a de todos os alunos. Estou me sentido incapaz de proteger a minha filha. N\u00e3o estava presente naquele momento que ela tanto precisou de mim. As pessoas que passavam por perto no momento da agress\u00e3o n\u00e3o fizeram nada, ningu\u00e9m fez nada para socorr\u00ea-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quanto tempo a senhora est\u00e1 morando em Portugal?<\/strong><\/p>\n<p>Vai fazer cinco anos. Eu me mudei para Portugal com meus filhos porque sempre acreditei que era um lugar seguro, tranquilo para se viver. Mor\u00e1vamos em Fortaleza, onde a viol\u00eancia \u00e9 muito grande. Meu sonho sempre foi dar uma vida melhor para meus filhos, uma educa\u00e7\u00e3o melhor, que garanta um futuro melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora tem uma rotina pesada.<\/strong><\/p>\n<p>Eu fa\u00e7o tudo pelos meus filhos. Cuido da casa, levo os dois para a escola e para as atividades de esporte e trabalho. Sou sozinha para cuidar de tudo. Por isso, fiquei t\u00e3o assustada com o que aconteceu com a minha filha. Como posso trabalhar tranquila a partir de agora?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 a sua filha?<\/strong><\/p>\n<p>Est\u00e1 em casa, se recuperando. Est\u00e1 mais tranquila diante de tudo o que aconteceu. Estou cuidando dela como posso. E temos recebido apoio do pessoal do Comit\u00ea dos Imigrantes, da S\u00f4nia Gomes. Como n\u00e3o tenho fam\u00edlia, nenhum parente em Portugal, ela tem me dado todo o suporte. O Comit\u00ea, por sinal, est\u00e1 com uma peti\u00e7\u00e3o p\u00fablica cobrando mais policiamento nas escolas. Isso \u00e9 fundamental, assim como proibir que as crian\u00e7as usem celular nas salas de aula. Hoje, por sinal, h\u00e1 policiais na porta do col\u00e9gio onde minha filha foi agredida.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Algu\u00e9m da escola lhe procurou?<\/strong><\/p>\n<p>Sim, a diretora me procurou no mesmo dia em que ocorreu a viol\u00eancia contra a minha filha. Houve uma reuni\u00e3o l\u00e1. Tamb\u00e9m fui chamada pela pol\u00edcia. Fiz uma queixa formal, mas outros pais j\u00e1 haviam denunciado a agress\u00e3o. Agora, est\u00e1 nas m\u00e3os da Justi\u00e7a. O certo \u00e9 que nenhuma m\u00e3e merece passar o que estou passando, de ter uma filha agredida de forma t\u00e3o violenta. Sei que h\u00e1 muitos casos como esse acontecendo, que s\u00e3o abafados. Agora, foi a minha filha, amanh\u00e3, pode ser outra crian\u00e7a. Mas a minha filha n\u00e3o \u00e9 qualquer uma. Vou cobrar uma puni\u00e7\u00e3o exemplar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora j\u00e1 esteve com a m\u00e3e da agressora?<\/strong><\/p>\n<p>A m\u00e3e da agressora n\u00e3o tem culpa pelo que aconteceu. Conversamos muito. Ela, que \u00e9 uma pessoa simples, me pediu desculpas, a filha dela me pediu perd\u00e3o. Eu tamb\u00e9m pedi perd\u00e3o por algo de errado que a minha filha possa ter feito. Mas, de novo, nada justifica aquela viol\u00eancia. M\u00e3es n\u00e3o t\u00eam culpa quando os filhos fazem algo errado. Mas elas t\u00eam de conversar com eles, entender o que est\u00e1 acontecendo, pois muitos meninos e meninas precisam de ajuda. Se formos resolver nossos problemas \u00e0 base de viol\u00eancia, o mundo estar\u00e1 perdido. Vai ser uma matan\u00e7a geral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A senhora pensa em voltar para o Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>Apesar de estar horrorizada com tudo o que ocorreu, em nenhum momento pensei em deixar Portugal e voltar para o Brasil. Escolhi viver em Portugal, ter uma vida melhor com os meus filhos. Esse pa\u00eds me acolheu e tem dado oportunidades para mim e para meus filhos. N\u00e3o ser\u00e1 por conta desse ato de viol\u00eancia que vamos lagar tudo para tr\u00e1s. Agora, \u00e9 importante que as leis sejam mais r\u00edgidas para proteger os mais vulner\u00e1veis. Al\u00e9m disso, as escolas precisam de mais seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como v\u00ea a situa\u00e7\u00e3o nas escolas portuguesas?<\/strong><\/p>\n<p>Infelizmente, falta di\u00e1logo dentro das escolas. N\u00e3o h\u00e1 palestras sobre a import\u00e2ncia do combate \u00e0 viol\u00eancia, sobre a import\u00e2ncia do respeito, do conv\u00edvio pac\u00edfico. As m\u00e3es precisam ter a seguran\u00e7a de que seus filhos est\u00e3o protegidos nas escolas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Algu\u00e9m do consulado do Brasil procurou a senhora para oferecer algum tipo de apoio?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Ningu\u00e9m me procurou. O apoio s\u00f3 veio por meio do Comit\u00ea de Imigrantes, da S\u00f4nia e da Juliete. Est\u00e1 todo mundo preocupado e, claro, revoltado com o que aconteceu. Podia ter sido pior. A viol\u00eancia gera viol\u00eancia. Eu n\u00e3o desejo isso para ningu\u00e9m. Nenhuma m\u00e3e quer o mal de um filho. Eu n\u00e3o julgo a m\u00e3e da agressora. Eu j\u00e1 perdoei as duas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A auxiliar de cozinha Maria Luc\u00e9lia Oliveira, 38 anos, diz ter perdoado a menina, portuguesa, que agrediu a filha dela na porta de uma escola, em Santar\u00e9m, regi\u00e3o central de Portugal. A viol\u00eancia contra a brasileira de 14 anos foi tamanha, que provocou uma como\u00e7\u00e3o no pa\u00eds. \u201cTanto a m\u00e3e da menina quanto ela pr\u00f3pria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":29954,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[600],"tags":[7360,2536,7376,378,6253,3251,1078,4181,7375,746,6600,3708,7373,2205,7214,1529,7374,2498,4835,6398,7371,4543,7372,33],"class_list":["post-29953","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-economia","tag-14-anos","tag-agressao","tag-ajudante-de-cozinha","tag-brasil","tag-brasileira","tag-ceara","tag-denuncia","tag-escola","tag-fofoca","tag-fortaleza","tag-franca","tag-inquerito","tag-lucelia","tag-mae","tag-menina","tag-pai","tag-perdao","tag-policia","tag-portugal","tag-portuguesa","tag-santarem","tag-teve","tag-videos","tag-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29953","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29953"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29953\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29958,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29953\/revisions\/29958"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29954"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29953"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29953"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29953"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}