{"id":31,"date":"2015-01-28T00:01:00","date_gmt":"2015-01-28T02:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/mais_do_mesmo\/"},"modified":"2015-01-28T00:01:00","modified_gmt":"2015-01-28T02:01:00","slug":"mais_do_mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/mais_do_mesmo\/","title":{"rendered":"MAIS DO MESMO"},"content":{"rendered":"\n<p>A presidente Dilma Rousseff rompeu um sil\u00eancio de quase 30 dias para dizer mais do mesmo. Esperava-se que, ao dar as caras na primeira reuni\u00e3o ministerial do segundo mandato, a chefe do Executivo assumisse a gravidade da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Muito pelo contr\u00e1rio. Tra\u00e7ou um quadro r\u00f3seo da economia e jogou a culpa de todos os problemas para a crise internacional. Mudan\u00e7a de verdade s\u00f3 na silhueta presidencial, bem mais fina, depois de uma rigorosa dieta. <\/p>\n<p>A expectativa de empres\u00e1rios e investidores em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fala de Dilma foi murchando ao longo do discurso. S\u00f3 n\u00e3o se instalou a decep\u00e7\u00e3o entre eles, porque muitos tentam se apegar \u00e0s promessas do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, de que o prometido ajuste fiscal ser\u00e1 feito sem os truques que prevaleceram at\u00e9 dezembro \u00faltimo. O problema maior, dizem os donos do dinheiro, \u00e9 o sentimento de nega\u00e7\u00e3o de Dilma, como se afirmasse: vamos mudar para continuar igual. <\/p>\n<p>A presidente insiste que, \u201cem nenhum momento\u201d, o governo descuidou do controle da infla\u00e7\u00e3o, mesmo com a carestia caminhando para 7%. Afirma que est\u00e1 tomando \u201ctodas as medidas cab\u00edveis para garantir o suprimento de energia el\u00e9trica\u201d, quando est\u00e1 claro que o pa\u00eds fincou um p\u00e9 no racionamento, devido aos erros e \u00e0 inefici\u00eancia do Planalto para garantir o populismo tarif\u00e1rio. <\/p>\n<p>Havia uma grande expectativa de que Dilma fosse mais dura na defesa das medidas de ajuste fiscal anunciadas por Levy. N\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m o crescente movimento dentro do governo e do PT, o partido da presidente, contra a tentativa de arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Os ru\u00eddos criados pelos que detonam o ministro da Fazenda amplificaram no mercado o temor de que, em algum momento, Dilma ceder\u00e1 \u00e0s press\u00f5es e retomar\u00e1 a pol\u00edtica vigente no primeiro mandato, de gastan\u00e7a desenfreada. <\/p>\n<p>Assessores da presidente recusam, por\u00e9m, o ceticismo de empres\u00e1rios e investidores. Alegam que Dilma assumiu, claramente, de que lado est\u00e1: o do equil\u00edbrio das finan\u00e7as p\u00fablicas. \u201cN\u00e3o tem volta\u201d, afirma um dos auxiliares da petista. \u201cA presidente foi sincera quando disse que as mudan\u00e7as que o pa\u00eds espera dependem muito da estabilidade e da credibilidade da economia\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p>Para os defensores de Dilma, seria um erro pol\u00edtico colossal se ela assumisse, claramente, que est\u00e1 corrigindo todos os equ\u00edvocos que cometeu nos \u00faltimos quatro anos. \u201cIsso n\u00e3o acontecer\u00e1. O reconhecimento de que a pol\u00edtica econ\u00f4mica do primeiro mandato n\u00e3o deu certo vir\u00e1 do apoio \u00e0s medidas propostas por Levy. O PT ter\u00e1 que entender isso, cedo ou tarde\u201d, frisa um dos secret\u00e1rios executivos mais influentes da Esplanada dos Minist\u00e9rios. \u201cDilma amadureceu\u201d, emenda. <\/p>\n<p>Ele ressalta que, para os petistas, a presidente insistir\u00e1 na ladainha de que, a despeito do ajuste fiscal, \u201ctodos os direitos trabalhistas ser\u00e3o mantidos\u201d. Vai repetir isso o quanto for necess\u00e1rio para rebater os que a acusam de ter rasgado os compromissos do PT com a classe trabalhadora. Ao grande p\u00fablico, a ordem \u00e9 continuar atribuindo as dificuldades da economia \u00e0 crise internacional e a S\u00e3o Pedro para tentar afastar, ao m\u00e1ximo, do Planalto a pecha de incompet\u00eancia. <\/p>\n<p>Discurso e desmoraliza\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Soou estranho entre integrantes e assessores de Dilma a orienta\u00e7\u00e3o dada por ela para que todos os ministros saiam falando e defendendo o governo. Muitos at\u00e9 gostariam, mas temem ser repreendidos pela chefe. Ningu\u00e9m esquece que, no segundo dia como ministro do Planejamento, Nelson Barbosa foi obrigado a soltar uma nota desmentindo o que ele tinha dito sobre mudan\u00e7as na regra de corre\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo. Na semana passada, em um \u00fanico dia, Levy, por determina\u00e7\u00e3o do Planalto, corrigiu declara\u00e7\u00f5es em entrevistas publicadas por ve\u00edculos estrangeiros; uma, sobre seguro-desemprego; outra, sobre racionamento de energia. \u201cO maior temor dos ministros \u00e9 serem desmoralizados pela presidente, mesmo tendo falado a verdade\u201d, diz um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica. <\/p>\n<p>Buraco de 1% do PIB <\/p>\n<p>\u00bb Integrantes do mercado garantem que as contas p\u00fablicas come\u00e7aram 2015 com um deficit recorrente de 1% do Produto Interno Bruto (PIB), algo como R$ 50 bilh\u00f5es. Esse buraco n\u00e3o considera nenhuma receita extraordin\u00e1ria, nem as oriundas do Refis, o programa de refinanciamento de d\u00edvidas da Receita Federal. <\/p>\n<p>Sal\u00e1rio m\u00ednimo e Petrobras <\/p>\n<p>\u00bb Pelos c\u00e1lculos dos especialistas, somente o aumento do sal\u00e1rio m\u00ednimo responde por quase a metade do deficit recorrente \u2014 entre R$ 20 bilh\u00f5es e R$ 30 bilh\u00f5es. O reajuste bate pesado no caixa da Previd\u00eancia Social e das prefeituras. Os analistas chamam ainda a aten\u00e7\u00e3o para a queda nos royalties e nos impostos pagos ao Tesouro Nacional pela Petrobras, por causa do recuo dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo. <\/p>\n<p>D\u00edvida avan\u00e7a mais que reservas <\/p>\n<p>\u00bb T\u00e9cnicos do Banco Central chamam a aten\u00e7\u00e3o: enquanto as reservas internacionais do pa\u00eds cresceram 26% no primeiro mandato de Dilma, de US$ 288,6 bilh\u00f5es para US$ 363,5 bilh\u00f5es, a d\u00edvida externa saltou 35,5%, de US$ 256,8 bilh\u00f5es para US$ 347,6 bilh\u00f5es. A continuar esse ritmo, os d\u00e9bitos superar\u00e3o as reservas nos pr\u00f3ximos dois anos. <\/p>\n<p>Categoria bronze <\/p>\n<p>\u00bb O Banco do Brasil foi reconhecido como um dos oito bancos mais sustent\u00e1veis do mundo em responsabilidade corporativa no livro The Sustainability Yearbook 2015, da RobecoSAM, respons\u00e1vel pelo processo de sele\u00e7\u00e3o do \u00cdndice Dow Jones de Sustentabilidade da Bolsa de Nova Iorque. O BB est\u00e1 listado na categoria bronze, sendo o \u00fanico banco brasileiro classificado em uma das tr\u00eas categorias.  <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff rompeu um sil\u00eancio de quase 30 dias para dizer mais do mesmo. Esperava-se que, ao dar as caras na primeira reuni\u00e3o ministerial do segundo mandato, a chefe do Executivo assumisse a gravidade da situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Muito pelo contr\u00e1rio. 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