{"id":32,"date":"2015-01-29T12:38:00","date_gmt":"2015-01-29T14:38:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/socorro_a_vista\/"},"modified":"2015-01-29T12:38:00","modified_gmt":"2015-01-29T14:38:00","slug":"socorro_a_vista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/socorro_a_vista\/","title":{"rendered":"SOCORRO \u00c0 VISTA"},"content":{"rendered":"\n<p>Em conversas muito reservadas, o governo admite que a situa\u00e7\u00e3o da Petrobras est\u00e1 alarmante. Por mais que a presidente Dilma Rousseff tente passar uma imagem de confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 companhia, h\u00e1 o temor de que a estatal fique sem recursos para honrar compromissos no exterior, caso os credores exijam o pagamento antecipado de d\u00edvidas. Muitos consideram essa hip\u00f3tese um caso extremo. Mas, pelo sim, pelo n\u00e3o, come\u00e7ou-se a mapear as circunst\u00e2ncias em que a petroleira pode ser socorrida com recursos p\u00fablicos. <\/p>\n<p>O governo admite que as portas do mercado est\u00e3o fechadas \u00e0 Petrobras. No exterior, nenhuma institui\u00e7\u00e3o financeira de renome est\u00e1 autorizada a liberar empr\u00e9stimos \u00e0 estatal por n\u00e3o ter ideia da dimens\u00e3o do estrago provocado pela corrup\u00e7\u00e3o comandada pelo PT, o partido de Dilma. No pa\u00eds, a mesma resist\u00eancia \u00e9 observada entre os bancos privados. E n\u00e3o h\u00e1 qualquer possibilidade de emiss\u00e3o de a\u00e7\u00f5es, diante dos preju\u00edzos acumulados pelos investidores \u2014 somente ontem, foram R$ 13,9 bilh\u00f5es com a queda de mais de 10% dos pap\u00e9is nas bolsas de valores. <\/p>\n<p>A op\u00e7\u00e3o de socorro pode ser os bancos p\u00fablicos. Mas o espa\u00e7o para que liberem recursos \u00e0 estatal est\u00e1 limitado. Nas muitas averigua\u00e7\u00f5es que fez no sistema, o Banco Central constatou que a petroleira j\u00e1 tomou recursos demais com as institui\u00e7\u00f5es controladas pelo governo. As regras prudenciais, portanto, indicam muito cuidado. \u201cRealmente, n\u00e3o est\u00e1 f\u00e1cil a vida da Petrobras, sobretudo para lidar com casos extremos, de escassez de recursos\u201d, diz um integrante do governo. \u201cA \u00fanica not\u00edcia boa \u00e9 o fato de a empresa estar, agora, ganhando dinheiro com combust\u00edveis, diante da queda do petr\u00f3leo. Mas ainda n\u00e3o houve tempo para cobrir todo o buraco acumulado nos \u00faltimos quatro anos\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p>A atual situa\u00e7\u00e3o da Petrobras contrasta com a pujan\u00e7a que prevaleceu ao longo de sua hist\u00f3ria. No in\u00edcio dos anos 1980, quando o Brasil ficou sem acesso ao mercado internacional de cr\u00e9dito, a empresa abastecia os caixas do Tesouro Nacional e do BC. Usava as linhas de financiamento de que dispunha no exterior a fim de importar petr\u00f3leo para bancar despesas do governo. Em 1991, mesmo sem a renegocia\u00e7\u00e3o da d\u00edvida externa brasileira, emitiu t\u00edtulos fora do pa\u00eds, quebrando um jejum de 15 anos. <\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, executivos que passaram pela empresa nas \u00faltimas d\u00e9cadas se dizem estarrecidos com a atual situa\u00e7\u00e3o da petroleira. Muitos reconhecem que a empresa sempre teve problemas com a corrup\u00e7\u00e3o, sobretudo por meio de superfaturamento de contratos. Mas, nem de longe, a roubalheira se compara \u00e0 que foi descoberta pela Pol\u00edcia Federal por meio da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. <\/p>\n<p>Ningu\u00e9m acredita, por\u00e9m, que a Petrobras v\u00e1 se desintegrar. A empresa est\u00e1 longe disso. Mas quanto mais demorar para sair do lama\u00e7al em que se encontra, maior ser\u00e1 o custo para o pa\u00eds. <\/p>\n<p>Prote\u00e7\u00e3o a companheiros <\/p>\n<p>A presidente Dilma repete, insistentemente, que n\u00e3o compartilha dos malfeitos que sugaram quase R$ 90 bilh\u00f5es da Petrobras. Suas palavras, por\u00e9m, est\u00e3o longe de mostrar uma a\u00e7\u00e3o firme do governo para dar transpar\u00eancia aos n\u00fameros da estatal. O exemplo mais evidente disso foi a manuten\u00e7\u00e3o dos ex-ministros Guido Mantega (Fazenda) e M\u00edriam Belchior (Planejamento) no Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da petroleira. Ontem, os dois seguiram \u00e0 risca a determina\u00e7\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto para manter a caixa-preta da empresa muito bem lacrada. Certamente, est\u00e3o mais preocupados em proteger companheiros do que em prestar contas aos brasileiros. <\/p>\n<p>Aperto nos juros pr\u00f3ximo do fim <\/p>\n<p>\u00bb Economista-chefe da Itaim Asset Management, Ivo Chermont acredita que o Banco Central dar\u00e1 hoje, por meio da ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), fortes ind\u00edcios de que aumentar\u00e1 mais 0,25 ponto percentual na taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em mar\u00e7o, para 12,50% ao ano. Com isso, encerrar\u00e1 o ciclo de aperto monet\u00e1rio. <\/p>\n<p>Fragilidade da economia <\/p>\n<p>\u00bb Para Chermont, as recentes declara\u00e7\u00f5es do presidente do BC, Alexandre Tombini, indicam que a autoridade monet\u00e1ria se convenceu de que o arrocho monet\u00e1rio chegou ao limite, dada a fragilidade da atividade econ\u00f4mica. \u201cEntre todos os bancos centrais relevantes do mundo, a institui\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 a \u00fanica que est\u00e1 elevando os juros\u201d, afirma. <\/p>\n<p>Apostas invertidas <\/p>\n<p>\u00bb Ontem, as apostas no mercado financeiro mostravam 70% de chances de o BC aumentar os juros em 0,50 ponto percentual em mar\u00e7o. Mas, com a divulga\u00e7\u00e3o da ata do Copom, Ivo Chermont acredita que as posi\u00e7\u00f5es se inverter\u00e3o: 60% passar\u00e3o a cravar alta de 0,25 ponto. <\/p>\n<p>M\u00e1quinas emperradas <\/p>\n<p>\u00bb Com a economia caminhando rapidamente para a recess\u00e3o, a ind\u00fastria de m\u00e1quinas e equipamentos dever\u00e1 registrar, em 2015, o quarto ano consecutivo de contra\u00e7\u00e3o, um sinal de que o empresariado est\u00e1 longe de acreditar nas promessas do governo de fazer um ajuste fiscal consistente. Os investimentos na amplia\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas s\u00f3 voltar\u00e3o, na melhor das hip\u00f3teses, em 2016. No ano passado, o faturamento da ind\u00fastria de m\u00e1quinas totalizou R$ 71,2 bilh\u00f5es, 13% a menos que em 2013. <\/p>\n<p>Caixa em nova sede <\/p>\n<p> \u00bb A Caixa Seguradora vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria do des\u00e2nimo que marca a economia e inaugura, em 10 de fevereiro, sua nova sede em Bras\u00edlia. Os investimentos encostaram em R$ 200 milh\u00f5es. Toda a c\u00fapula do grupo franc\u00eas que controla a empresa, o CNP Assurances, foi convidada. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 12h40min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em conversas muito reservadas, o governo admite que a situa\u00e7\u00e3o da Petrobras est\u00e1 alarmante. Por mais que a presidente Dilma Rousseff tente passar uma imagem de confian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 companhia, h\u00e1 o temor de que a estatal fique sem recursos para honrar compromissos no exterior, caso os credores exijam o pagamento antecipado de d\u00edvidas. 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