{"id":332,"date":"2015-12-10T08:30:44","date_gmt":"2015-12-10T10:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=332"},"modified":"2015-12-10T15:52:08","modified_gmt":"2015-12-10T17:52:08","slug":"inflacao-do-estelionato","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/inflacao-do-estelionato\/","title":{"rendered":"INFLA\u00c7\u00c3O DO ESTELIONATO"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto assiste, at\u00f4nita, \u00e0 mais grave crise pol\u00edtica do pa\u00eds em quase tr\u00eas d\u00e9cadas, a popula\u00e7\u00e3o v\u00ea seu poder de compra ser destru\u00eddo de forma avassaladora. A infla\u00e7\u00e3o acumulada nos 12 meses terminados em novembro atingiu 10,48%, refletindo o desastre da pol\u00edtica econ\u00f4mica de Dilma Rousseff, que s\u00f3 tem um objetivo: salvar seu mandato. A maior parte da alta do custo de vida veio das tarifas de energia el\u00e9trica e dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis, que a petista represou o quanto pode para garantir a reelei\u00e7\u00e3o, que, agora, est\u00e1 amea\u00e7ada por um processo de impeachment.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O quadro inflacion\u00e1rio \u00e9 alarmante. Oito em cada 10 produtos e servi\u00e7os pesquisados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) registraram aumento em novembro. A dissemina\u00e7\u00e3o dos reajustes levou os analistas a revisarem, para pior, as proje\u00e7\u00f5es de dezembro. H\u00e1 quem fale em taxa pr\u00f3xima de 1%. Com isso, 2016 come\u00e7ar\u00e1 com o custo de vida pressionado, apesar de o n\u00edvel da atividade estar despencando. Tudo indica que, pelo segundo ano seguido, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) vai estourar o teto da meta, de 6,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A infla\u00e7\u00e3o \u00e9 uma inimiga da qual n\u00e3o se pode descuidar nunca. Dilma, no entanto, acreditou que um pouco mais de carestia seria bom para o Brasil. Ajudaria a sustentar o crescimento econ\u00f4mico. Quando ela se deu conta de que o aumento do custo poderia ser um problema para a reelei\u00e7\u00e3o, tratou de recorrer a maquiagens para enganar os eleitores. Na canetada, reduziu as tarifas de energia em 20%, na m\u00e9dia, mesmo com toda a conjuntura desfavor\u00e1vel para o setor. Em rela\u00e7\u00e3o aos combust\u00edveis, obrigou a Petrobras a segurar os reajustes, o que consumiu mais de R$ 60 bilh\u00f5es do caixa da empresa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois da reelei\u00e7\u00e3o, a presidente imp\u00f4s a realidade aos brasileiros, num dos maiores estelionatos eleitorais da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Desde ent\u00e3o, a conta de luz n\u00e3o parou de subir, registrando, nos \u00faltimos 12 meses, aumento m\u00e9dio de 51,27%. No mesmo per\u00edodo, a gasolina ficou 19,35% mais cara. N\u00e3o bastasse isso, os consumidores tiveram que arcar com repasses generalizados da alta do d\u00f3lar para os pre\u00e7os, apesar de o Banco Central dizer que essa transmiss\u00e3o seria pequena. A moeda norte-americana subiu, principalmente, por causa da desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao governo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Onda de remarca\u00e7\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o IPCA chegar aos 15% n\u00e3o falta muito. Com a crise pol\u00edtica paralisando toda a economia, o Brasil pode assistir a uma onda de remarca\u00e7\u00f5es preventivas. Num pa\u00eds em que a mem\u00f3ria inflacion\u00e1ria continua latente e h\u00e1 uma forte indexa\u00e7\u00e3o de contratos \u00e0 infla\u00e7\u00e3o passada, o controle de pre\u00e7os \u00e9 muito fr\u00e1gil. O Banco Central, inclusive, admite que os efeitos secund\u00e1rios dos aumentos das tarifas p\u00fablicas ainda n\u00e3o chegaram com tudo \u00e0 economia. Quer dizer: h\u00e1 uma infla\u00e7\u00e3o reprimida referente \u00e0 energia el\u00e9trica e aos combust\u00edveis que tende a contaminar os demais pre\u00e7os da economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, a autoridade monet\u00e1ria est\u00e1 elevando o tom para avisar que a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), em 14,25% ao ano, subir\u00e1 em janeiro. O Banco Central sabe que, se n\u00e3o agir rapidamente, o descontrole inflacion\u00e1rio se tornar\u00e1 realidade, desorganizado uma economia que levou d\u00e9cadas para se estabilizar. Foi a leni\u00eancia do governo, com a subservi\u00eancia do BC, que levaram o pa\u00eds ao quadro atual. Para satisfazer Dilma, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) reduziu a Selic ao menor n\u00edvel da hist\u00f3ria em 2012, para 7,25%. Mesmo tendo iniciado um processo de arrocho seis meses depois, a institui\u00e7\u00e3o nunca conseguiu levar o IPCA para o centro da meta, de 4,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A praga da infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 concentrada justamente nos tr\u00eas pa\u00edses que optaram por pol\u00edticas populistas, ludibriando a boa vontade dos eleitores: Brasil, Venezuela e Argentina. Nas economias em que houve a responsabilidade fiscal \u2014 aqui, o governo fechar\u00e1 o ano com rombo nas contas pelo segundo ano seguido \u2014, forte abertura econ\u00f4mica e est\u00edmulo \u00e0 competi\u00e7\u00e3o, a carestia est\u00e1 nos n\u00edveis mais baixos da hist\u00f3ria. \u00c9 o caso do M\u00e9xico, onde a infla\u00e7\u00e3o em 12 meses atingiu 2,21%, afastando qualquer possibilidade de o banco central local elevar as taxas de juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem perd\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Com o governo derretendo e o Congresso sendo desmoralizado pelo presidente da C\u00e2mara, Eduardo Cunha, que manobra descaradamente as regras para n\u00e3o perder o mandato por corrup\u00e7\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o no Brasil s\u00f3 tende a piorar. Ciente disso, a ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody\u2019s avisou que vai rebaixar o pa\u00eds. As condi\u00e7\u00f5es impostas pela empresa para manter o grau de investimento s\u00e3o de que a economia cres\u00e7a pelo 2% ao ano e que o governo fa\u00e7a superavit prim\u00e1rio (poupan\u00e7a para o pagamento de juros da d\u00edvida) de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), N\u00e3o h\u00e1 como isso acontecer t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As proje\u00e7\u00f5es apontam para retra\u00e7\u00e3o do PIB de pelo menos 3% em 2016 e queda pr\u00f3xima de 0,5% em 2017. J\u00e1 as contas p\u00fablicas registrar\u00e3o deficit at\u00e9 o fim de 2016, a despeito de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, prometer superavit prim\u00e1rio de 0,7% do PIB. Com a pol\u00edtica dando as diretrizes e Dilma totalmente desacreditada, s\u00f3 mesmo uma mudan\u00e7a de governo seria capaz, neste momento, de limpar o horizonte e mudar as perspectivas para o pa\u00eds. Foi a torcida por esse quadro de al\u00edvio, por sinal, que levou a Bolsa de Valores de S\u00e3o Paulo a registrar ontem alta de quase 4% e o d\u00f3lar a cair mais de 1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse momento t\u00e3o dif\u00edcil, talvez o governo pudesse dar um alento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o: a garantia de que a carestia n\u00e3o sair\u00e1 do controle. A popula\u00e7\u00e3o mais pobre est\u00e1 desesperada. J\u00e1 n\u00e3o consegue mais comprar sequer produtos b\u00e1sicos. Muita gente est\u00e1 sendo obrigada a dar calotes. Cerca de 57 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o na lista de inadimplentes. O desemprego chegou com tudo. A li\u00e7\u00e3o \u00e9 clara: a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o perdoa. Mata.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto assiste, at\u00f4nita, \u00e0 mais grave crise pol\u00edtica do pa\u00eds em quase tr\u00eas d\u00e9cadas, a popula\u00e7\u00e3o v\u00ea seu poder de compra ser destru\u00eddo de forma avassaladora. A infla\u00e7\u00e3o acumulada nos 12 meses terminados em novembro atingiu 10,48%, refletindo o desastre da pol\u00edtica econ\u00f4mica de Dilma Rousseff, que s\u00f3 tem um objetivo: salvar seu mandato. 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