{"id":336,"date":"2015-12-15T08:30:27","date_gmt":"2015-12-15T10:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=336"},"modified":"2015-12-15T11:22:09","modified_gmt":"2015-12-15T13:22:09","slug":"resumo-do-fracasso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/resumo-do-fracasso\/","title":{"rendered":"RESUMO DO FRACASSO"},"content":{"rendered":"<p>Nada pode simbolizar melhor o fracasso da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo do que o mais recente resultado do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado ontem pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). O Brasil caiu uma posi\u00e7\u00e3o no ranking, para o 75\u00ba lugar, e foi ultrapassado pelo Sri Lanka, que, h\u00e1 seis anos, estava mergulhado em uma guerra civil. Os dados s\u00e3o de 2014, quando a economia j\u00e1 afundava na recess\u00e3o. Assim que forem incorporados os resultados deste ano, o desastre ser\u00e1 brutal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 desalentador ver a trajet\u00f3ria do Brasil desde que a presidente Dilma Rousseff chegou ao poder. Quase todas as conquistas sociais que o pa\u00eds acumulou depois da estabiliza\u00e7\u00e3o da economia est\u00e3o se perdendo. A infla\u00e7\u00e3o alta, que j\u00e1 passa de 10%, est\u00e1 destruindo o poder de compra das fam\u00edlias. O desemprego vem empurrando muita gente de volta \u00e0 pobreza, e a recess\u00e3o, jogando por terra o sonho de uma na\u00e7\u00e3o mais justa. Olhando para a frente, n\u00e3o h\u00e1 horizonte que nos garanta que o fundo do po\u00e7o j\u00e1 chegou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Cada dia de paralisia da economia custa caro aos brasileiros, mas nem governo nem Congresso parecem se importar com isso. N\u00e3o h\u00e1 hoje um s\u00f3 projeto de peso sendo discutido para tirar o pa\u00eds do atoleiro. E mesmo nos temas que est\u00e3o em debate, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre pelo pior, a come\u00e7ar pela insist\u00eancia de parlamentares da base aliada de Dilma em reduzir a meta de superavit prim\u00e1rio de 2016, de 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para zero.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se aprovada, a diminui\u00e7\u00e3o da meta fiscal dar\u00e1 a senten\u00e7a final para o rebaixamento do Brasil pelas duas ag\u00eancias que ainda mant\u00eam o selo de bom pagador do pa\u00eds, a Moody\u2019s e a Fitch. Mais que isso, deixar\u00e1 a economia brasileira \u00e0 margem do mercado de cr\u00e9dito internacional e prolongar\u00e1 o processo recessivo que resultar\u00e1, apenas neste ano, no fechamento de quase 2 milh\u00f5es de vagas com carteira assinada, o que n\u00e3o se v\u00ea h\u00e1 mais de 20 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fim da tr\u00e9gua do d\u00f3lar<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O clima de caos que se instalou no Brasil contribuiu para o fim da tr\u00e9gua do d\u00f3lar. O Banco Central vinha contando com a queda da moeda de R$ 4,20 para R$ 3,70, como forma de reduzir a infla\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m de o custo de vida n\u00e3o ceder, a divisa norte-americana voltou a flertar com os R$ 4 por causa, sobretudo, da crise pol\u00edtica que tirou qualquer previsibilidade da economia. N\u00e3o ser\u00e1 o sim ou o n\u00e3o para o processo de impeachment da presidente Dilma que reverter\u00e1 as incertezas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A nova arrancada do d\u00f3lar, acredita o economista-chefe da INVX Global Partners, Eduardo Velho, exigir\u00e1 uma a\u00e7\u00e3o mais r\u00e1pida do BC. A institui\u00e7\u00e3o ter\u00e1 que elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano, em janeiro pr\u00f3ximo, para tentar ancorar as expectativas inflacion\u00e1rias. Se n\u00e3o fizer isso, correr\u00e1 o risco de trazer de volta um forte movimento de indexa\u00e7\u00e3o, no qual pre\u00e7os e contratos s\u00e3o reajustados automaticamente pela infla\u00e7\u00e3o passada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cQuanto mais o BC demorar para agir, mais custoso ser\u00e1 o processo para colocar a infla\u00e7\u00e3o nos eixos. A autoridade monet\u00e1ria n\u00e3o pode permitir um quadro em que o piso para a infla\u00e7\u00e3o de 2016 est\u00e1 em 7%, acima do limite de toler\u00e2ncia, de 6,5%\u201d, ressalta Velho. Nas contas dele, com as chuvas atrapalhando os produtos in natura, como frutas e legumes, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) do primeiro trimestre do ano que vem poder\u00e1 ultrapassar os 3%, n\u00edvel incompat\u00edvel com o que promete o BC \u2014 manter a carestia abaixo do teto da meta no ano que vem e lev\u00e1-la para 4,5% em 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Velho chama a aten\u00e7\u00e3o ainda para a incapacidade do governo de tirar proveito da queda do d\u00f3lar. Em um ambiente tranquilo, a perda de for\u00e7a da moeda norte-americana ante o real ajudaria a desinflar a economia. Mas, com tanta confus\u00e3o pol\u00edtica, uma administra\u00e7\u00e3o sem rumo e a presidente da Rep\u00fablica s\u00f3 pensando em salvar o mandato, os agentes econ\u00f4mico n\u00e3o se intimidaram em repassar aos consumidores o aumento do custo cambial que haviam represado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Sem escapat\u00f3ria<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse contesto desolador, al\u00e9m da alta dos juros, o BC ter\u00e1 que contar com uma deteriora\u00e7\u00e3o maior do mercado de trabalho para conseguir atingir seu objetivo e retomar o controle da infla\u00e7\u00e3o. O desemprego dever\u00e1 aumentar muito \u2014 e rapidamente \u2014 para que o consumo das fam\u00edlias desabe. Sem isso, ser\u00e1 dif\u00edcil evitar que o presidente da autoridade monet\u00e1ria, Alexandre Tombini, seja obrigado a passar por mais um vexame de ter que explicar, em carta \u00e0 na\u00e7\u00e3o, os motivos que o levaram a n\u00e3o cumprir sua principal miss\u00e3o, a de manter a infla\u00e7\u00e3o dentro da meta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cA ajuda para segurar o d\u00f3lar o BC j\u00e1 teve, que foi a manuten\u00e7\u00e3o de vetos da presidente Dilma a projetos que acabariam de destruir as contas p\u00fablicas, a chamada pauta-bomba. Depois da pris\u00e3o do senador Delc\u00eddio do Amaral, no \u00e2mbito da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, a tr\u00e9gua acabou\u201d, afirma o economista da INVX. Para completar, h\u00e1 toda a volatilidade provocada pela decis\u00e3o do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, de aumentar os juros a partir desta quarta-feira e a demiss\u00e3o cada vez mais pr\u00f3xima do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enfim, se algu\u00e9m ficou desapontado com o resultado do novo IDH, deve ir preparando os \u00e2nimos. A tend\u00eancia de queda do Brasil no ranking dos pa\u00edses com as melhores condi\u00e7\u00f5es de vida do planeta j\u00e1 est\u00e1 contratada. N\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h30min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nada pode simbolizar melhor o fracasso da pol\u00edtica econ\u00f4mica do governo do que o mais recente resultado do \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH), divulgado ontem pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU). 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