{"id":345,"date":"2015-12-17T08:30:31","date_gmt":"2015-12-17T10:30:31","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=345"},"modified":"2015-12-17T15:33:44","modified_gmt":"2015-12-17T17:33:44","slug":"345","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/345\/","title":{"rendered":"O MINISTRO ZUMBI E O MINISTRO DO REBAIXAMENTO"},"content":{"rendered":"<p>Um pa\u00eds que tem como chefe da equipe econ\u00f4mica um ministro zumbi n\u00e3o poderia ter outro destino sen\u00e3o a perda do grau de investimento pela segunda das tr\u00eas maiores ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco do mundo, a Fitch. Joaquim Levy, que chegou todo poderoso ao Minist\u00e9rio da Fazenda, s\u00f3 permanece no cargo por puro ego. De s\u00edmbolo do compromisso fiscal do governo ele se transformou, com um ac\u00famulo impressionante de derrotas, num personagem de fim de festa, que os donos da casa fazem de tudo para expulsar \u2014 no caso, a dona da casa \u00e9 a presidente Dilma Rousseff.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ainda que cumpra \u00e0 risca o compromisso fechado com a chefe de ficar no cargo at\u00e9 que o seu sucessor seja escolhido, Levy nada mais poder\u00e1 fazer para reverter o estrago na credibilidade do pa\u00eds, agora considerado lixo entre os investidores. Cheio de boa vontade e inebriado pelo poder, ele acreditou no canto da sereia de que Dilma havia finalmente mudado e estava disposta a fazer um ajuste fiscal consistente que, em apenas seis meses, colocaria o Brasil de novo na rota do crescimento. A petista, infelizmente, nunca foi chegada \u00e0 responsabilidade fiscal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mesmo sendo o tra\u00eddo no jogo encenado pelo governo, o ministro da Fazenda tem boa parcela de culpa pela situa\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds chegou. Ele criou falsas expectativas, alimentou promessas que n\u00e3o seriam cumpridas. Essa postura de Levy ganhou relev\u00e2ncia diante da necessidade dos agentes econ\u00f4micos de encontrarem uma t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o em meio ao derretimento da economia e \u00e0 eclos\u00e3o de uma crise pol\u00edtica sem precedentes desde a redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil. Levy achou que o comando da economia estava com ele, mas o poder de ditar as regras nunca saiu das m\u00e3os de Dilma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Disputa por poder<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por mais que o ministro da Fazenda mostrasse estar no dom\u00ednio da situa\u00e7\u00e3o, era o colega do Planejamento, Nelson Barbosa, que estava dando das cartas com Dilma. Aos fatos. Levy se posicionou contra, mas o governo reduziu a meta de superavit prim\u00e1rio (economia para o pagamento de juros da d\u00edvida) deste ano de 1,13% para 0,15% do Produto Interno Bruto (PIB). Sem se dar ao trabalho de consultar Levy, o Planejamento encaminhou ao Congresso uma proposta de Or\u00e7amento para 2016 com previs\u00e3o de deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ministro da Fazenda bateu o p\u00e9, e Dilma prometeu que o rombo no Or\u00e7amento seria coberto e o governo entregaria meta de superavit de 0,7% do PIB no ano que vem. Apesar de todas as amea\u00e7as de Levy, de que deixaria a Fazenda caso a presidente mudasse de ideia, ele foi surpreendido pelo envio de uma mensagem da chefe ao Legislativo de que a meta seria reduzida para 0,5%, com possibilidade de ser zerada pelo abatimento de uma s\u00e9rie de despesas. Era a tal meta flex\u00edvel tanto alardeada por Barbosa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse processo de constante destrui\u00e7\u00e3o da reputa\u00e7\u00e3o de Levy, Dilma, mais uma, vez optou pelo erro. Deu ouvidos ao ministro do Planejamento, que se tornou o s\u00edmbolo m\u00e1ximo do rebaixamento do pa\u00eds. N\u00e3o custa lembrar: assim que Barbosa encaminhou o Or\u00e7amento de 2016 deficit\u00e1rio ao Congresso, o Brasil perdeu o selo de bom pagador pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P). Um dia depois de prevalecer a proposta do Planejamento de meta fiscal flex\u00edvel, a Fitch empurrou o pa\u00eds para o grupo de pa\u00edses n\u00e3o confi\u00e1veis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em menos de tr\u00eas meses, Barbosa, na disputa enlouquecida por poder, conseguiu a fa\u00e7anha de destruir conquistas que levaram anos, como o respeito do pa\u00eds no contexto internacional. O grau de investimento dado pelas ag\u00eancias de risco era a comprova\u00e7\u00e3o de que o Brasil havia enterrado seu passado ingl\u00f3rio de caloteiro contumaz. Agora, sem o selo de bom pagador, come\u00e7a a surgir no horizonte o risco de insolv\u00eancia do pa\u00eds, tamanha a velocidade do crescimento da d\u00edvida p\u00fablica, j\u00e1 ro\u00e7ando os 70% do PIB.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fatura cara<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Impotentes, resta aos brasileiros esperar pela cara fatura do rebaixamento, a mais dolorosa delas, o aumento do desemprego. N\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria. Com o agravamento da recess\u00e3o, as empresas tender\u00e3o a demitir. As contas mais otimistas indicam que, apenas entre dezembro e mar\u00e7o, pelo menos 1 milh\u00e3o de vagas com carteira assinada devem ser fechadas. Mesmo com a economia derretendo, a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 pr\u00f3xima de 10% no acumulado de 12 meses at\u00e9 mar\u00e7o, for\u00e7ando o Banco Central a elevar os juros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A lista das consequ\u00eancias elaborada pela economista Tatiana Pinheiro, do Banco Santander, vai muito al\u00e9m. Ela prev\u00ea dificuldades para o Tesouro Nacional se financiar no mercado. Para rolar a d\u00edvida p\u00fablica, o \u00f3rg\u00e3o ter\u00e1 que pagar juros mais altos e encurtar os prazos de vencimentos dos pap\u00e9is. Voltaremos, segundo ela, ao quadro observado em 2005, quando mais de 60% dos pap\u00e9is estavam indexados \u00e0 taxa b\u00e1sica (Selic) e, a cada dois anos, o Tesouro era obrigado a renovar todo o endividamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tatiana destaca que, na melhor das hip\u00f3teses, o Brasil pa\u00eds perder\u00e1 US$ 18 bilh\u00f5es em investimentos estrangeiros que est\u00e3o no pa\u00eds. O rebaixamento do Brasil levar\u00e1 junto uma s\u00e9rie de empresas, que ter\u00e3o grande dificuldade para captar recursos no exterior. O resultado disso ser\u00e1 o adiamento de projetos importantes que poderiam dar um alento ao quadro desesperador do qual n\u00e3o vemos sa\u00edda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Levy tenta passar otimismo quando tudo mostra que o governo perdeu a capacidade de gerenciar o pa\u00eds. Fala em uni\u00e3o quando est\u00e1 expl\u00edcito o racha na equipe econ\u00f4mica. De discurso bonito, fala suave, todos est\u00e3o cheios. O que precisa \u00e9 a\u00e7\u00e3o. Mas, por tudo o que se viu at\u00e9 agora, \u00e9 dif\u00edcil esperar uma revers\u00e3o t\u00e3o cedo. Estamos ao Deus-dar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um pa\u00eds que tem como chefe da equipe econ\u00f4mica um ministro zumbi n\u00e3o poderia ter outro destino sen\u00e3o a perda do grau de investimento pela segunda das tr\u00eas maiores ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco do mundo, a Fitch. Joaquim Levy, que chegou todo poderoso ao Minist\u00e9rio da Fazenda, s\u00f3 permanece no cargo por puro ego. 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