{"id":356,"date":"2015-12-22T08:30:00","date_gmt":"2015-12-22T10:30:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=356"},"modified":"2015-12-22T16:09:22","modified_gmt":"2015-12-22T18:09:22","slug":"356","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/356\/","title":{"rendered":"DISCURSO FURADO"},"content":{"rendered":"<p>Nelson Barbosa foi reprovado em seu primeiro contato com os investidores n\u00e3o pelo que disse, mas pelo que representa. O ministro da Fazenda usou um tom firme para responder \u00e0s d\u00favidas do mercado, mas n\u00e3o convenceu. E a desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a ele s\u00f3 aumentou depois que o l\u00edder do governo na C\u00e2mara, Jos\u00e9 Guimar\u00e3es, avisou que o ajuste n\u00e3o \u00e9 mais prioridade m\u00e1xima e o que o Brasil realmente precisa \u00e9 de mais Estado e menos de mercado. Foi exatamente a receita que prevaleceu no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff e que levou o Brasil para o buraco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Entre o discurso de Barbosa e a realidade do pa\u00eds, sobretudo o tempo pol\u00edtico, h\u00e1 uma dist\u00e2ncia enorme. Para cumprir a meta de superavit prim\u00e1rio de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, ele refor\u00e7ou que conta com a aprova\u00e7\u00e3o da CPMF at\u00e9 maio. N\u00e3o h\u00e1 como isso acontecer. Primeiro, porque os dois principais partidos da base aliada do governo \u2014 se \u00e9 que se pode dizer isso \u2014, o PT e o PMDB, j\u00e1 deixaram claro que n\u00e3o aprovar\u00e3o o tributo. Segundo, porque, pelo menos at\u00e9 mar\u00e7o, tanto o governo quanto o Congresso estar\u00e3o completamente envolvidos na discuss\u00e3o sobre o impeachment de Dilma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, Barbosa promete apresentar o projeto de reforma da Previd\u00eancia Social, respons\u00e1vel por 47% dos gastos obrigat\u00f3rios do governo. N\u00e3o h\u00e1 como, em s\u00e3 consci\u00eancia, acreditar que um Congresso esfacelado, \u00e0s v\u00e9speras de uma elei\u00e7\u00e3o municipal, aprove medidas t\u00e3o impopulares como a defini\u00e7\u00e3o de idade m\u00ednima para a aposentadoria. Esse debate vem sendo travado h\u00e1 anos, e nem os governos mais populares conseguiram levar a discuss\u00e3o adiante. N\u00e3o ser\u00e1 agora que isso acontecer\u00e1. A percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o ministro da Fazenda cr\u00ea que o governo conta hoje com o apoio de pelo menos 400 deputados, quando se esfor\u00e7a para garantir os 171 necess\u00e1rios para derrubar o processo de impeachment.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mais incentivos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esquecer que o primeiro trimestre de 2016 ser\u00e1 terr\u00edvel para a economia. Esperam-se demiss\u00f5es em massa e forte queda na renda dos trabalhadores, o que estimular\u00e1 uma onda de manifesta\u00e7\u00f5es nas ruas. Nesse ambiente, ficar\u00e1 dif\u00edcil para Barbosa insistir no discurso que derrubou Joaquim Levy e ainda pregar mudan\u00e7as em benef\u00edcios previdenci\u00e1rios,mesmo que a reforma do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) seja imprescind\u00edvel. H\u00e1 tamb\u00e9m questionamentos sobre como se comportar\u00e3o as centrais sindicais, que v\u00eam defendendo Dilma sob a condi\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica fiscal mais frouxa e de mais incentivos a setores espec\u00edficos como forma de estimular o crescimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na cabe\u00e7a dos investidores, nada fecha no discurso de Barbosa. Muitos dizem que, se fosse para continuar fazendo o mesmo que Levy, n\u00e3o haveria necessidade de haver troca no comando da Fazenda. Por isso, esperam, sim, mudan\u00e7as na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica. E mais: desde o in\u00edcio do segundo mandato de Dilma, o que mais Barbosa fez, como ministro do Planejamento, foi bombardear as propostas que, agora, ele defende. N\u00e3o h\u00e1 como assegurar que, como num passe de m\u00e1gica, ele se convenceu de que tudo o que era contra \u00e9 o que deve ser feito daqui por diante.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto Barbosa n\u00e3o conseguir convencer que n\u00e3o far\u00e1 loucuras \u00e0 frente da Fazenda, o pa\u00eds vai afundar na desconfian\u00e7a. O crescimento que o governo quer buscar a qualquer custo ficar\u00e1 mais distante. O Brasil n\u00e3o comporta mais experimentos. J\u00e1 pagou caro pelas pol\u00edticas defendidas pelo atual ministro no passado. O tombo que se est\u00e1 vendo na atividade \u00e9 impressionante. A demanda interna deve cair, somente neste ano, mais de 7%. E vai encolher mais em 2016. Os reflexos dessa contra\u00e7\u00e3o ser\u00e3o sentidos muitos anos \u00e0 frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ajuste tempor\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sem not\u00edcias boas para dar, Barbosa e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, se apegaram \u00e0 expressiva queda do deficit externo neste ano, de quase 40%, para refor\u00e7ar o discurso de que os ajustes da economia est\u00e3o em andamento. S\u00f3 se esquecem de dizer que tudo se deve \u00e0 maior recess\u00e3o em quase quatro d\u00e9cadas. A melhora substancial da balan\u00e7a comercial n\u00e3o est\u00e1 se dando pelo aumento das exporta\u00e7\u00f5es, mas pelo tombo das importa\u00e7\u00f5es, uma vez que a demanda interna encolheu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ajuste das contas externas, portanto, \u00e9 tempor\u00e1rio. \u00c0 medida que a economia for recuperando as for\u00e7as, o rombo nas transa\u00e7\u00f5es correntes voltar\u00e1 a crescer. Al\u00e9m de n\u00e3o haver perspectiva de avan\u00e7o na venda de produtos manufaturados e de maior valor agregado, mesmo com o real mais desvalorizado, o pa\u00eds ter\u00e1 de conviver com um longo per\u00edodo de baixa dos pre\u00e7os das commodities, que dominam a nossa pauta de exporta\u00e7\u00e3o. \u00c9 bom ir se preparando para a realidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<br \/>\n<strong>Avi\u00e3o ainda na turbul\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb Presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do BTG Pactual, P\u00e9rsio Arida diz que est\u00e1 trabalhando para \u201cestabilizar o avi\u00e3o\u201d, numa refer\u00eancia \u00e0 forte turbul\u00eancia que abateu o banco fundado por Andr\u00e9 Esteves, que foi preso por tentar obstruir investiga\u00e7\u00f5es da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ch\u00e1 de cadeira em banqueiros<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00bb O presidente do Ita\u00fa Unibanco, Roberto Set\u00fabal, e o presidente da Federa\u00e7\u00e3o Brasileira de Bancos (Febraban), Murilo Portugal, levaram um ch\u00e1 de cadeira para entrar no Pal\u00e1cio do Planalto. Quando chegaram para a posse de Nelson Barbosa na Fazenda, a lista de convidados ainda n\u00e3o estava na portaria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h30min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nelson Barbosa foi reprovado em seu primeiro contato com os investidores n\u00e3o pelo que disse, mas pelo que representa. O ministro da Fazenda usou um tom firme para responder \u00e0s d\u00favidas do mercado, mas n\u00e3o convenceu. 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