{"id":38,"date":"2015-02-03T00:10:00","date_gmt":"2015-02-03T02:10:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_recessao_de_dilma\/"},"modified":"2015-02-03T00:10:00","modified_gmt":"2015-02-03T02:10:00","slug":"a_recessao_de_dilma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_recessao_de_dilma\/","title":{"rendered":"A RECESS\u00c3O DE DILMA"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo j\u00e1 absorveu a possibilidade de haver queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. Ainda que, na mensagem enviada ao Congresso, a presidente Dilma Rousseff tenha assegurado que o pa\u00eds n\u00e3o entrar\u00e1 em recess\u00e3o, quase todos que transitam no entorno dela t\u00eam a clara no\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o haver\u00e1 escapat\u00f3ria para o pa\u00eds, diante do tamanho do ajuste necess\u00e1rio para arrumar a casa em 2015. <\/p>\n<p>O grande temor \u00e9 com 2016. Ningu\u00e9m, nem no governo nem no setor privado, se arrisca a dizer que o Brasil, depois de todo o sofrimento que est\u00e1 a caminho, ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de crescer a um ritmo anual entre 2% e 2,5%. A ansiedade \u00e9 grande. Caso se tenha mais um ano perdido, a perspectiva \u00e9 de fortes ru\u00eddos na economia, a come\u00e7ar pelos questionamentos sobre a perman\u00eancia de Joaquim Levy \u00e0 frente do Minist\u00e9rio da Fazenda. <\/p>\n<p>\u201cA despeito dos bons sinais emitidos pela atual equipe econ\u00f4mica, a confian\u00e7a do empresariado n\u00e3o voltou\u201d, afirma um t\u00e9cnico do governo. Ele admite que h\u00e1 muita incerteza no horizonte, a come\u00e7ar pelo risco de racionamento de energia el\u00e9trica e de \u00e1gua. Dependendo do tamanho da economia de eletricidade que o pa\u00eds ser\u00e1 obrigado a fazer e do impacto da falta de \u00e1gua em S\u00e3o Paulo, no Rio de Janeiro e em Minas Gerais \u2014 os tr\u00eas maiores polos industriais do pa\u00eds \u2014, o baque na atividade ser\u00e1 forte e prolongado o suficiente para adiar a desejada recupera\u00e7\u00e3o do PIB. <\/p>\n<p>Esse quadro assustador est\u00e1 t\u00e3o presente no governo e no mercado, que ningu\u00e9m descarta a possibilidade de o Banco Central se antecipar e voltar a cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) antes do fim deste ano. \u201cRealmente, \u00e9 um quadro extremo, que n\u00e3o podemos descartar\u201d, frisa um t\u00e9cnico da autoridade monet\u00e1ria. \u201cVamos esperar para ver se realmente o governo ter\u00e1 coragem de decretar o racionamento de energia. Tudo caminha para isso\u201d, acrescenta. <\/p>\n<p>Por ora, os progn\u00f3sticos do BC indicam aumento de 0,25 ponto percentual na Selic em mar\u00e7o pr\u00f3ximo, para 12,50%. Ser\u00e1 a resposta \u00e0 disparada da infla\u00e7\u00e3o neste in\u00edcio de ano. A ideia \u00e9 manter os juros inalterados pelo menos at\u00e9 dezembro, quando o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) poder\u00e1 se sentir mais confort\u00e1vel no sentido de dar um al\u00edvio \u00e0 economia, caso a carestia esteja caminhando para o centro da meta, de 4,5%. \u201cEsse \u00e9 o quadro atual. Mas tudo pode mudar se o pior acontecer\u201d, diz um assessor do Pal\u00e1cio do Planalto. <\/p>\n<p>Os mais otimistas do governo \u2014 que s\u00e3o poucos, ressalte-se \u2014, acreditam que 2016 ser\u00e1 o \u201cgrande ano da virada\u201d. Alegam que n\u00e3o h\u00e1 como o PIB n\u00e3o crescer pelo menos 2%, pois a base de compara\u00e7\u00e3o ser\u00e1 muito baixa. Preveem, ainda, que o d\u00f3lar mais alto, na casa dos R$ 3, estimular\u00e1 as exporta\u00e7\u00f5es e baratear\u00e1 o custo de produ\u00e7\u00e3o, sobretudo da m\u00e3o de obra. \u201cN\u00e3o temos d\u00favida de que ficar\u00e1 mais barato produzir no Brasil\u201d, ressalta um desses t\u00e9cnicos mais confiantes. Para ele, com a recess\u00e3o de 2015, a infla\u00e7\u00e3o vai despencar, j\u00e1 que os pre\u00e7os livres acompanhar\u00e3o a demanda mais fraca, n\u00e3o haver\u00e1 mais tarifas p\u00fablicas represadas e os servi\u00e7os sentir\u00e3o o baque do desemprego maior. <\/p>\n<p>Tudo, no entanto, s\u00e3o apostas e desejos. A travessia de 2015 ser\u00e1 muito dif\u00edcil, e Dilma ter\u00e1 que, a todo momento, mesmo nas ocasi\u00f5es mais dif\u00edceis, reafirmar a convic\u00e7\u00e3o de que seu compromisso com a austeridade fiscal e o combate \u00e0 infla\u00e7\u00e3o \u00e9 para valer. Na cabe\u00e7a do empresariado e dos investidores, Levy, que simboliza a guinada no governo, ser\u00e1 uma pe\u00e7a muito vulner\u00e1vel no governo por um bom tempo. A desconfian\u00e7a \u00e9 culpa do hist\u00f3rico da presidente. <\/p>\n<p><b>Complac\u00eancia com a infla\u00e7\u00e3o<\/b> <\/p>\n<p>\u00c9 assustador como o governo e os analistas de mercado t\u00eam falado com tanta naturalidade da infla\u00e7\u00e3o, que atingiu mais de 7% neste in\u00edcio do ano. Dizem que esse \u00e9 o pre\u00e7o a se pagar por todos os erros cometidos por Dilma Rousseff desde que ela tomou posse em 2011. N\u00e3o h\u00e1 uma s\u00f3 palavra de indigna\u00e7\u00e3o. Um n\u00edvel t\u00e3o elevado do custo de vida deve p\u00f4r todos em alerta. Os sinais de descontrole s\u00e3o vis\u00edveis. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) est\u00e1 em alta h\u00e1 cinco anos. Em 2015, n\u00e3o ficar\u00e1, em nenhum m\u00eas, abaixo do limite de toler\u00e2ncia definido pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), de 6,5%. \u00c9 inaceit\u00e1vel. <\/p>\n<p><b>Andr\u00e9 Minella na diretoria do BC<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb S\u00e3o fortes os rumores no mercado de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode premiar Andr\u00e9 Minella e lhe dar uma diretoria na institui\u00e7\u00e3o. T\u00e9cnico de carreira da autoridade monet\u00e1ria, ele \u00e9 um dos respons\u00e1veis pelo Samba, modelo econ\u00f4mico usado pelo Copom para definir a taxa b\u00e1sica de juros. <\/p>\n<p><b>Cr\u00e9dito \u00e0s construtoras<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os bancos continuam concedendo, mesmo que em menor quantidade, cr\u00e9ditos \u00e0s construtoras envolvidas na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, que investiga corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras. Apesar dos elevados riscos que as empresas oferecem, as institui\u00e7\u00f5es financeiras acreditam que suspender os repasses agora pode levar a uma quebradeira em s\u00e9rie. As d\u00edvidas das empreiteiras com os bancos chegam a R$ 141 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p><b>Problema pol\u00edtico<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A avalia\u00e7\u00e3o dos bancos \u00e9 de que a maior parte das construtoras sob suspeita t\u00eam excelentes ativos, que podem ser vendidos para quitar os financiamentos. Algumas institui\u00e7\u00f5es est\u00e3o, inclusive, buscando potenciais compradores para os empreendimentos que possam reduzir os d\u00e9bitos das empreiteiras. \u201cSabemos que o problema das construtoras n\u00e3o \u00e9 econ\u00f4mico, \u00e9 pol\u00edtico\u201d, diz um executivo de um banco privado. <\/p>\n<p><b>Comendo nas m\u00e3os de Cunha<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Ningu\u00e9m no mercado financeiro consegue entender como o governo foi t\u00e3o in\u00e1bil na disputa pela presid\u00eancia da C\u00e2mara dos Deputados. Tr\u00eas ministros palacianos \u2014 Aloizio Mercadante, Miguel Rosseto e Pepe Vargas \u2014 foram de peito aberto para uma briga perdida. Agora, ter\u00e3o de comer nas m\u00e3os de Eduardo Cunha, o vencedor. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h10min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo j\u00e1 absorveu a possibilidade de haver queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. 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