{"id":380,"date":"2016-01-13T08:30:25","date_gmt":"2016-01-13T10:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=380"},"modified":"2016-01-13T13:11:57","modified_gmt":"2016-01-13T15:11:58","slug":"batalha-dos-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/batalha-dos-juros\/","title":{"rendered":"BATALHA DOS JUROS"},"content":{"rendered":"<p>O Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e1 convencido de que, at\u00e9 o pr\u00f3ximo dia 20, o Banco Central se dar\u00e1 conta de que aumentar os juros agora ser\u00e1 um tiro no p\u00e9. A ordem da presidente Dilma Rousseff \u00e9 para que seus auxiliares n\u00e3o fa\u00e7am marolas em torno da pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), mas ela pr\u00f3pria est\u00e1 trabalhando nos bastidores para que a esperada eleva\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica da economia (Selic) fique apenas na promessa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A justificativa mais presente no discurso palaciano a favor da manuten\u00e7\u00e3o da Selic \u00e9 a perspectiva de uma nova desacelera\u00e7\u00e3o da economia mundial puxada pela China. H\u00e1 o temor de que, com o maior parceiro comercial do pa\u00eds afundando \u2014 as proje\u00e7\u00f5es j\u00e1 apontam para crescimento m\u00e9dio chin\u00eas de 4% ao ano at\u00e9 2020 \u2014, a recess\u00e3o brasileira, que \u00e9 brutal, se prolongue para al\u00e9m de 2017, dificultando os planos eleitorais do PT neste ano e, sobretudo, os de 2018.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do BC, o clima \u00e9 de apreens\u00e3o. Por mais que os diretores afirmem que est\u00e3o blindados em rela\u00e7\u00e3o a qualquer press\u00e3o pol\u00edtica, todos sentiram o baque dos movimentos dentro do governo para interferir na decis\u00e3o do Copom. O comando do banco reconhece que o quadro atual \u00e9 desafiador, mas ressalta que, quanto mais a discuss\u00e3o sobre os juros forem contaminadas pela pol\u00edtica, maiores ser\u00e3o as dificuldades para se chegar a um diagn\u00f3stico correto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Derrocada<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em reuni\u00e3o na Basileia, no \u00faltimo fim de semana, o presidente do BC, Alexandre Tombini, se deparou com um quadro de preocupa\u00e7\u00e3o com a China. Mas o humor dos presidentes do BCs presentes no encontro foi melhor do que o esperado. Ou seja, ningu\u00e9m est\u00e1 trabalhando com uma derrocada da segunda economia do planeta nem com uma onda de pessimismo que arraste o mundo, que crescer\u00e1 pouco mais de 3,1% em 2016, para o buraco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O grande questionamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 China na reuni\u00e3o dos BCs foi sobre a pol\u00edtica cambial do pa\u00eds. Em agosto do ano passado, o pa\u00eds asi\u00e1tico surpreendeu o mundo ao desvalorizar sua moeda, o yuan. A partir dali, a divisa passou por uma s\u00e9rie de corre\u00e7\u00f5es, estimulando um clima de incerteza sobre o que realmente querem os chineses. \u00c0 medida que o yuan perde valor em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, as moedas de pa\u00edses emergentes acabam perdendo valor. Para o Brasil, \u00e9 um problem\u00e3o, pois d\u00f3lar mais caro significa mais infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A garantia dos chineses aos presidentes do BC \u00e9 de que tudo ser\u00e1 feito de forma gradual, sem atropelos, dentro da estrat\u00e9gia do governo de transformar o pa\u00eds em uma economia de mercado, sustentada pelo consumo interno, mas todos os presentes reconheceram que os desafios s\u00e3o enormes. A China est\u00e1 atrelada a distor\u00e7\u00f5es. Os anos seguidos de forte crescimento, estimulado pelo setor p\u00fablico, criaram bolhas que, agora, precisam ser desinfladas. Os custos da corre\u00e7\u00e3o ser\u00e3o repartidos com todo o mundo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Amea\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por mais, por\u00e9m, que a China seja uma amea\u00e7a, os dilemas enfrentados pelo BC sobre o aumento dos juros est\u00e1 diretamente ligado a problemas criados exclusivamente pelo governo brasileiro. A necessidade apontada por parte dos integrantes do Copom de se elevar a Selic decorre do descompromisso com o controle da infla\u00e7\u00e3o. Desde que Dilma tomou posse, em 2011, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou distante do centro da meta em todos os anos. O argumento era de que os desvios tinham a ver com choques de todas as ordens que o pa\u00eds enfrentou. O descaso foi t\u00e3o grande que, em 2015, a infla\u00e7\u00e3o atingiu 10,67%, taxa inimagin\u00e1vel para uma economia que se diz compromissada com a estabilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de o custo de vida n\u00e3o dar tr\u00e9gua, o BC sequer sabe se poder\u00e1 contar com a ajuda do Minist\u00e9rio da Fazenda no que se refere ao ajuste fiscal. A meta de superavit prim\u00e1rio de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) ainda \u00e9 uma miragem. Olhando para a situa\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas hoje, pode-se garantir que o Tesouro Nacional ter\u00e1, em 2016, o terceiro ano seguido de deficit. Contas em desajustes significam mais press\u00e3o sobre a carestia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enfim, vamos assistir, nos pr\u00f3ximos dias, a um ataque em massa ao Banco Central. O PT j\u00e1 est\u00e1 pregando abertamente a substitui\u00e7\u00e3o de Alexandre Tombini caso os juros subam na pr\u00f3xima semana. O partido da presidente Dilma deveria, por\u00e9m, deixar os assuntos econ\u00f4micos de lado e prestar contas ao pa\u00eds da corrup\u00e7\u00e3o, sobretudo na Petrobras. Onde o PT bota o dedo \u00e9 sinal de que o desastre \u00e9 iminente.<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Pal\u00e1cio do Planalto est\u00e1 convencido de que, at\u00e9 o pr\u00f3ximo dia 20, o Banco Central se dar\u00e1 conta de que aumentar os juros agora ser\u00e1 um tiro no p\u00e9. 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