{"id":385,"date":"2016-01-14T08:30:27","date_gmt":"2016-01-14T10:30:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=385"},"modified":"2016-01-15T12:30:50","modified_gmt":"2016-01-15T14:30:50","slug":"tiro-na-mosca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/tiro-na-mosca\/","title":{"rendered":"TIRO NA MOSCA"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 se formando o consenso de que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano ser\u00e1 maior do que a registrada em 2015. As proje\u00e7\u00f5es est\u00e3o encostando em 4%, o que vai acelerar o desemprego e derrubar a renda dos trabalhadores a n\u00edveis de 2010. \u00c9 esse quadro dram\u00e1tico que vem servindo de base para que um grupo de conceituados economistas rechace a possibilidade de o Banco Central aumentar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na pr\u00f3xima semana.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ambiente no pa\u00eds \u00e9 de extrema desconfian\u00e7a. Ningu\u00e9m, nem empres\u00e1rios, nem investidores, confia no governo. Com isso, a economia parou. Os mais pessimistas falam que a atividade entrou em colapso. Ao subir os juros agora, o BC s\u00f3 contribuir\u00e1 para jogar a p\u00e1 de cal. E, pior, n\u00e3o conseguir\u00e1 derrubar as expectativas de infla\u00e7\u00e3o. As proje\u00e7\u00f5es do mercado s\u00f3 v\u00e3o cair quando os \u00edndices correntes mostrarem desacelera\u00e7\u00e3o consistente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o dos juros na semana que vem n\u00e3o servir\u00e1 sequer para trazer o que o BC mais deseja: reputa\u00e7\u00e3o. A credibilidade da institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 no ch\u00e3o. A infla\u00e7\u00e3o s\u00f3 atingiu os n\u00edveis atuais, quase 11%, por culpa dos erros do governo, do qual o Banco Central faz parte. Quase nada foi feito de efetivo nos \u00faltimos anos para retomar o controle do custo de vida. O BC, em sua defesa, alega que promoveu um dos maiores apertos monet\u00e1rios da hist\u00f3ria, ao aumentar a Selic de 7,25% para 14,25% desde 2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se os juros realmente tivessem efetividade, o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) n\u00e3o teria se deslocado tanto do centro da meta, de 4,5%. Est\u00e1 claro para todo mundo que o problema \u00e9 o governo. O BC poder\u00e1 continuar subindo a Selic at\u00e9 20% sem que os agentes comprem a ideia de que, desta vez, h\u00e1 um compromisso real de se derrubar a carestia. N\u00e3o h\u00e1. O governo n\u00e3o far\u00e1 o esfor\u00e7o fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, porque as receitas continuar\u00e3o minguando e os cortes de gastos ser\u00e3o paliativos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Entrega de cargos<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para os diretores do BC que defendem a alta dos juros, tornou-se conveniente a press\u00e3o do PT em rela\u00e7\u00e3o a eles. Acreditam que ganharam um argumento a mais para sancionar o arrocho. Na verdade, em vez de tentarem mostrar autonomia impondo um rem\u00e9dio amargo demais \u00e0 economia, deveriam pedir para sair. Entregariam os cargos alegando que, se \u00e9 para fazer o que o partido da presidente Dilma Rousseff quer, melhor seria a legenda indicar diretamente os nomes para o banco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC, infelizmente, foi tragado pelo desastre econ\u00f4mico dos \u00faltimos anos. Era para ser uma ilha de excel\u00eancia, mas ficou ref\u00e9m de um governo que destruiu todas as bases da estabilidade. Hoje, empresas e fam\u00edlias n\u00e3o podem fazer planos. N\u00e3o t\u00eam a garantia de que o poder de compra ser\u00e1 mantido nos pr\u00f3ximos meses. O discurso do comandante da autoridade monet\u00e1ria, Alexandre Tombini, de que tudo far\u00e1 para levar a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta at\u00e9 o fim de 2017 n\u00e3o convence.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dada a situa\u00e7\u00e3o que se v\u00ea no pa\u00eds hoje, \u00e9 melhor o BC n\u00e3o fazer nada. \u00c9 esperar para ver, com mais clareza, para onde vai a atividade. A infla\u00e7\u00e3o vai cair, mas n\u00e3o ser\u00e1 pelo aumento dos juros. Ceder\u00e1 porque o Produto Interno Bruto (PIB) encolher\u00e1 de uma tal forma que restar\u00e1 pouco espa\u00e7o para corre\u00e7\u00e3o de pre\u00e7os. Em vez de elevar a Selic para matar uma mosca, o BC deveria trabalhar pesado dentro do governo para convencer a Fazenda de que, sem ajuste fiscal, a carestia continuar\u00e1 minando o consumo e os investimentos produtivos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quem acompanha o dia a dia do BC sabe que nem tudo est\u00e1 perdido. H\u00e1 uma clara divis\u00e3o entre os diretores sobre o que fazer com a Selic. Talvez esse racha seja a melhor not\u00edcia que a institui\u00e7\u00e3o possa dar ao fim da reuni\u00e3o do Copom na quarta-feira que vem. No tradicional comunicado ao mercado, poder\u00e1 dizer que n\u00e3o houve consenso, que alguns integrantes do Comit\u00ea votaram pela alta dos juros, mas a maioria optou pela manuten\u00e7\u00e3o da taxa. Para dar maior \u00eanfase \u00e0 decis\u00e3o, o placar seria mais apertado do que o do encontro de novembro do ano passado, quando apenas dois diretores foram a favor da alta da Selic. Nada que seja um drama para esse BC t\u00e3o male\u00e1vel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 se formando o consenso de que a queda do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano ser\u00e1 maior do que a registrada em 2015. 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