{"id":387,"date":"2016-01-15T12:33:15","date_gmt":"2016-01-15T14:33:15","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=387"},"modified":"2016-01-15T12:33:15","modified_gmt":"2016-01-15T14:33:15","slug":"pacote-furado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pacote-furado\/","title":{"rendered":"PACOTE FURADO"},"content":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff est\u00e1 convencida de que os investidores v\u00e3o comprar o pacote de bondades que vem sendo preparado pela equipe do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para estimular a economia. A vis\u00e3o do Pal\u00e1cio do Planalto \u00e9 de que h\u00e1 o entendimento, entre os agentes de mercado, de que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel o governo assistir, impass\u00edvel, \u00e0 atividade afundar sem que nada seja feito para evitar nova queda do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano perto de 4%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Faz parte do jogo o Planalto difundir uma imagem positiva do pacote que est\u00e1 por vir. Mas poucos acreditam no sucesso das medidas que t\u00eam sido colocadas na m\u00eddia como forma de testar o humor do mercado. A base dos est\u00edmulos est\u00e1 no cr\u00e9dito, que, desde o ano passado, deixou de ser um importante motor para a atividade. Al\u00e9m de os financiamentos estarem caros, empresas e fam\u00edlias est\u00e3o atoladas em d\u00edvidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nada, por\u00e9m, inquieta mais os especialistas do que o fato de Barbosa garantir que os est\u00edmulos n\u00e3o ter\u00e3o custos para o Tesouro Nacional. Por mais que o ministro bata nesta tecla, a desconfian\u00e7a \u00e9 enorme. A maioria dos investidores acredita que tanto os incentivos \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es quanto os oferecidos aos setores rural e habitacional ter\u00e3o impacto fiscal. N\u00e3o h\u00e1 engenharia que consiga evitar subs\u00eddios nas taxas de juros que v\u00eam sendo definidas para os empr\u00e9stimos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>V\u00edcios de origem<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema maior do Brasil hoje n\u00e3o \u00e9 a falta de cr\u00e9dito. \u00c9 a aus\u00eancia de credibilidade. O hist\u00f3rico do governo \u00e9 ruim demais. Desde que assumiu o comando do pa\u00eds, a presidente Dilma optou por caminhos errados. Apesar de todos os alertas, ela continuou sacrificando conquistas importantes, como o controle da infla\u00e7\u00e3o e o ajuste fiscal. N\u00e3o ser\u00e1 desta vez que conseguir\u00e1 o apoio para medidas que j\u00e1 demonstram ter v\u00edcios de origem, a come\u00e7ar por ter como mentor o homem que defendeu, com todas as for\u00e7as, a nova matriz econ\u00f4mica que levou a economia para o buraco.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se realmente querem tirar o Brasil do atoleiro, Dilma e Barbosa deveriam come\u00e7ar pela apresenta\u00e7\u00e3o de um pacote fiscal fact\u00edvel e consistente. Esse \u00e9 o grande n\u00f3 a ser desatado. N\u00e3o ser\u00e1 mexendo em regras de empr\u00e9stimos direcionados, liberando o Banco do Brasil de recolher recursos ao Banco Central ou mudando fatores de pondera\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito, que a grande maioria da popula\u00e7\u00e3o nem sabe o que \u00e9, que a economia retomar\u00e1 o f\u00f4lego. O pa\u00eds precisa \u00e9 de um governo confi\u00e1vel, compromissado com a estabilidade econ\u00f4mica. N\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para remendos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 sendo preparado pela Fazenda \u00e9 tamanha, que nem o BC est\u00e1 disposto a pagar para ver. Tanto que, mesmo dividido, discute a possibilidade de aumentar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), de 14,25%, na reuni\u00e3o da pr\u00f3xima semana do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). Se realmente estivesse certo de que a Fazenda far\u00e1 o ajuste fiscal prometido, de minguado 0,5% do PIB, certamente a institui\u00e7\u00e3o comandada por Alexandre Tombini pagaria o pre\u00e7o de esperar os resultados do ajuste nas contas para tomar uma decis\u00e3o. Melhor: a alta dos juros nem estaria no radar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>M\u00e3o amiga<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do que esperar pela ajuda da Fazenda, o BC talvez possa contar com a m\u00e3o amiga do Federal Reserve (Fed), a autoridade monet\u00e1ria dos Estados Unidos. O presidente da unidade de Saint Louis, James Bullard, visto como uma das vozes mais confi\u00e1veis da institui\u00e7\u00e3o norte-americana, est\u00e1 pregando que o processo de aumento de juros na maior economia do planeta seja interrompido. Ele acredita que, com o recente tombo do petr\u00f3leo, os pre\u00e7os da energia nos EUA v\u00e3o cair mais e impedir que a infla\u00e7\u00e3o suba para os 2% esperados pelo Fed.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pr\u00f3xima reuni\u00e3o do Fed ocorrer\u00e1 uma semana depois do encontro do Copom. Se o BC norte-americano adiar a eleva\u00e7\u00e3o dos juros, o d\u00f3lar deve perder valor em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s moedas de pa\u00edses emergentes. Um real mais valorizado significa menos press\u00e3o sobre a infla\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode esquecer de que, desde a \u00faltima reuni\u00e3o do Copom, em novembro do ano passado, a moeda norte-americana subiu quase 7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse cen\u00e1rio, na pior das hip\u00f3teses, o BC poderia subir a Selic na semana que vem e dar apenas mais uma alta na reuni\u00e3o seguinte do Copom e encerrar o arrocho monet\u00e1rio. Com tantas possibilidades sobre a mesa dos diretores do BC, os pr\u00f3ximos dias prometem muita emo\u00e7\u00e3o. E o pacote do governo est\u00e1 fadado a se tornar um mero coadjuvante, envolto pela desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff est\u00e1 convencida de que os investidores v\u00e3o comprar o pacote de bondades que vem sendo preparado pela equipe do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, para estimular a economia. 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