{"id":391,"date":"2016-01-19T08:30:42","date_gmt":"2016-01-19T10:30:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=391"},"modified":"2016-01-19T11:49:32","modified_gmt":"2016-01-19T13:49:32","slug":"amargo-regresso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/amargo-regresso\/","title":{"rendered":"AMARGO REGRESSO"},"content":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o da economia pelo menos at\u00e9 o fim do terceiro trimestre do ano. Nesse per\u00edodo, o pa\u00eds vai assistir a uma onda fort\u00edssima de desemprego, regada a juros altos e infla\u00e7\u00e3o resistente. Na melhor das hip\u00f3teses, o Brasil come\u00e7ar\u00e1 a respirar depois das elei\u00e7\u00f5es municipais. Isso, \u00e9 claro, se o governo n\u00e3o recorrer a invencionices na \u00e2nsia de garantir uns votos a mais para o PT na disputa por prefeituras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se viu em 2015 ser\u00e1 pouco perto do desastre anunciado para os pr\u00f3ximos meses. O mercado de trabalho dar\u00e1 p\u00e9ssimas not\u00edcias \u00e0s fam\u00edlias. As demiss\u00f5es v\u00e3o se disseminar, criando uma sensa\u00e7\u00e3o de desconforto que bater\u00e1 pesado no Pal\u00e1cio do Planalto. Ser\u00e1 a maior das batalhas a ser enfrentada pela presidente Dilma Rousseff. O desemprego alto mexer\u00e1 com os eleitores e levar\u00e1 os partidos da base aliada a ampliarem a press\u00e3o por mudan\u00e7as na pol\u00edtica econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 por isso que os investidores est\u00e3o descrentes em rela\u00e7\u00e3o aos rumos da economia. N\u00e3o veem qualquer espa\u00e7o para o governo insistir em um ajuste fiscal mais consistente, que resulte de medidas aprovadas pelo Congresso. O discurso de Dilma de que aprovar\u00e1 uma s\u00e9rie de reformas, em especial a da Previd\u00eancia, ser\u00e1 esvaziado rapidamente. Ficar\u00e1 quase imposs\u00edvel para o governo sustentar propostas que, na avalia\u00e7\u00e3o dos partidos da base, signifiquem perdas de direitos pelos trabalhadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os analistas est\u00e3o certos de que os riscos para a economia aumentaram muito. \u201cEm vez de sinais de revers\u00e3o, o que vemos \u00e9 uma piora geral\u201d, diz o economista S\u00edlvio Campos Neto, da Tend\u00eancias Consultoria. \u201cO nosso entendimento \u00e9 de que o estrago no mercado de trabalho pode se estender at\u00e9 2017\u201d, afirma. Com isso, acredita ele, os protestos das ruas v\u00e3o se agigantar \u00e0 medida que a deteriora\u00e7\u00e3o da atividade se tornar mais clara.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Descr\u00e9dito<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O governo j\u00e1 disp\u00f5e de informa\u00e7\u00f5es do quadro dram\u00e1tico que est\u00e1 sendo gestado. Foi por essa raz\u00e3o que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, se apressou em difundir a promessa de que est\u00e1 sendo preparado um pacote de medidas para, ao menos, estabilizar a economia. Ele nem fala mais em retomada do crescimento. A prioridade \u00e9 segurar a locomotiva que est\u00e1 caminhando rapidamente para o precip\u00edcio. Poucos, por\u00e9m, acreditam no sucesso da empreitada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de o governo n\u00e3o demonstrar compromisso real em colocar a economia nos trilhos, os pol\u00edticos que dizem apoiar Dilma, e deveriam abra\u00e7ar um projeto de responsabilidade fiscal, est\u00e3o mais focados em trazer de volta o populismo que prevaleceu nos \u00faltimos anos. Acreditam que, em um ano eleitoral, o governo deve estimular a atividade a qualquer custo, mesmo que num prazo curto, mas suficiente para enganar os que v\u00e3o depositar os votos nas urnas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ambiente est\u00e1 t\u00e3o turvo, diz Campos Neto, que, nos tr\u00eas cen\u00e1rios tra\u00e7ados pela Tend\u00eancias para 2016, o Produto Interno Bruto (PIB) ter\u00e1 queda. No que a consultoria considera como cen\u00e1rio b\u00e1sico, com Dilma se livrando do impeachment e Barbosa fazendo um ajuste fiscal m\u00ednimo, a economia ter\u00e1 retra\u00e7\u00e3o de 3%. A chance de essa hip\u00f3tese se concretizar \u00e9 de 45%. No cen\u00e1rio pessimista, com probabilidade de 35% de se tornar realidade, a presidente tamb\u00e9m se mant\u00e9m no cargo, mas, sem for\u00e7a para aprovar medidas no Congresso, opta por medidas populistas \u2014 o PIB tomba 5,7%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No quadro otimista, Dilma perde o mandato e o vice Michel Temer assume com for\u00e7a para fazer o ajuste fiscal e as reformas estruturais. O pa\u00eds encolhe, por\u00e9m, 1,8%. A possibilidade disso ocorrer \u00e9 de 25%. Se as proje\u00e7\u00f5es forem estendidas para 2017, o PIB sobe 0,1% no cen\u00e1rio b\u00e1sico, recua 2,4% no pessimista e cresce 1,4% no otimista. Esses n\u00fameros d\u00e3o a dimens\u00e3o do tamanho do estrago feito na economia nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ambiente hostil<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Toda a piora do Brasil se dar\u00e1 em um contexto internacional bem mais hostil. Os Estados Unidos j\u00e1 n\u00e3o demonstram a for\u00e7a dos \u00faltimos meses, a Europa n\u00e3o consegue sair do atoleiro e a China, que sustentou um longo per\u00edodo de avan\u00e7o dos pa\u00edses emergentes, principalmente os produtores de commodities, tenta salvar a pr\u00f3pria pele. Dilma pode at\u00e9 encontrar nesse novo ambiente global uma desculpa para encobrir a incapacidade de resgatar o Brasil. Mas est\u00e1 expl\u00edcito que todas as mazelas pelas quais estamos passando t\u00eam o DNA da petista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os temores de uma nova onda de desacelera\u00e7\u00e3o da economia mundial ser\u00e3o apresentados com todas as letras a Nelson Barbosa assim que ele desembarcar em Davos, na Su\u00ed\u00e7a, onde representar\u00e1 o Brasil no F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial. Sabe-se que o pa\u00eds ter\u00e1 pouqu\u00edssimo espa\u00e7o no evento. Mas a presen\u00e7a do ministro poder\u00e1 servir de aprendizado. A li\u00e7\u00e3o que ele mais ouvir\u00e1 \u00e9 a de que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para estripulias na pol\u00edtica econ\u00f4mica. O Brasil foi colocado \u00e0 margem pelos investidores justamente porque optou por aventuras que comprometeram o futuro de milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o h\u00e1 perspectiva de recupera\u00e7\u00e3o da economia pelo menos at\u00e9 o fim do terceiro trimestre do ano. Nesse per\u00edodo, o pa\u00eds vai assistir a uma onda fort\u00edssima de desemprego, regada a juros altos e infla\u00e7\u00e3o resistente. Na melhor das hip\u00f3teses, o Brasil come\u00e7ar\u00e1 a respirar depois das elei\u00e7\u00f5es municipais. 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