{"id":425,"date":"2016-01-31T08:30:55","date_gmt":"2016-01-31T10:30:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=425"},"modified":"2016-01-31T10:50:38","modified_gmt":"2016-01-31T12:50:38","slug":"erros-em-serie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/erros-em-serie\/","title":{"rendered":"ERROS EM S\u00c9RIE"},"content":{"rendered":"<p>O pacote de est\u00edmulo ao cr\u00e9dito, de R$ 83 bilh\u00f5es, anunciado pelo governo ter\u00e1 impacto m\u00ednimo sobre o consumo das fam\u00edlias, acredita F\u00e1bio Bentes, economista s\u00eanior da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC). Com o desemprego ganhando for\u00e7a, a tend\u00eancia \u00e9 de os trabalhadores fugirem de d\u00edvidas temendo n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de pag\u00e1-las mais adiante. Nem mesmo o incentivo aos empr\u00e9stimos consignados, que poder\u00e3o ser bancados com at\u00e9 10% do saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS), mais a multa de 40% em caso de demiss\u00e3o sem justa causa, anima o varejo. Na melhor das hip\u00f3teses, os est\u00edmulos dados pelo governo impedir\u00e3o um tombo maior que os 5,8% previstos para as vendas deste ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os lojistas reconhecem que o modelo de crescimento baseado no consumo se esgotou por completo. E n\u00e3o entendem por que a presidente Dilma Rousseff insiste nesse caminho. Na avalia\u00e7\u00e3o de Bentes, em outros tempos, o incremento do cr\u00e9dito consignado at\u00e9 poderia dar um g\u00e1s ao com\u00e9rcio. Mas, na atual conjuntura, com as fam\u00edlias superendividadas e as demiss\u00f5es atingindo n\u00edveis alarmantes, quem se arriscar a tomar empr\u00e9stimos com desconto em folha s\u00f3 trocar\u00e1 de d\u00edvidas, ou seja, sair\u00e1 do cheque especial ou do rotativo do cart\u00e3o de cr\u00e9dito para se pendurar em um d\u00e9bito menos caro. Ser\u00e1, por\u00e9m, um al\u00edvio tempor\u00e1rio no or\u00e7amento. Logo, logo, as mesmas pessoas voltar\u00e3o para o especial e o rotativo do cart\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cAs medidas do governo est\u00e3o longe de mudar a trajet\u00f3ria do varejo, que \u00e9 de queda. Este ser\u00e1 o terceiro ano seguido de contra\u00e7\u00e3o\u201d, diz Bentes. Em 2014, as vendas do com\u00e9rcio ca\u00edram 1,6%. No ano passado, o tombo chegou a 7,5%. Para 2016, h\u00e1 risco de os 5,8% projetados de contra\u00e7\u00e3o serem maiores. No entender do economista, houve um estrangulamento no or\u00e7amento dos consumidores, provocado pelo governo por meio do aumento das tarifas p\u00fablicas. O Banco Central calcula que, neste ano, o reajuste m\u00e9dio dos pre\u00e7os administrados (energia el\u00e9trica, passagens de \u00f4nibus, telefonia e combust\u00edveis) ser\u00e1 de 6%, um ter\u00e7o dos 18% computados em 2015. Mesmo assim, ser\u00e1 um baque.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Portas cerradas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos da CNC, independentemente do pacote do governo, mais de 1 milh\u00e3o de pessoas perder\u00e3o o emprego ao longo de 2016. Os mais pessimistas falam no fechamento de 2 milh\u00f5es de vagas com carteira assinada. Nesse contexto, n\u00e3o h\u00e1 como falar em aumento do consumo. As estimativas s\u00e3o t\u00e3o ruins que os varejistas s\u00f3 falam em fechar lojas. A Casas Bahia, a maior rede do pa\u00eds, deve encerrar a atividade de cerca de 100 pontos de vendas, a maior parte da marca Ponto Frio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e9cnicos mais sensatos do governo reconhecem o momento dram\u00e1tico da economia, que ainda est\u00e1 cavando o fundo o po\u00e7o. Para eles, de nada adianta o governo lan\u00e7ar m\u00e3o de remendos e paliativos sem resolver o maior dos problemas \u2014 o fiscal, que est\u00e1 na base da desconfian\u00e7a que mina o Produto Interno Bruto (PIB). Quando inclu\u00eddos os gastos com juros da d\u00edvida, o setor p\u00fablico o regista deficit nominal equivalente a 10,3% de todas as riquezas produzidas pela pa\u00eds. Trata-se de um buraco quatro vezes maior do que registrado no in\u00edcio do primeiro mandato de Dilma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cVivemos tempos tenebrosos na economia\u201d, admite um ministro com grande tr\u00e2nsito no Pal\u00e1cio do Planalto. \u201cN\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 indicador que se sustente de p\u00e9\u201d, acrescenta. Ele ressalta ser assustador a falta de vis\u00e3o da equipe econ\u00f4mica, que gira, gira, e volta pelo mesmo caminho, cometendo os mesmos erros. \u201cChega a ser constrangedor ver uma pessoa como Nelson Barbosa (ministro da Fazenda) falando, prometendo isso e aquilo, sabendo que n\u00e3o pode cumprir.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Defesa de Tombini<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No Pal\u00e1cio, o discurso \u00e9 de que os cr\u00edticos do governo ter\u00e3o de rever suas posi\u00e7\u00f5es, sobretudo em rela\u00e7\u00e3o ao presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que vem sendo acusado de ter cedido \u00e0s press\u00f5es de Dilma para se manter no cargo. Um dos mais exaltados assessores da presidente da Rep\u00fablica assegura que Tombini \u201cfoi vision\u00e1rio\u201d e se antecipou \u00e0 ru\u00edna da economia mundial ao defender a manuten\u00e7\u00e3o da taxa b\u00e1sica de juros (Selic) em 14,25% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os defensores de Tombini agregam dois argumentos ao discurso. Primeiro, a forte desacelera\u00e7\u00e3o da economia dos Estados Unidos no quarto trimestre de 2015, devido \u00e0 fragilidade da atividade global, que levou o Federal Reserve (Fed), o BC norte-americano, a suspender a eleva\u00e7\u00e3o dos juros por l\u00e1. O segundo, a decis\u00e3o do Jap\u00e3o de anunciar juros negativos, isto \u00e9, as pessoas pagar\u00e3o para manter o dinheiro nos bancos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A aposta \u00e9 de que, confirmado o \u201csalve-se quem puder\u201d na economia internacional, Tombini ter\u00e1 argumentos para reduzir a Selic mais cedo do que os investidores projetam. \u201cE n\u00e3o ser\u00e1 por press\u00e3o pol\u00edtica\u201d, afirma um auxiliar de Dilma. \u201cVai sobrar tanto dinheiro no mundo atr\u00e1s de juros altos, que o real pode voltar a se valorizar em rela\u00e7\u00e3o ao d\u00f3lar, obrigando o BC a retomar o processo de compra da moeda norte-americana\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O tempo dir\u00e1 se os defensores de Tombini est\u00e3o certos. Uma coisa, por\u00e9m, eles n\u00e3o podem negar: o Brasil est\u00e1 extremamente fragilizado e sofrer\u00e1 muito se o mundo ruir. Em vez de enfrentar uma marolinha, o pa\u00eds ser\u00e1 devastado por um tsunami.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O pacote de est\u00edmulo ao cr\u00e9dito, de R$ 83 bilh\u00f5es, anunciado pelo governo ter\u00e1 impacto m\u00ednimo sobre o consumo das fam\u00edlias, acredita F\u00e1bio Bentes, economista s\u00eanior da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC). Com o desemprego ganhando for\u00e7a, a tend\u00eancia \u00e9 de os trabalhadores fugirem de d\u00edvidas temendo n\u00e3o ter condi\u00e7\u00f5es de pag\u00e1-las mais adiante. 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