{"id":430,"date":"2016-02-02T08:30:32","date_gmt":"2016-02-02T10:30:32","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=430"},"modified":"2016-02-02T13:35:42","modified_gmt":"2016-02-02T15:35:42","slug":"corte-nos-juros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/corte-nos-juros\/","title":{"rendered":"CORTE NOS JUROS"},"content":{"rendered":"<p>Uma parcela do mercado financeiro j\u00e1 come\u00e7a a cogitar a possibilidade de o Banco Central cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) a partir de abril como forma de responder \u00e0 depress\u00e3o da economia. O entendimento \u00e9 de que os primeiros n\u00fameros da atividade em 2016 v\u00e3o mostrar um pa\u00eds em colapso, com retra\u00e7\u00e3o maior que a registrada no ano passado. N\u00fameros iniciais colhidos pelo BC, referentes a janeiro, apontam que o precip\u00edcio ficou muito mais pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o entre os diretores do BC, por\u00e9m, \u00e9 de passar a vis\u00e3o de que n\u00e3o h\u00e1 perspectiva de mudan\u00e7a na pol\u00edtica monet\u00e1ria t\u00e3o cedo. Depois da desastrosa opera\u00e7\u00e3o comandada pelo presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, de rasgar e enterrar documentos e discursos indicando a alta da Selic, o banco n\u00e3o quer alimentar expectativas que, a princ\u00edpio, n\u00e3o t\u00eam como se concretizar diante da insist\u00eancia da infla\u00e7\u00e3o em se manter acima de 10%, o que se ver\u00e1 at\u00e9 mar\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC acredita, contudo, que, mesmo com os agentes econ\u00f4micos piorando as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o para este ano e os pr\u00f3ximos, o custo de vida ceder\u00e1 mais r\u00e1pido que o projetado. Um t\u00e9cnico graduado do banco ressalta que muita gente ainda n\u00e3o se deu conta dos efeitos deflacion\u00e1rios da queda do pre\u00e7o do petr\u00f3leo. \u201cA tend\u00eancia \u00e9 de s\u00f3 se olhar para os pre\u00e7os da gasolina. Mas o impacto do petr\u00f3leo na economia \u00e9 muito maior, vai da cadeia petroqu\u00edmica ao querosene de avia\u00e7\u00e3o\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>T\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Evandro Buccini, economista-chefe da Rio Bravo Investimentos, ao cogitar a queda dos juros, o mercado est\u00e1 buscando se apegar a not\u00edcias boas como t\u00e1bua de salva\u00e7\u00e3o. Ontem, por exemplo, o d\u00f3lar caiu abaixo de R$ 4 porque os investidores viram com bons olhos o cerco que se montou em torno do ex-presidente Lula pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. A cren\u00e7a \u00e9 de que, se for preso, o petista ter\u00e1 que abrir n\u00e3o da candidatura \u00e0 sucess\u00e3o de Dilma Rousseff em 2018, encerrando a era PT.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cSinceramente, n\u00e3o h\u00e1 como ser otimista, por mais que se queira. A situa\u00e7\u00e3o do Brasil hoje \u00e9 assustadora\u201d, afirma Buccini. Ele ressalta que as contas p\u00fablicas explicitam que o pa\u00eds est\u00e1 em severa crise fiscal, com rombo que passa de 10% do Produto Interno Bruto (PIB). \u201cS\u00e3o dados de na\u00e7\u00f5es em guerra\u201d, ressalta. A situa\u00e7\u00e3o se agrava, no entender dele, porque o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, n\u00e3o d\u00e1 sinais de comprometimento com a arruma\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as governamentais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m de apresentar remendos para reativar a economia, como o pacote de cr\u00e9dito de R$ 83 bilh\u00f5es, o ministro joga para o Congresso toda a responsabilidade do ajuste fiscal. Como Buccini n\u00e3o acredita em for\u00e7a pol\u00edtica do governo para levar adiante medidas impopulares, n\u00e3o descarta a hip\u00f3tese de o deficit p\u00fablico fechar este ano al\u00e9m de 2% do PIB, ou seja, acima do observado em 2015. \u201cMesmo com mais impostos, o rombo poder\u00e1 ficar entre 1% e 1,5% do PIB\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desemprego<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O deficit fiscal vir\u00e1 acompanhado da disparada do desemprego, diz Buccini. \u201cEstamos prevendo \u00edndice de desocupa\u00e7\u00e3o acima de 12%\u201d, destaca. Se essa taxa se concretizar, a popula\u00e7\u00e3o tender\u00e1 a cair da real. Hoje, mesmo com a maior recess\u00e3o desde o in\u00edcio dos anos 1930, com todas as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o e a infla\u00e7\u00e3o persistentemente elevada, os eleitores continuam passivos, longe das ruas, como se nada estivesse acontecendo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEsse quadro tende a mudar \u00e0 medida que o desemprego for batendo \u00e0 porta das fam\u00edlias\u201d, assinala o economista da Rio Bravo. Sem sal\u00e1rios, muitos trabalhadores n\u00e3o ter\u00e3o como pagar as contas em dia. Tamb\u00e9m n\u00e3o conseguir\u00e3o tomar cr\u00e9dito. \u201cNesse contexto, as pessoas que n\u00e3o ligaram o modo crise o far\u00e3o\u201d, acrescenta. A passividade da popula\u00e7\u00e3o s\u00f3 favorece o governo, que continua fazendo escolhas erradas e prolongando o sofrimento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Buccini diz ainda que, mesmo diante de novas turbul\u00eancias na economia internacional, n\u00e3o haver\u00e1 como o governo jogar a culpa na China, nos Estados Unidos ou na Europa. \u201cOs problemas s\u00e3o todos nossos. E a \u00fanica forma de super\u00e1-los ser\u00e1 mudar a dire\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica econ\u00f4mica e as pessoas que est\u00e3o no comando do pa\u00eds\u201d, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma parcela do mercado financeiro j\u00e1 come\u00e7a a cogitar a possibilidade de o Banco Central cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) a partir de abril como forma de responder \u00e0 depress\u00e3o da economia. 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