{"id":44,"date":"2015-02-11T08:16:00","date_gmt":"2015-02-11T10:16:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o_que_o_bc_quer\/"},"modified":"2015-02-11T08:16:00","modified_gmt":"2015-02-11T10:16:00","slug":"o_que_o_bc_quer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o_que_o_bc_quer\/","title":{"rendered":"O QUE O BC QUER?"},"content":{"rendered":"\n<p>Na sua primeira apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica como diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira n\u00e3o economizou na turbul\u00eancia provocada no mercado financeiro. Ao ressuscitar o termo \u201cespecialmente vigilante\u201d para definir a preocupa\u00e7\u00e3o do BC com a infla\u00e7\u00e3o, ele deixou os investidores at\u00f4nitos. Conseguiu, em quest\u00e3o de minutos, mudar toda a dire\u00e7\u00e3o das taxas de juros dos contratos futuros e inverter a tend\u00eancia do d\u00f3lar, que come\u00e7ava a cair \u2014 a moeda saltou de R$ 2,82 para R$ 2,84. <\/p>\n<p>At\u00e9 Awazu abrir a boca, havia quase um consenso no mercado de que o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) daria mais uma alta de 0,25 ponto percentual nos juros, na sua reuni\u00e3o de mar\u00e7o, e encerraria o ciclo de aperto com a taxa b\u00e1sica (Selic) em 12,50% ao ano, patamar elevad\u00edssimo para uma economia mergulhada na recess\u00e3o. Mas, ao resgatar o termo abandonado pelo BC, o diretor mudou o rumo das apostas. Os investidores entenderam que \u00e9 desejo da autoridade monet\u00e1ria dar um aumento de 0,5 ponto na Selic no m\u00eas que vem e, talvez, mais 0,25 em abril, com os juros chegando a 13%. <\/p>\n<p>A declara\u00e7\u00e3o de Awazu s\u00f3 confirma o quanto o BC est\u00e1 perdido na condu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica monet\u00e1ria, provocando ru\u00eddos desnecess\u00e1rios no mercado com sua comunica\u00e7\u00e3o errante. Em dezembro do ano passado, quando elevou a Selic em 0,5 ponto percentual, o Copom afirmou, no comunicado p\u00f3s-reuni\u00e3o, que \u201co esfor\u00e7o adicional de pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d tenderia \u201ca ser implementado com parcim\u00f4nia\u201d. Ou seja, que os investidores n\u00e3o esperassem altas mais fortes da Selic. Diante disso, consolidou-se, entre os agentes econ\u00f4micos, que, no encontro seguinte, em janeiro, o comit\u00ea reduziria a alta da taxa b\u00e1sica para 0,25 ponto. <\/p>\n<p>No fim de dezembro, por\u00e9m, o ent\u00e3o diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Carlos Hamilton, falou grosso ao divulgar o relat\u00f3rio trimestral de infla\u00e7\u00e3o. Esqueceu \u201ca parcim\u00f4nia\u201d e enfatizou que o BC \u201cfaria o necess\u00e1rio\u201d para conter as press\u00f5es inflacion\u00e1rias. Novamente, os investidores mudaram o rumo das apostas, num vaiv\u00e9m que s\u00f3 ampliou a desconfian\u00e7a que varre o pa\u00eds. Em janeiro, o Copom subiu a Selic em 0,5 ponto, para os atuais 12,25%. <\/p>\n<p>Na ata em que explicou os motivos para ter pesado a m\u00e3o nos juros, a autoridade monet\u00e1ria baixou o tom e, em nenhum momento, usou as express\u00f5es \u201cespecialmente vigilante\u201d e \u201cfazer o que for necess\u00e1rio\u201d. Resumo: o mercado comprou o discurso de que o BC estava disposto a dar somente um aumento de 0,25 ponto e nada mais. Awazu indicou, por\u00e9m, que o time liderado por Alexandre Tombini est\u00e1 perdido, n\u00e3o consegue se entender sobre o combate efetivo \u00e0 carestia, que, em 12 meses, atingiu 7,14%. <\/p>\n<p>Para analistas que acompanham, segundo a segundo, os movimentos do mercado futuro, se o novo diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do BC queria ajudar o Tesouro Nacional ao derrubar as taxas de longo prazo, que servem de par\u00e2metro para o custo da d\u00edvida p\u00fablica, errou feio. Os juros dispararam. Perante a falta de credibilidade da autoridade monet\u00e1ria, os investidores passaram a embutir, nas taxas, pr\u00eamios maiores de riscos para cobrir eventuais mudan\u00e7as de rota. Os mais afoitos correram para o d\u00f3lar como forma de prote\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 s\u00f3: ao indicar que pode levar a Selic para 13% ao ano, como entendeu grande parte do mercado, o BC passou a jogar contra o ajuste fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Quanto mais a taxa b\u00e1sica sobe, maior \u00e9 o gasto com juros da d\u00edvida e maior \u00e9 a necessidade do governo de economizar recursos para pagar seus credores e evitar a deteriora\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. <\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o que se tem, diante dos constantes cavalos de pau dados na pol\u00edtica monet\u00e1ria, \u00e9 de que h\u00e1 um Guido Mantega dentro do Banco Central. Quando estava no comando da Fazenda, Mantega acelerava os gastos, destru\u00eda o ajuste fiscal e pressionava a infla\u00e7\u00e3o, obrigando o BC a refor\u00e7ar a alta dos juros. Agora, com o ajuste fiscal firme prometido por Levy, n\u00e3o h\u00e1 necessidade de o BC ser t\u00e3o rigoroso com a Selic, uma vez que o n\u00edvel de atividade est\u00e1 no ch\u00e3o. <\/p>\n<p>Para n\u00e3o confundir mais e resgatar a previsibilidade da pol\u00edtica monet\u00e1ria, seria de bom tom o BC mostrar o que realmente quer. Com todo o estrago provocado pela presidente Dilma Rousseff na economia, n\u00e3o \u00e9 recomend\u00e1vel que uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o s\u00e9ria ponha mais lenha na fogueira da desconfian\u00e7a. <\/p>\n<p><b>Swaps op\u00f5em Levy e Tombini<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb T\u00e9cnicos do governo admitem haver um descompasso entre Alexandre Tombini e Joaquim Levy. Pelo ministro da Fazenda, o Banco Central j\u00e1 teria suspendido as interven\u00e7\u00f5es di\u00e1rias no c\u00e2mbio e deixaria o d\u00f3lar se valorizar para resgatar a competitividade da ind\u00fastria nacional. Mas o presidente da autoridade monet\u00e1ria bate o p\u00e9 e insiste na manuten\u00e7\u00e3o da venda de contratos de swaps para evitar excesso de volatilidade nos pre\u00e7os da moeda norte-americana. <\/p>\n<p><b>Desde o Copom, alta de 10%<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Desde a \u00faltima reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria, em 28 de janeiro, o d\u00f3lar j\u00e1 subiu 10%. Entre os economistas, a vis\u00e3o \u00e9 de que, por mais que a atividade esteja fraca, haver\u00e1 algum repasse para os pre\u00e7os, ajudando a manter a infla\u00e7\u00e3o bem longe do teto da meta neste ano. <\/p>\n<p><b>Carestia pode subir 8%<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os analistas mais pessimistas est\u00e3o projetando infla\u00e7\u00e3o entre 7,5% e 8% para este ano. Em rela\u00e7\u00e3o ao desemprego, apostam em taxas variando entre 6,5% e 7%. Esses n\u00fameros j\u00e1 foram coletados pelas pesquisas realizadas pelo Banco Central no mercado. E tiram o sono do Pal\u00e1cio do Planalto. <\/p>\n<p><b>Lua de mel chega ao fim<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Est\u00e1 ficando muito claro entre os investidores que a lua de mel deles com o governo chegou ao fim. Com a amea\u00e7a de racionamento de \u00e1gua e de energia, o n\u00edvel de atividade despencando e o Planalto tomando sovas seguidas no Congresso, ningu\u00e9m mais acredita que Joaquim Levy conseguir\u00e1 entregar a meta fiscal de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB). Depois que Levy anunciou as medidas para recuperar a sa\u00fade das contas p\u00fablicas, o d\u00f3lar despencou de R$ 2,70 para R$ 2,55. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 08h16min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na sua primeira apari\u00e7\u00e3o p\u00fablica como diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira n\u00e3o economizou na turbul\u00eancia provocada no mercado financeiro. 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