{"id":45,"date":"2015-02-12T12:03:00","date_gmt":"2015-02-12T14:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_falta_que_faz_a_conviccao\/"},"modified":"2015-02-12T12:03:00","modified_gmt":"2015-02-12T14:03:00","slug":"a_falta_que_faz_a_conviccao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/a_falta_que_faz_a_conviccao\/","title":{"rendered":"A FALTA QUE FAZ A CONVIC\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"\n<p>O setor privado brasileiro j\u00e1 est\u00e1 em recess\u00e3o. Dados compilados pela economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, mostram que, nos tr\u00eas primeiros trimestres de 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) registrou queda m\u00e9dia de 0,4%, quando descontados todos os fatores at\u00edpicos (sazonais) do per\u00edodo. E n\u00e3o foi diferente no \u00faltimo trimestre do ano passado. <\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Zeina, entre janeiro e setembro de 2014, segundo n\u00fameros liberados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o consumo das fam\u00edlias e os investimentos (forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo) apontaram recuo m\u00e9dio de 1,4% por trimestre, tamb\u00e9m descontada a sazonalidade. J\u00e1 o consumo do governo avan\u00e7ou 1%. \u201cIsso mostra que foi o setor privado que encolheu\u201d, diz a economista. <\/p>\n<p>Como as informa\u00e7\u00f5es do \u00faltimo trimestre de 2014 s\u00f3 ser\u00e3o divulgadas no fim de mar\u00e7o, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel medir, exatamente, quanto recuaram o consumo das fam\u00edlias e os investimentos nesse per\u00edodo. \u201cMas \u00e9 certo que houve queda, mesmo que pequena\u201d, afirma Zeina. Ela ressalta que, no caso da forma\u00e7\u00e3o bruta de capital fixo, \u00e9 poss\u00edvel que j\u00e1 se perceba algum impacto da retra\u00e7\u00e3o dos desembolsos da Petrobras e de empreiteiras que prestam servi\u00e7os \u00e0 estatal, por causa da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. <\/p>\n<p>Diante desse quadro, destaca a economista, \u00e9 poss\u00edvel explicar o porqu\u00ea de as fam\u00edlias e os empres\u00e1rios estarem t\u00e3o desconfiados com o futuro do pa\u00eds. N\u00e3o veem perspectivas de recupera\u00e7\u00e3o da atividade t\u00e3o cedo. Na avalia\u00e7\u00e3o de Zeina, a revers\u00e3o do pessimismo s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando o ajuste fiscal se mostrar efetivo. Por enquanto, \u00e9 uma promessa do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que enfrenta s\u00e9rias resist\u00eancias dentro do governo e em boa parte do PT, o partido de Dilma Rousseff. <\/p>\n<p>Zeina explica que a farra fiscal que prevaleceu no primeiro mandato de Dilma machucou demais o setor privado, ao estimular a infla\u00e7\u00e3o, distorcer o sistema tribut\u00e1rio \u2014 devido \u00e0 escolha de setores espec\u00edficos para receber benef\u00edcios \u2014 e incentivar, por meio de programas sociais, que jovens deixassem de procurar emprego. \u201cTudo isso minou a produtividade e reduziu o potencial de crescimento da economia.\u201d <\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel, no entender da economista da XP, ainda salvar 2016. Para isso, Dilma n\u00e3o pode abandonar a equipe econ\u00f4mica \u00e0 pr\u00f3pria sorte. Com a forte queda na popularidade do governo, teme-se que, fragilizada e com a base no Congresso esfacelada, a presidente da Rep\u00fablica opte por recuar na promessa de economizar 1,2% do PIB para pagar juros da d\u00edvida. <\/p>\n<p>O Planalto sabe o tamanho do risco que est\u00e1 correndo se jogar Levy e o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, aos le\u00f5es. Retomada a irresponsabilidade fiscal que integrantes do governo e petistas defendem, Dilma chegar\u00e1 ao fim do segundo mandato de joelhos. N\u00e3o \u00e9 preciso ser nenhum especialista em economia para entender o tamanho do estrago cometido nos \u00faltimos quatro anos. O crescimento minguou, a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 rodando entre 7% e 8%, o deficit fiscal encosta nos 7% do PIB e o rombo nas contas externas \u00e9 de 4% do Produto. <\/p>\n<p>Todos os indicadores mostram um pa\u00eds em crise, que pode ser ainda mais profunda caso o governo fa\u00e7a concess\u00f5es a pol\u00edticos que est\u00e3o mais preocupados com o curto prazo. O Brasil perdeu os anos de 1980 e 1990 por erros monumentais na gest\u00e3o econ\u00f4mica. A partir de 1994, com o Plano Real, come\u00e7ou a arrumar a casa. Foi um longo caminho. Mas conseguiu domar a infla\u00e7\u00e3o e, com a responsabilidade fiscal e monet\u00e1ria, dar previsibilidade aos agentes econ\u00f4micos. <\/p>\n<p>Infelizmente, hoje, o retrocesso \u00e9 claro. H\u00e1, sim, uma promessa de mudan\u00e7a. Palavras nesse sentido n\u00e3o faltam. Por\u00e9m, o que o pa\u00eds realmente precisa \u00e9 de convic\u00e7\u00e3o sobre o que deve ser feito. <\/p>\n<p>Afina\u00e7\u00e3o \u00e9 vital <\/p>\n<p>\u00bb Para Zeina Latif, a alta do d\u00f3lar que assombra o Banco Central \u00e9 recessiva e manter\u00e1 a infla\u00e7\u00e3o teimosa. Por isso, a autoridade monet\u00e1ria e o Minist\u00e9rio da Fazenda n\u00e3o poder\u00e3o desafinar. Ter\u00e3o que manter um discurso muito afinado no sentido de tranquilizar os agentes econ\u00f4micos. <\/p>\n<p>O mercado n\u00e3o perdoa <\/p>\n<p>\u00bb Para os investidores, o novo diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica do Banco Central, Luiz Awazu Pereira, est\u00e1 tentando assumir uma postura linha-dura, de falc\u00e3o (hawkish), ao falar da pol\u00edtica monet\u00e1ria, mas, intimamente, se mant\u00e9m com alma de pombo (dovish), mais propenso a n\u00e3o pesar a m\u00e3o sobre os juros. <\/p>\n<p>Aperto no bolso <\/p>\n<p>\u00bb O come\u00e7o de 2015 foi dureza para os brasileiros, que viram a renda encolher diante dos aumentos de impostos e do tarifa\u00e7o da energia el\u00e9trica e da gasolina. Prova disso \u00e9 que a inadimpl\u00eancia, que j\u00e1 vinha subindo nos \u00faltimos meses de 2014, atingir\u00e1 n\u00edveis preocupantes neste in\u00edcio de ano. C\u00e1lculos de economistas da Serasa Experian revelam que o calote subiu mais que dois d\u00edgitos em janeiro. <\/p>\n<p>Corda no pesco\u00e7o <\/p>\n<p>\u00bb A inadimpl\u00eancia, segundo a Serasa, aumentou tanto na compara\u00e7\u00e3o com dezembro quanto com o primeiro m\u00eas de 2014. A constata\u00e7\u00e3o do economista Luiz Rabi \u00e9 de que a inadimpl\u00eancia continuar\u00e1 piorando ao longo do ano, deixando claro que as fam\u00edlias que j\u00e1 est\u00e3o com a corda no pesco\u00e7o ter\u00e3o mais dificuldades de quitar as d\u00edvidas em dia. Nas contas de Rabi, a inadimpl\u00eancia subir\u00e1 10% em 2015. <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 12h03min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O setor privado brasileiro j\u00e1 est\u00e1 em recess\u00e3o. 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