{"id":453,"date":"2016-02-05T08:30:52","date_gmt":"2016-02-05T10:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=453"},"modified":"2016-02-05T09:16:59","modified_gmt":"2016-02-05T11:16:59","slug":"descompromisso-fiscal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/descompromisso-fiscal\/","title":{"rendered":"DESCOMPROMISSO FISCAL"},"content":{"rendered":"<p>A falta de um compromisso claro do governo com o ajuste fiscal est\u00e1 na base de todos os problemas que o Brasil enfrenta hoje. Enquanto n\u00e3o houver um sinal contundente do que realmente ser\u00e1 feito para reorganizar as finan\u00e7as p\u00fablicas e estabilizar a d\u00edvida em rela\u00e7\u00e3o ao Produto Interno Bruto (PIB), a tend\u00eancia ser\u00e1 de piora da economia. Com o pa\u00eds desvastado por um tsunami de desconfian\u00e7a, recorrer a mecanismos pouco confi\u00e1veis, como o sistema de bandas fiscais proposto pelo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, pode resultar em problemas\u00a0 ainda maiores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para Gabriela Santos, estrategista global do JP Morgan Asset Management, o que o Brasil precisa agora, a fim de reconstruir sua credibilidade, \u00e9 de uma meta fiscal expl\u00edtica, fact\u00edvel de ser alcan\u00e7ada. \u201cPor menor que seja o n\u00famero proposto, \u00e9 preciso mostrar que h\u00e1 uma dire\u00e7\u00e3o a ser seguida\u201d, diz. No entender dela, \u00e9 \u201cabsolutamente central\u201d que o governo se comprometa com o ajuste das contas p\u00fablicas, para que a confian\u00e7a interna e externa volte. \u201cHoje, os problemas fiscais interferem em tudo, na infla\u00e7\u00e3o, nas taxas de juros, no c\u00e2mbio\u201d, ressalta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 compreens\u00edvel, na opini\u00e3o de Gabriela, que, num quadro de profunda recess\u00e3o, como o vivido pelo Brasil, o governo enfrente dificuldades para cumprir metas fiscais. Mas n\u00e3o se est\u00e1 pedindo, neste momento, superavit prim\u00e1rio de 2% ou 3% do PIB. O que se quer \u00e9 um n\u00famero m\u00ednimo e que se chegue o mais pr\u00f3ximo poss\u00edvel dele. \u201cEstamos falando de metas realistas e que se tente cumpri-las\u201d, assinala. Segundo ela, olhando apenas para o quadro atual, nem mesmo o superavit prim\u00e1rio de 0,5% do PIB previsto em lei ser\u00e1 alcan\u00e7ado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Modelo esgotado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A economista do JP Morgan Asset afirma que, com a desconfian\u00e7a que se v\u00ea hoje, a economia brasileira ter\u00e1 retra\u00e7\u00e3o de pelo menos 3%. A queda ser\u00e1 puxada pelos investimentos e pelo consumo das fam\u00edlias. Ela acredita que a demanda interna ter\u00e1 contra\u00e7\u00e3o de 5%, saldo que ser\u00e1 minimizado pelo resultado positivo do setor externo. A leitura mais importante desses n\u00fameros, destaca Gabriela, \u00e9 a de que o modelo econ\u00f4mico adotado pelo Brasil se esgotou. \u201cIsso ficou claro h\u00e1 cinco anos, com o fim do ciclo das commodities. Desde ent\u00e3o, o PIB brasileiro s\u00f3 cai\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Gabriela, diante da forte retra\u00e7\u00e3o da atividade, seria importante que o Banco<br \/>\nCentral tivesse espa\u00e7o para reduzir as taxas de juros. Mas, como n\u00e3o h\u00e1 confian\u00e7a na pol\u00edtica monet\u00e1ria e as expectativas dos agentes econ\u00f4micos apontam para infla\u00e7\u00e3o de ao menos 7% neste ano \u2014 acima do teto da meta, de 6,5%, definida pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN) \u2014, qualquer movimento do BC nesse sentido seria danoso para o pa\u00eds. \u201cPara os juros ca\u00edrem, \u00e9 preciso que as proje\u00e7\u00f5es de infla\u00e7\u00e3o estejam mais pr\u00f3ximas da meta\u201d, enfatiza. Ela acredita que a taxa Selic ser\u00e1 mantida em 14,25% at\u00e9 o fim do ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esse momento t\u00e3o adverso, reconhece a economista, se traduzir\u00e1 em mais desemprego, que pegar\u00e1 as fam\u00edlias superendividadas. Pelos c\u00e1lculos dela, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o medida pela Pnad Cont\u00ednua, que, em outubro do ano passado (o \u00faltimo dado dispon\u00edvel) estava em 9%, passar\u00e1 tranquilamente dos 10%. Ser\u00e1 um problem\u00e3o para os consumidores, que, na m\u00e9dia, est\u00e3o com 46% da renda comprometidos com d\u00edvida. Isso mostra, na vis\u00e3o de Gabriela, que o cr\u00e9dito deixou de ser uma arma potente para estimular o crescimento, ao contr\u00e1rio do que acredita o governo, que, recentemente, lan\u00e7ou um pacote de R$ 83 bilh\u00f5es em linhas de financiamento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ao deus-dar\u00e1<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 preciso ressaltar, segundo a economista do JP Morgan Asset, que o aumento do desemprego e o excesso de endividamento n\u00e3o s\u00e3o problemas exclusivos do Brasil. Est\u00e3o presentes em todos os pa\u00edses emergentes que, ao longo de anos, se aproveitaram da alta dos pre\u00e7os das commodities (mercadorias com cota\u00e7\u00e3o internacional), mas n\u00e3o fizeram o dever de casa, isto \u00e9, reformas estruturais e investimentos para o aumento da produtividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Est\u00e1 claro, portanto, que os desafios a serem enfrentados pelo Brasil s\u00e3o grandes. E n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para inova\u00e7\u00f5es. Foram justamente as estripulias da nova matriz econ\u00f4mica, nos quatro primeiros anos do governo Dilma Rouseff, que empurraram o pa\u00eds para a situa\u00e7\u00e3o de calamidade p\u00fablica que estamos enfrentando. Nada funciona. A sa\u00fade est\u00e1 ao deus-dar\u00e1. A educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o prepara os jovens para os desafios que modernidade imp\u00f5e. A viol\u00eancia n\u00e3o poupa vidas. A economia combina recess\u00e3o, desemprego, infla\u00e7\u00e3o alta e contas p\u00fablicas em frangalhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A falta de um compromisso claro do governo com o ajuste fiscal est\u00e1 na base de todos os problemas que o Brasil enfrenta hoje. 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