{"id":469,"date":"2016-02-16T08:30:13","date_gmt":"2016-02-16T10:30:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=469"},"modified":"2016-02-16T13:17:02","modified_gmt":"2016-02-16T15:17:02","slug":"sinonimo-de-desconfianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/sinonimo-de-desconfianca\/","title":{"rendered":"SIN\u00d4NIMO DE DESCONFIAN\u00c7A"},"content":{"rendered":"<p>O Congresso reabre efetivamente hoje os trabalhos com o Brasil \u00e0 beira do colapso. Em um pa\u00eds s\u00e9rio, certamente os senhores parlamentares estariam prontos para dar uma resposta agressiva aos graves problemas enfrentados pela economia. Infelizmente, o que veremos ser\u00e1 um Legislativo muito mais preocupado em tirar proveito da fragilidade do governo, ampliando suas benesses e atendendo a favores de grupos espec\u00edficos. O resultado disso ser\u00e1 mais crise.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 precedentes na hist\u00f3ria recente do pa\u00eds \u2014 nem mesmo durante o desastroso governo Collor de Mello \u2014 de um quadro t\u00e3o dram\u00e1tico quanto o que estamos vendo agora. Para qualquer lado que se olhe, n\u00e3o h\u00e1 luz no horizonte. Muito pelo contr\u00e1rio. As perspectivas s\u00e3o as piores poss\u00edveis, devido, sobretudo, a um governo que perdeu a capacidade de lideran\u00e7a e se tornou sin\u00f4nimo de desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Esperava-se que, diante da gravidade da situa\u00e7\u00e3o, Congresso e governo se unissem para aprovar medidas de curto e longo prazos a fim de tirar a economia do atoleiro. Mas, do lado do governo, n\u00e3o h\u00e1 convic\u00e7\u00e3o sobre o que fazer. E, pior, quando alguma proposta aparece, como a tal banda fiscal, \u00e9 sinal de mais problemas. Na pr\u00e1tica, o que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, quer, ao apresentar a medida, \u00e9 legalizar o deficit nas contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do lado do Congresso, al\u00e9m de n\u00e3o haver compet\u00eancia t\u00e9cnica para propor solu\u00e7\u00f5es para o pa\u00eds, o grosso dos parlamentares est\u00e1 envolvido em falcatruas. \u00c9 dif\u00edcil encontrar algu\u00e9m gabaritado para tomar a frente dos debates. Essa realidade \u00e9 ainda mais cruel entre os partidos da base aliada, que deveriam puxar as discuss\u00f5es e n\u00e3o se prender a vis\u00f5es ultrapassadas e ao corporativismo, comportamento que s\u00f3 favorece a corrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Desordem<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ina\u00e7\u00e3o do governo e do Congresso cobrar\u00e1 um pre\u00e7o elevado ao longo deste ano. Na avalia\u00e7\u00e3o de especialistas, a recess\u00e3o se agravar\u00e1 a tal ponto que a desordem no pa\u00eds ficar\u00e1 parecida com a que se viu ap\u00f3s a derrocada da Gr\u00e9cia. E n\u00e3o h\u00e1 nenhum exagero nisso. O Produto Interno Bruto (PIB) caiu 4% em 2015, \u00edndice que deve se repetir em 2016. O desemprego tende a ir a 12%, mas, entre os jovens, pode encostar nos 25%. O rombo nas contas p\u00fablicas, quando inclu\u00eddos os gastos com juros, j\u00e1 passa de 10% do PIB e h\u00e1 quem projete d\u00edvida bruta equivalente a 75% de todas as riquezas produzidas pelo pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como diz um dos principais banqueiros do pa\u00eds, se esse cen\u00e1rio se repetir por mais um ano, que ningu\u00e9m se espante em ver grandes empresas \u201cboiando\u201d, ou seja,\u00a0 quebrando. N\u00e3o por acaso, tanto o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, quanto o comandante do Ita\u00fa Unibanco, Roberto Setubal, v\u00eam pregando a queda dos juros. Eles temem uma onda de calotes que deixar\u00e1 um rastro de preju\u00edzo que h\u00e1 anos n\u00e3o se v\u00ea no sistema financeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do mesmo banqueiro, o Brasil vinha contando com a retomada da economia dos Estados Unidos para sair do atoleiro. Contudo, a locomotiva do planeta come\u00e7ou a ratear. Se a desacelera\u00e7\u00e3o se confirmar, o mundo tende a ruir. O Brasil, que j\u00e1 est\u00e1 em uma situa\u00e7\u00e3o superfr\u00e1gil, ir\u00e1 de vez para o buraco.\u00a0 \u201cVamos viver tempos terr\u00edveis. Devemos nos preparar. N\u00e3o h\u00e1 ilus\u00e3o\u201d, refor\u00e7a. O mais assustador, acrescenta ele, \u00e9 o fato de o governo se prender a detalhes e a presidente Dilma Rousseff n\u00e3o entender a dimens\u00e3o da crise na qual o pa\u00eds est\u00e1 mergulhado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A \u00fanica esperan\u00e7a dos especialistas para minimizar os problemas seria a queda da infla\u00e7\u00e3o, que muitos acreditaram ser poss\u00edvel a partir de mar\u00e7o. Mas boa parte dos otimistas j\u00e1 jogou a toalha. A aposta, agora, \u00e9 de \u00edndices de pre\u00e7os mais pr\u00f3ximos de 8% para este ano, mesmo com o PIB derretendo quase 4%. \u201cSe a infla\u00e7\u00e3o ficasse em torno de 6%, certamente o Banco Central se sentiria mais confort\u00e1vel para cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic). N\u00e3o \u00e9 o que estamos vendo. A carestia continua firme e forte\u201d, admite um t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h30min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Congresso reabre efetivamente hoje os trabalhos com o Brasil \u00e0 beira do colapso. Em um pa\u00eds s\u00e9rio, certamente os senhores parlamentares estariam prontos para dar uma resposta agressiva aos graves problemas enfrentados pela economia. 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