{"id":484,"date":"2016-02-18T08:30:49","date_gmt":"2016-02-18T10:30:49","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=484"},"modified":"2016-02-18T12:12:37","modified_gmt":"2016-02-18T14:12:37","slug":"484","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/484\/","title":{"rendered":"EFEITO BARBOSA"},"content":{"rendered":"<p>O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, n\u00e3o tem do que reclamar. Ele est\u00e1 prestes a entrar para o livro de recordes. Em apenas seis meses, conseguiu a proeza de levar o Brasil a ser rebaixado tr\u00eas vezes pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco, duas pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P) e uma pela Fitch. Suas ideias mirabolantes e o descompromisso com o ajuste fiscal t\u00eam prevalecido no governo. Com isso, o pa\u00eds est\u00e1 pr\u00f3ximo de entrar para o time das na\u00e7\u00f5es consideradas lixo pelos investidores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O primeiro rebaixamento anunciado pela S&amp;P, que tirou o selo de bom pagador do Brasil, ocorreu em setembro do ano passado, dias ap\u00f3s Barbosa encaminhar ao Congresso uma proposta or\u00e7ament\u00e1ria com deficit de R$ 30,5 bilh\u00f5es em 2016. Ficou claro, naquele momento, que o governo havia rasgado o compromisso de arrumar as contas p\u00fablicas. Ent\u00e3o ministro do Planejamento, Barbosa obteve apoio da presidente Dilma Rousseff e derrotou Joaquim Levy, que, \u00e0 \u00e9poca, comandava a Fazenda e logo depois foi demitido. O mesmo or\u00e7amento deficit\u00e1rio custou a perda do grau de investimento pela Fitch.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Agora, a S&amp;P atribuiu o rebaixamento a \u201ciniciativas inconsistentes\u201d para reverter o desarranjo fiscal. Barbosa conseguiu de Dilma o aval para levar adiante um projeto que institui um sistema de bandas fiscais. A proposta \u00e9 que o pa\u00eds possa ter rombo nas contas de at\u00e9 1% ao ano. Na pr\u00e1tica, o que o ministro prega \u00e9 que o governo fique desobrigado de fazer superavits prim\u00e1rios para pagar juros da d\u00edvida. \u00c9 uma forma de legalizar a farra fiscal que prevaleceu no atual governo. A perspectiva \u00e9 de que, com ou sem banda fiscal, as contas p\u00fablicas fechem no vermelho em todo o segundo mandato da petista.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Rota desastrosa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O novo rebaixamento do Brasil, que passa a ter a mesma classifica\u00e7\u00e3o de risco de 10 anos atr\u00e1s, j\u00e1 era esperado, assim como outros cortes na nota de cr\u00e9dito que est\u00e3o por vir. O pa\u00eds entrou numa rota desastrosa, de dif\u00edcil revers\u00e3o. Apesar de todos os indicadores apontarem uma economia em frangalhos, o governo insiste em equ\u00edvocos. Por isso, uma onda de desconfian\u00e7a tomou conta de empres\u00e1rios e consumidores. Ningu\u00e9m consegue olhar \u00e0 frente e ver uma luz no horizonte. A sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que o governo decidiu cavar um buraco, mas n\u00e3o sossega enquanto n\u00e3o ver o fundo do po\u00e7o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira, o quadro \u00e9 mais dram\u00e1tico do que se est\u00e1 vendo. Pelos c\u00e1lculos dele, o Produto Interno Bruto (PIB) cair\u00e1 4,5% neste ano ante os 3% esperados pelo Banco Central. Somente a demanda dom\u00e9stica cair\u00e1 6%. O desemprego medido pela Pnad Cont\u00ednua ficar\u00e1 entre 15,5% e 16% \u2014 atualmente, est\u00e1 em 9%. Isso significa dizer que o n\u00famero de desocupados passar\u00e1 de 9 milh\u00f5es para 16 milh\u00f5es em um ano. Mesmo com a recess\u00e3o profunda, na melhor das hip\u00f3teses, a infla\u00e7\u00e3o ficar\u00e1 no teto da meta, de 6,5%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do Oliveira, para que a infla\u00e7\u00e3o caia mais rapidamente e convirja para o centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 o fim de 2017, como prega o BC, ser\u00e1 preciso resgatar a confian\u00e7a no governo. Mas isso passa pela reconstru\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica fiscal, o que est\u00e1 longe da realidade. O governo n\u00e3o acredita na import\u00e2ncia do ajuste das contas p\u00fablicas para que o pa\u00eds volte a ter credibilidade. Tanto que, desde que Dilma tomou posse, a d\u00edvida p\u00fablica em rela\u00e7\u00e3o ao PIB saltou de 52% para 66% e pode atingir 76% at\u00e9 o fim de 2017 segundo a Standard &amp; Poor\u2019s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Recess\u00e3o hist\u00f3rica<\/strong><br \/>\nO governo acredita que ainda pode dar not\u00edcias boas na economia. E, para isso, conta com o Banco Central. A institui\u00e7\u00e3o, que havia se descolado do Planalto nos tempos de Levy no Minist\u00e9rio da Fazenda, j\u00e1 vem emitindo sinais de que pode cortar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) por causa do agravamento da recess\u00e3o. O problema \u00e9 que, na atual conjuntura, n\u00e3o ser\u00e1 o corte da Selic, de 14,25% ao ano, que despertar\u00e1 o \u00e2nimo de empres\u00e1rios, que est\u00e3o quebrando, e de consumidores, que temem o desemprego est\u00e3o altamente endividados. E mais: ningu\u00e9m confia num governo que n\u00e3o tem base parlamentar e promete mas n\u00e3o cumpre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A tend\u00eancia, reconhecem os especialistas, \u00e9 de que tamb\u00e9m o ano de 2017 seja perdido, ou seja, ser\u00e3o tr\u00eas anos seguidos de recess\u00e3o. Assim, o Brasil caminha para consolidar o pior per\u00edodo econ\u00f4mico desde 1901, in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Chama a aten\u00e7\u00e3o o fato de a popula\u00e7\u00e3o ainda se manter inerte diante de tamanho descalabro. Em pa\u00edses com n\u00edvel mais elevado de educa\u00e7\u00e3o, certamente a cobran\u00e7a das ruas seria pesada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, n\u00e3o tem do que reclamar. Ele est\u00e1 prestes a entrar para o livro de recordes. Em apenas seis meses, conseguiu a proeza de levar o Brasil a ser rebaixado tr\u00eas vezes pelas ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco, duas pela Standard &amp; Poor\u2019s (S&amp;P) e uma pela Fitch. 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