{"id":52,"date":"2015-02-26T12:53:00","date_gmt":"2015-02-26T15:53:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/corda_no_pescoco\/"},"modified":"2015-02-26T12:53:00","modified_gmt":"2015-02-26T15:53:00","slug":"corda_no_pescoco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/corda_no_pescoco\/","title":{"rendered":"CORDA NO PESCO\u00c7O"},"content":{"rendered":"\n<p>O governo tentou ontem passar tranquilidade em rela\u00e7\u00e3o ao rebaixamento da Petrobras pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody\u2019s, mas um clima de forte preocupa\u00e7\u00e3o dominou a Esplanada dos Minist\u00e9rios. Por mais confiante que tenha sido o discurso de autoridades de que n\u00e3o h\u00e1 risco de o Brasil tamb\u00e9m perder o grau de investimento, a equipe econ\u00f4mica passou a ver como real tal possibilidade, sobretudo se o Congresso n\u00e3o encapar, rapidamente, as propostas de ajuste fiscal apresentadas pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy. <\/p>\n<p>Entre auxiliares do ministro, a vis\u00e3o \u00e9 de que o Brasil gastou todo o capital de que dispunha para manter a chancela de bom pagador, tamanho \u00e9 o estrago cometido nas contas p\u00fablicas nos \u00faltimos quatro anos. Para eles, a decis\u00e3o da Moody\u2019s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Petrobras veio em momento oportuno, pois ainda n\u00e3o h\u00e1 um consenso, nem no governo nem entre os parlamentares da base da aliada, de que a arruma\u00e7\u00e3o das finan\u00e7as federais \u00e9 vital para manter o mercado internacional de cr\u00e9dito aberto ao pa\u00eds. <\/p>\n<p>\u201cAgora, n\u00e3o h\u00e1 escapat\u00f3ria. A faca est\u00e1 no nosso pesco\u00e7o. Ou o governo banca de verdade o ajuste fiscal, ou a perda do grau de investimento vir\u00e1 ainda neste primeiro semestre do ano\u201d, diz um t\u00e9cnico respeitado da Esplanada. No entender dele, n\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para tergiversa\u00e7\u00f5es ou discursos vazios, diante da m\u00e1 fama que o pa\u00eds criou ao recorrer a truques cont\u00e1beis para fabricar superavits prim\u00e1rios. <\/p>\n<p>Apesar da preocupa\u00e7\u00e3o dos t\u00e9cnicos, a presidente Dilma Rousseff n\u00e3o se furtou em vestir a fantasia eleitoral para falar do rebaixamento da petroleira e jogar a culpa sobre a Moddy\u2019s. \u201cEu acho que \u00e9 uma falta de conhecimento do que est\u00e1 acontecendo na Petrobras\u201d, disse. Foi, como se tornou rotina, uma afronta ao distinto p\u00fablico. A realidade da estatal \u00e9 dram\u00e1tica. N\u00e3o h\u00e1 marqueteiro que esconda isso. <\/p>\n<p>Levantamento do economista Mansueto Almeida mostra como a maior empresa da Am\u00e9rica Latina, a mais inovadora das companhias brasileiras, foi destru\u00edda pela incompet\u00eancia e pela corrup\u00e7\u00e3o. Em 2006, antes da descoberta do pr\u00e9-sal, o endividamento da Petrobras era de R$ 46,6 bilh\u00f5es. No balan\u00e7o n\u00e3o auditado do terceiro trimestre de 2014, as d\u00edvidas somavam R$ 331,7 bilh\u00f5es. Com isso, o total de d\u00e9bitos saltou, na mesma base de compara\u00e7\u00e3o, de 48% para 98% do valor patrimonial. <\/p>\n<p>Nesse per\u00edodo, como constatou a Pol\u00edcia Federal, a Petrobras foi assaltada, sem constrangimento, pelo PT e pelos partidos da base aliada. A empresa fez neg\u00f3cios desastrosos e superfaturou obras para bancar um esquema de poder que diz proteger os pobres e os oprimidos. O n\u00edvel de corrup\u00e7\u00e3o chegou a um ponto em que a principal companhia de capital aberto do pa\u00eds teve o balan\u00e7o recusado por uma empresa de auditoria e responde a processos nos Estados Unidos e na Europa. <\/p>\n<p>N\u00e3o faltam, portanto, justificativas para a Petrobras ter passado da condi\u00e7\u00e3o de empresa respeit\u00e1vel para a situa\u00e7\u00e3o de lixo (junk). O que a Moody\u2019s definiu foi o reflexo da destrui\u00e7\u00e3o de um patrim\u00f4nio inquestion\u00e1vel do pa\u00eds, que passou a ser usado pelos partidos que d\u00e3o sustenta\u00e7\u00e3o ao governo como se fosse propriedade particular. \u00c9 poss\u00edvel que outras ag\u00eancias de risco, entre elas a Fitch, venham a rebaixar a petroleira e, por tabela, o Brasil. <\/p>\n<p>Se isso acontecer, a tend\u00eancia \u00e9 de que Dilma venha com o mesmo discurso: as ag\u00eancias n\u00e3o conhecem o pa\u00eds. Pois n\u00e3o custa explicitar a ela o Brasil que resultou dos \u00faltimos quatro anos. A infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 em 7,3% no acumulado de 12 meses, muito acima da meta de 4,5% que o governo prometeu entregar \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. O Produto Interno Bruto (PIB) pode ter ca\u00eddo em 2014 e deve recuar em 2015. A d\u00edvida bruta do setor p\u00fablico est\u00e1 encostando nos 65% do PIB. O rombo nas contas federais chega a 7% do Produto e o buraco nas contas externas, a 4,2%. Com esse hist\u00f3rico, pode ser que nem a boa vontade de Joaquim Levy em arrumar a casa d\u00ea resultado. E n\u00e3o foi por falta de aviso. <\/p>\n<p>Infla\u00e7\u00e3o resistente <\/p>\n<p>\u00bb Economistas de peso fizeram as contas e garantem que, mesmo com a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) chegando a 13% ao ano em abril, o Banco Central n\u00e3o conseguir\u00e1 levar a infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 o fim de 2016. <\/p>\n<p>Servi\u00e7os bem caros <\/p>\n<p>\u00bb Para os especialistas, a recess\u00e3o na qual o pa\u00eds mergulhou levar\u00e1 o desemprego a 6,5% neste ano, mas o aumento das demiss\u00f5es n\u00e3o ser\u00e1 suficiente para derrubar, com for\u00e7a, os pre\u00e7os dos servi\u00e7os, que se mant\u00eam persistentemente acima de 8% ao ano. <\/p>\n<p>Luz n\u00e3o dar\u00e1 tr\u00e9gua <\/p>\n<p>\u00bb O ceticismo do mercado em rela\u00e7\u00e3o aos rumos da infla\u00e7\u00e3o passa pelos pre\u00e7os administrados. Independentemente dos pesados reajustes neste ano, \u00e9 poss\u00edvel que a energia el\u00e9trica suba at\u00e9 20% em 2016, mantendo o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) bem longe da meta. <\/p>\n<p>Carta de Tombini <\/p>\n<p>\u00bb Para gente gra\u00fada de bancos nacionais, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, pode come\u00e7ar a rascunhar a carta que ser\u00e1 obrigado a divulgar \u00e0 Na\u00e7\u00e3o por n\u00e3o ter mantido o custo de vida no limite de toler\u00e2ncia, de 6,5%, em 2015. <\/p>\n<p>Como\u00e7\u00e3o na Fazenda <\/p>\n<p>\u00bb Causou como\u00e7\u00e3o no Minist\u00e9rio da Fazenda o v\u00eddeo no qual Guido Mantega \u00e9 insultado em um hospital de S\u00e3o Paulo. Pessoas que conviveram com ele nos \u00faltimos oito anos garantem que o ex-ministro n\u00e3o merecia tamanha falta de respeito. \u201cEle sempre foi um gentleman\u201d, diz uma secret\u00e1ria.  <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 12h55min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O governo tentou ontem passar tranquilidade em rela\u00e7\u00e3o ao rebaixamento da Petrobras pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody\u2019s, mas um clima de forte preocupa\u00e7\u00e3o dominou a Esplanada dos Minist\u00e9rios. 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