{"id":522,"date":"2016-02-25T08:30:10","date_gmt":"2016-02-25T11:30:10","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=522"},"modified":"2016-02-25T18:07:27","modified_gmt":"2016-02-25T21:07:27","slug":"ponto-morto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/ponto-morto\/","title":{"rendered":"PONTO MORTO"},"content":{"rendered":"<p>O rebaixamento duplo do Brasil pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody\u2019s foi a p\u00e1 de cal que faltava para a economia brasileira. N\u00e3o h\u00e1 mais perspectiva de qualquer recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds neste ano. O consenso \u00e9 de que o Produto Interno Bruto (PIB) cair\u00e1 mais de 4% neste ano. Entre 2015 e 2016, o tombo acumulado ser\u00e1 de pelo menos 8,3%. Pelos c\u00e1lculos do economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, na melhor das hip\u00f3teses, o PIB s\u00f3 voltar\u00e1 aos n\u00edveis de janeiro de 2014, quando atingiu seu \u00e1pice, em 2020. Nunca se viu um retrocesso t\u00e3o grande do pa\u00eds em t\u00e3o curto espa\u00e7o de tempo.<\/p>\n<p>Nem mesmo os mais otimistas assessores de Dilma Rousseff veem perspectiva de rea\u00e7\u00e3o da economia. Para eles, a percep\u00e7\u00e3o que se tem \u00e9 de que o pa\u00eds est\u00e1 em ponto morto, descendo uma ladeira que n\u00e3o se sabe onde acaba. Tudo est\u00e1 fora da ordem. A crise pol\u00edtica s\u00f3 se agrava. A Pol\u00edcia Federal deve levar mais uma penca de pol\u00edticos para a cadeia. A situa\u00e7\u00e3o fiscal \u00e9 alarmante, com possibilidade de a d\u00edvida p\u00fablica chegar aos 80% do PIB ainda neste ano. O Banco Central perdeu a capacidade de controlar a infla\u00e7\u00e3o. Os mais pessimistas falam em carestia de 10% neste ano.<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Camila Abdelmalack, economista-chefe da CM Capital Markets, enquanto n\u00e3o houver um desfecho da crise pol\u00edtica e da Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, n\u00e3o h\u00e1 o menor espa\u00e7o para recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Ela est\u00e1 convencida de que 2017 tamb\u00e9m ser\u00e1 um ano perdido. Tanto que revisar\u00e1 a proje\u00e7\u00e3o para o PIB de alta de 1% para queda de ao menos 0,5%. \u201cPara n\u00f3s, 2016 se tornou um ano morto e nunca 2017 esteve em meio a tantos perigos\u201d, diz. A fatura, como se sabe, recair\u00e1 sobre a popula\u00e7\u00e3o, com forte queda da renda e disparada do desemprego. N\u00e3o h\u00e1 como ser diferente.<\/p>\n<p>A perspectiva dos agentes econ\u00f4micos era de que, com a volta dos trabalhos do Congresso, o pa\u00eds desse um sinal de maturidade pol\u00edtica, com as desaven\u00e7as sendo superadas pela necessidade de se tirar a economia do atoleiro. O que se observa, por\u00e9m, \u00e9 um descompasso entre os interesses de deputados e senadores e o que realmente precisa ser feito. O quadro se agrava devido \u00e0 fragilidade pol\u00edtica da presidente da Rep\u00fablica e \u00e0 incapacidade dela de dimensionar o tamanho do desarranjo fiscal do Brasil. As medidas que saem do Pal\u00e1cio do Planalto s\u00f3 aprofundam o rombo das contas p\u00fablicas.<\/p>\n<p><strong>Onda de quebradeira<\/strong><\/p>\n<p>O pessimismo em rela\u00e7\u00e3o a 2016 est\u00e1 se agravando diante dos indicadores preliminares de janeiro e fevereiro. Tudo est\u00e1 no fundo do po\u00e7o. A produ\u00e7\u00e3o industrial desabou, a ponto de, na m\u00e9dia, um ter\u00e7o dos parques produtivos ter sido desligado em janeiro. As vendas do com\u00e9rcio est\u00e3o no menor n\u00edvel em 13 anos, por causa, sobretudo, da falta de cr\u00e9dito e da disparada dos juros. \u00c9 poss\u00edvel que pelo menos160 mil vagas com carteira assinada tenham sido fechadas no primeiro m\u00eas do ano, o que s\u00f3 amplia o risco de aumento de calotes.<\/p>\n<p>Esperava-se que, com a forte alta do d\u00f3lar entre 2014 e 2015, a ind\u00fastria come\u00e7asse a reagir, mas, na avalia\u00e7\u00e3o de Camila, nada mudou. As empresas ficaram dependentes demais dos subs\u00eddios dados pelo governo. \u00c0 medida que esse arsenal, que ajudou a destruir as contas p\u00fablicas, foi sendo desmontado, a produ\u00e7\u00e3o acelerou o processo de queda. Isso mostra, no entender da economista da CM Capital, que o parque fabril brasileiro est\u00e1 longe de ser competitivo. A complexa estrutura tribut\u00e1ria e a infraestrutura em frangalhos engolem qualquer ajuda que possa vir do c\u00e2mbio.<\/p>\n<p>Para Camila, o que se pode esperar, em vez de rea\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 o fechamento de empresas. \u201cUma onda de quebradeira est\u00e1 por vir\u201d, alerta. \u00c9 o retrato de uma economia que est\u00e1 em queda livre. O ideal, para conter esse quadro, era que o mundo estivesse em situa\u00e7\u00e3o melhor. Mas, com a fragilidade dos Estados Unidos e a forte desacelera\u00e7\u00e3o da China, n\u00e3o haver\u00e1 m\u00e3o amiga que impe\u00e7a o Brasil de viver a pior recess\u00e3o em quase 90 anos. \u201cO processo de retra\u00e7\u00e3o que estamos vivendo levar\u00e1 anos para ser revertido\u201d, adverte.<\/p>\n<p><strong>Em ber\u00e7o espl\u00eandido<\/strong><\/p>\n<p>A torcida \u00e9 para que, frente ao desastre que se est\u00e1 vendo, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) agilize a an\u00e1lise do processo que envolve suspeitas de uso de dinheiro da corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras na campanha de Dilma Rousseff. Um desfecho r\u00e1pido serviria para diminuir as incertezas quanto ao comando do pa\u00eds. Mas tudo indica que as discuss\u00f5es v\u00e3o se arrastar por at\u00e9 dois anos, o que servir\u00e1 para alimentar a crise pol\u00edtica e devastar a economia.<\/p>\n<p>\u00c9 triste ver a que ponto o pa\u00eds chegou. A presidente da Rep\u00fablica corre o risco de perder o mandato. O governo n\u00e3o tem base pol\u00edtica e o principal partido da coaliz\u00e3o, o PT, est\u00e1 disposto a criar mais problemas para o Pal\u00e1cio do Planalto. No Congresso, s\u00f3 se fala sobre qual pol\u00edtico ser\u00e1 o pr\u00f3ximo a ser preso dentro da Lava-Jato. Nada de relevante para o pa\u00eds \u00e9 aprovado. J\u00e1 a equipe econ\u00f4mica, que poderia funcionar como um contraponto a tantas mazelas, est\u00e1 sob total descr\u00e9dito.<\/p>\n<p>Resta \u00e0 popula\u00e7\u00e3o cobrar, nas ruas, uma mudan\u00e7a brusca desse quadro no qual ela \u00e9 a grande perdedora. Ficar de bra\u00e7os cruzados, acreditando que, uma hora ou outra, a situa\u00e7\u00e3o vai melhorar, \u00e9 contribuir para o pior. Bater panelas durante discursos televisivos de pol\u00edticos chama a aten\u00e7\u00e3o, mas \u00e9 pouco perto do tamanho dos problemas que estamos enfrentando. Quanto antes os eleitores se movimentarem, menor ser\u00e1 o preju\u00edzo, que, ressalte-se, j\u00e1 est\u00e1 em um n\u00edvel assustador.<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O rebaixamento duplo do Brasil pela ag\u00eancia de classifica\u00e7\u00e3o de risco Moody\u2019s foi a p\u00e1 de cal que faltava para a economia brasileira. N\u00e3o h\u00e1 mais perspectiva de qualquer recupera\u00e7\u00e3o do pa\u00eds neste ano. O consenso \u00e9 de que o Produto Interno Bruto (PIB) cair\u00e1 mais de 4% neste ano. 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