{"id":528,"date":"2016-02-26T08:30:33","date_gmt":"2016-02-26T11:30:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=528"},"modified":"2016-02-26T13:13:06","modified_gmt":"2016-02-26T16:13:06","slug":"desastre-da-construcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/desastre-da-construcao\/","title":{"rendered":"DESASTRE DA CONSTRU\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>A constru\u00e7\u00e3o civil ter\u00e1, em 2016, o terceiro ano seguido de retra\u00e7\u00e3o. E o resultado ser\u00e1 pior do que o observado em 2015, quando a queda ficou pr\u00f3xima de 6%. A perspectiva \u00e9 de que as demiss\u00f5es se acelerem e n\u00e3o ser\u00e1 surpresa se o fechamento de vagas encostar, novamente, em meio milh\u00e3o. Desde que o ano come\u00e7ou, nenhum empreendimento saiu do papel. O que est\u00e1 sendo tocado vem de per\u00edodos anteriores. N\u00e3o h\u00e1 expectativa de reposi\u00e7\u00e3o de obras. Em mais de uma d\u00e9cada, nunca se viu um quadro de tanto pessimismo no setor.<\/p>\n<p>Boa parte do crescimento da economia at\u00e9 a primeira metade do primeiro mandato de Dilma Rousseff decorreu do boom da constru\u00e7\u00e3o civil. O setor, ao absorver m\u00e3o de obra menos qualificada, levou o desemprego aos n\u00edveis mais baixos da hist\u00f3ria. Agora, far\u00e1 exatamente o papel contr\u00e1rio. Empurrar\u00e1 o Produto Interno Bruto (PIB) para o buraco, ajudando a sacramentar queda de 4%, e levar\u00e1 o n\u00famero de desocupados para pr\u00f3ximo de 12%, na melhor das hip\u00f3teses.<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos do presidente da C\u00e2mara Brasileira da Constru\u00e7\u00e3o Civil (CBIC), Jos\u00e9 Carlos Martins, somente no Rio de Janeiro ser\u00e3o demitidos cerca de 135 mil pessoas que v\u00eam trabalhando em obras ligadas \u00e0s Olimp\u00edadas. \u201cIsso acontecer\u00e1 porque n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcias de projetos que possam ser colocados em pr\u00e1tica logo depois dos jogos\u201d, diz. Ele ressalta que, no caso da constru\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso tempo para que os empreendimentos se tornem realidade e possam gerar emprego e renda.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o se est\u00e1 falando de uma ind\u00fastria que desligou m\u00e1quinas e pode relig\u00e1-la a qualquer momento. Constru\u00e7\u00e3o exige tempo, planejamento. E n\u00e3o nos preparamos para susbtituir as obras que est\u00e3o chegando ao fim\u201d, afirma Martins. Na avalia\u00e7\u00e3o dele, a gritaria dos demitidos demorar\u00e1 algum tempo para ser ouvida. Os trabalhadores s\u00f3 sentir\u00e3o o baque real da perda do emprego quando acabar o dinheiro da rescis\u00e3o de contrato, do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS) e do seguro-desemprego.<\/p>\n<p><strong>Dois p\u00e9s no freio<\/strong><\/p>\n<p>Em outros tempos, o governo poderia acelerar o passo e ocupar o v\u00e1cuo deixado pela iniciativa privada. Mas, devido ao desastre fiscal, no m\u00e1ximo, o Tesouro Nacional s\u00f3 ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de pagar os contratos que est\u00e3o em andamento. O presidente da CBIC ressalta que o Or\u00e7amento da Uni\u00e3o prev\u00ea desembolsos entre R$ 8 bilh\u00f5es e R$ 10 bilh\u00f5es para obras de infraestrutura em 2016, a\u00ed inclu\u00eddo o Minha Casa Minha Vida. \u201cN\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o fiscal para o governo fazer mais nada que n\u00e3o seja honrar os compromissos j\u00e1 assumidos\u201d, frisa.<\/p>\n<p>O Minha Casa 3, que a presidente Dilma tanto anseia, s\u00f3 ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de ser colocado em pr\u00e1tica no fim do ano, para que as obras possam ser contratadas a partir de 2017. Isso, \u00e9 claro, se houver dinheiro suficiente. A boa not\u00edcia, diz Martins, \u00e9 que o governo conseguiu colocar os pagamentos em dia, dando f\u00f4lego para que as construtoras possam ao menos entregar o que prometeram. No caso de obras vinculadas ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit), contudo, os atrasos permanecem. As faturas pendentes somam R$ 2,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Martins, infelizmente, n\u00e3o h\u00e1 muito o que fazer para reverter o desastre programado para este ano na constru\u00e7\u00e3o civil. N\u00e3o h\u00e1 confian\u00e7a dos empres\u00e1rios em rela\u00e7\u00e3o ao governo. A ordem \u00e9 manter os dois p\u00e9s no freio. Entre os consumidores, nunca foi t\u00e3o grande o temor em rela\u00e7\u00e3o ao desemprego. S\u00e3o poucos os que se arriscam a assumir financiamentos de longo prazo para comprar a casa pr\u00f3pria. Temem n\u00e3o ter como pagar as presta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>Chuva de queixas<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 nenhum exagero na percep\u00e7\u00e3o negativa dos trabalhadores. Pelos c\u00e1lculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o desemprego cravou, em janeiro, a maior taxa para o m\u00eas desde 2009 nas seis principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds: exatos 7,6%. A renda m\u00e9dia desabou 7,4% ante o mesmo per\u00edodo de 2015. Na mesma compara\u00e7\u00e3o, a massa salarial recuou 10,4%. S\u00e3o n\u00fameros assustadores, que v\u00e3o pesar muito no or\u00e7amento das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A recess\u00e3o que destr\u00f3i vagas foi provocada pelo governo. Os consecutivos erros na pol\u00edtica econ\u00f4mica trouxeram de volta a infla\u00e7\u00e3o e a desconfian\u00e7a. N\u00e3o por acaso, tornou-se rotina nas mesas de bares, nas filas do supermercado, nos pontos de \u00f4nibus ouvir relatos desanimadores de pessoas que engrossaram o ex\u00e9rcito de desempregados. Muitas n\u00e3o se conformam por terem sido enganadas pela promessa de que, finalmente, o pa\u00eds havia entrado na rota do crescimento sustentado. As queixas, infelizmente, ainda v\u00e3o aumentar muito.<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A constru\u00e7\u00e3o civil ter\u00e1, em 2016, o terceiro ano seguido de retra\u00e7\u00e3o. E o resultado ser\u00e1 pior do que o observado em 2015, quando a queda ficou pr\u00f3xima de 6%. A perspectiva \u00e9 de que as demiss\u00f5es se acelerem e n\u00e3o ser\u00e1 surpresa se o fechamento de vagas encostar, novamente, em meio milh\u00e3o. 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