{"id":536,"date":"2016-03-01T08:30:16","date_gmt":"2016-03-01T11:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=536"},"modified":"2016-03-01T13:14:21","modified_gmt":"2016-03-01T16:14:21","slug":"o-enigma-volpon","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-enigma-volpon\/","title":{"rendered":"O ENIGMA VOLPON"},"content":{"rendered":"<p>Depois da desastrosa declara\u00e7\u00e3o durante a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) de janeiro, rasgando todos os comunicados do Banco Central, o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, optou por n\u00e3o criar ru\u00eddos. Silenciosamente, ele vem procurando construir consensos dentro do banco. A meta \u00e9 que o Copom passe um sinal forte de que, mesmo com o aprofundamento da recess\u00e3o e a disparada do desemprego, n\u00e3o h\u00e1, pelo menos por ora, inten\u00e7\u00e3o de se reduzir a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que continuar\u00e1 em 14,25% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tombini acredita que ser\u00e1 poss\u00edvel chegar a uma decis\u00e3o un\u00e2nime no Copom. O ponto dissonante continua sendo o diretor de Assuntos Internacionais, Tony Volpon, que, nos dois \u00faltimos encontros do Comit\u00ea, votou pelo aumento de 0,5 ponto percentual na Selic. Os dois passaram a \u00faltima semana juntos na China, onde participaram da reuni\u00e3o do G20, o grupo das economias mais desenvolvidas do mundo. Tiveram tempo de sobra para aparar as arestas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A pergunta que todos est\u00e3o se fazendo \u00e9 se Volpon manter\u00e1 a coer\u00eancia dos \u00faltimos votos. Ao defender o aperto monet\u00e1rio, independentemente da forte retra\u00e7\u00e3o da economia, ele alegou que a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito alta, em um terreno perigoso. E desde o debate dentro do Copom de janeiro, a situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piorou. N\u00e3o s\u00f3 o custo de vida atual aumentou, como as proje\u00e7\u00f5es dos especialistas para o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) deste ano e dos pr\u00f3ximos pioraram. Teoricamente, Volpon teria que manter posi\u00e7\u00e3o no encontro do Comit\u00ea que come\u00e7a hoje e acaba amanh\u00e3.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Ceticismo<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As diverg\u00eancias de vis\u00f5es s\u00e3o claras \u2014 ou pelo menos, eram. O presidente do BC acredita que o pior da infla\u00e7\u00e3o se dar\u00e1 no primeiro trimestre do ano, e que a queda de at\u00e9 dois pontos percentuais do IPCA nos pr\u00f3ximos meses ser\u00e1 suficiente para inverter a curva e derrubar as estimativas de mercado, que continuam muito distantes do centro da meta definido pelo Conselho Monet\u00e1rio Nacional (CMN), de 4,5%. Volpon est\u00e1 c\u00e9tico. Cr\u00ea que uma vis\u00e3o mais favor\u00e1vel dos agentes econ\u00f4micos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o ainda demorar\u00e1 a aparecer.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O consenso que Tombini busca tem um objetivo claro: indicar que, ao se confirmar as previs\u00f5es de queda da infla\u00e7\u00e3o, o BC passar\u00e1 a discutir a possibilidade de reduzir os juros. \u00c9 o que ele mais deseja, mas n\u00e3o quer avan\u00e7ar o sinal. Precisa do apoio integral de seus diretores. A credibilidade da institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 no ch\u00e3o, e isso se deve, principalmente, aos erros de comunica\u00e7\u00e3o, sobretudo do presidente do banco, que \u00e9 visto com ressalvas pelos investidores. Muitos o avaliam como alinhado aos anseios do Minist\u00e9rio da Fazenda, sob o comando de Nelson Barbosa, e aos do Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Volpon, por sua vez, acredita que o BC j\u00e1 poderia ter pavimentando o caminho para a queda dos juros se, no fim do ano passado, quando as expectativas de mercado come\u00e7aram a se deteriorar, o Copom tivesse elevado a Selic, mesmo que num patamar m\u00ednimo. Ele, assim como o diretor de Organiza\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro e Controle de Opera\u00e7\u00f5es do Cr\u00e9dito Rural, Sidnei Marques, acabou sendo voto vencido.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Tens\u00e3o por comunicado<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m do consenso costurado por Tombini, o mercado est\u00e1 ansioso pelo comunicado que ser\u00e1 divulgado ap\u00f3s a reuni\u00e3o do Copom. Parte relevante dos analistas d\u00e1 como certa a inclus\u00e3o, no documento, do discurso difundindo nas \u00faltimas semanas por Altamir Lopes (diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica) e Aldo Mendes (Pol\u00edcia Monet\u00e1ria), de que a economia ainda afundar\u00e1 mais e que isso ajudar\u00e1 a conter as remarca\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na opini\u00e3o de Jo\u00e3o Pedro Ribeiro, analista da Nomura Securities, em Nova York, por mais que o BC queira cortar os juros, n\u00e3o h\u00e1, neste momento, espa\u00e7o para faz\u00ea-lo. Ele ressalta que uma corrente do mercado acredita que, caso a decis\u00e3o do Copom de manter a Selic seja un\u00e2nime, em abril a Selic j\u00e1 come\u00e7ar\u00e1 a cair. \u201cAcho cedo. Para os juros baixarem, o Banco Central ter\u00e1 de comprovar que suas previs\u00f5es estavam corretas e, realmente, a infla\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 em quase 11%, ficou mais pr\u00f3xima de 8%\u201d, frisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ribeiro ainda duvida dessa estimativa. \u201cA infla\u00e7\u00e3o se mant\u00e9m resistente. Os n\u00fameros de janeiro e fevereiro foram muito ruins\u201d, assinala. De qualquer forma, destaca ele, dada \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de Tombini e companhia de cortarem os juros, ao menor sinal de melhora do custo de vida, a Selic cair\u00e1, independentemente dos riscos envolvidos na decis\u00e3o. \u201cUm corte a partir do segundo semestre deste ano n\u00e3o ser\u00e1 surpresa\u201d, conclui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da desastrosa declara\u00e7\u00e3o durante a reuni\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) de janeiro, rasgando todos os comunicados do Banco Central, o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, optou por n\u00e3o criar ru\u00eddos. Silenciosamente, ele vem procurando construir consensos dentro do banco. 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