{"id":54,"date":"2015-02-28T00:01:00","date_gmt":"2015-02-28T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/agora_o_bc_quer_ser_a_fazenda\/"},"modified":"2015-02-28T00:01:00","modified_gmt":"2015-02-28T03:01:00","slug":"agora_o_bc_quer_ser_a_fazenda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/agora_o_bc_quer_ser_a_fazenda\/","title":{"rendered":"AGORA, O BC QUER SER A FAZENDA"},"content":{"rendered":"\n<p>Apesar de todo o arrocho anunciado nesta semana pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e dos indicadores ruins da economia, a come\u00e7ar pelo aumento do desemprego, o Banco Central ser\u00e1 obrigado a elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na pr\u00f3xima quarta-feira. E n\u00e3o ser\u00e1 pouca coisa: 0,5 ponto percentual, de 12,25% para 12,75% ano, movimento que vai na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria de todo o mundo. <\/p>\n<p>A Selic vai subir porque a infla\u00e7\u00e3o est\u00e1 alta demais, caminhando para 8% no acumulado de 12 meses. Parte importante dessa carestia foi causada pelo governo, que represou os pre\u00e7os administrados, acreditando que poderia arcar com a conta. Quando viu o tamanho da fatura e o estrago que ela estava fazendo nas contas p\u00fablicas, Levy decidiu transferi-la para o distinto p\u00fablico. <\/p>\n<p>Tamb\u00e9m o Banco Central tem a sua parcela de culpa. Nos \u00faltimos quatro anos, a institui\u00e7\u00e3o se rendeu aos apelos da presidente Dilma Rousseff. Em vez de combater com rigor os reajustes, o BC preferiu entregar \u00e0 chefe do Executivo um trof\u00e9u pol\u00edtico, o de levar a Selic para o menor patamar da hist\u00f3ria, de 7,25% ao ano, taxa que n\u00e3o se sustentou por mais de seis meses. <\/p>\n<p>Em nenhum momento do primeiro mandato de Dilma, a infla\u00e7\u00e3o ficou no centro da meta, de 4,5%. O \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) estourou o limite de toler\u00e2ncia, de 6,5%, por 15 vezes. O BC jamais acertou as previs\u00f5es. Diante do fracasso, sobrou para o presidente da autoridade monet\u00e1ria, Alexandre Tombini, adiar, constantemente, a promessa de cumprir a miss\u00e3o que lhe foi dada. <\/p>\n<p>Al\u00e9m da alta dos juros na quarta-feira que vem, o Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom) ter\u00e1 que promover pelo menos mais um aumento em abril, para 13%. S\u00f3 ent\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de encerrar o forte aperto monet\u00e1rio. O grande objetivo do BC \u00e9 recuperar a credibilidade perdida. E isso passa por dar um choque de juros na economia, mesmo com a recess\u00e3o e o desemprego mostrando as garras. <\/p>\n<p>Dentro do governo, a expectativa \u00e9 de que, at\u00e9 o fim do ano, o BC fa\u00e7a o caminho inverso e derrube a Selic. No entender de auxiliares de Dilma, isso ser\u00e1 poss\u00edvel por causa do ajuste fiscal que est\u00e1 sendo tocado por Levy. As medidas anunciadas at\u00e9 agora e o que ainda est\u00e1 por vir ser\u00e3o capazes de retirar press\u00e3o da infla\u00e7\u00e3o e fazer com que as expectativas para 2016 caminhem para bem pr\u00f3ximo de 4,5%. <\/p>\n<p>A determina\u00e7\u00e3o do BC, agora, \u00e9 demonstrar autonomia. Quer seguir o modelo da Fazenda de Levy. Muitos n\u00e3o acreditavam que o ministro tivesse for\u00e7a suficiente para promover o arrocho fiscal e corrigir todos os erros cometidos nos \u00faltimos quatro anos. Mas o que se tem visto at\u00e9 agora mostra que a presidente da Rep\u00fablica est\u00e1 bancando o ajuste, a ponto, inclusive, de enterrar um programa que ela lan\u00e7ou com todas as pompas, o Minha Casa Melhor. <\/p>\n<p><b>Do Pal\u00e1cio para o Congresso<\/b> <\/p>\n<p>Analistas de mercado dizem que as d\u00favidas em rela\u00e7\u00e3o ao poder de Joaquim Levy para tocar o ajuste fiscal se deslocaram do Pal\u00e1cio do Planalto para o Congresso. Ao avalizar medidas t\u00e3o impopulares, que desagradaram a trabalhadores e empres\u00e1rios, a presidente Dilma indicou que est\u00e1 disposta a corrigir os erros de seu primeiro mandato. A d\u00favida, agora, \u00e9 se o ministro da Fazenda conseguir\u00e1 dobrar os partidos da base aliada, sobretudo o PT, e aprovar cortes de benef\u00edcios sociais e de aumento de impostos. Ontem, at\u00e9 o PMDB, que vinha dando demonstra\u00e7\u00f5es de que havia tutelado o chefe da equipe econ\u00f4mica, elevou o tom ante a alta de tributos ao setor produtivo para a contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios. <\/p>\n<p><b>Fundos pendurados na Lava-Jato<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Dados do governo mostram que 94 dos 317 fundos de pens\u00e3o do pa\u00eds t\u00eam recursos aplicados em t\u00edtulos das empreiteiras envolvidas na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato. As aplica\u00e7\u00f5es somam R$ 1 bilh\u00e3o, volume considerado pequeno diante do total de ativos das funda\u00e7\u00f5es, de R$ 711 bilh\u00f5es. <\/p>\n<p><b>Sinal de alerta<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Na avalia\u00e7\u00e3o do governo, como n\u00e3o h\u00e1 risco de todas as construtoras que participaram do processo de corrup\u00e7\u00e3o da Petrobras fecharem as portas, por enquanto, n\u00e3o h\u00e1 por que os fundos de pens\u00e3o entrarem em p\u00e2nico. Mas, pelo sim, pelo n\u00e3o, \u00e9 bom manter ligado o sinal de alerta. <\/p>\n<p><b>Levy d\u00e1 sova em Mantega<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda, tem vivido dias dif\u00edceis. N\u00e3o bastasse o constrangimento que passou em um hospital de S\u00e3o Paulo, onde foi agredido verbalmente, est\u00e1 tomando uma sova de seu sucessor, Joaquim Levy, que faz quest\u00e3o de tripudiar a pol\u00edtica econ\u00f4mica que vigorou nos \u00faltimos quatro anos.<b> <\/p>\n<p><\/b><b>Pre\u00e7o de Barbosa<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, desembarca, na pr\u00f3xima sexta-feira, na C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Fran\u00e7a-Brasil para uma palestra. Os s\u00f3cios da entidade ter\u00e3o de desembolsar R$ 150, mais R$ 40 pelo estacionamento,para assisti-lo. A conta para os n\u00e3o s\u00f3cios sair\u00e1 por R$ 240,o pacote completo.&nbsp; <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 00h01min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de todo o arrocho anunciado nesta semana pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, e dos indicadores ruins da economia, a come\u00e7ar pelo aumento do desemprego, o Banco Central ser\u00e1 obrigado a elevar a taxa b\u00e1sica de juros (Selic) na pr\u00f3xima quarta-feira. 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