{"id":544,"date":"2016-03-02T08:30:47","date_gmt":"2016-03-02T11:30:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=544"},"modified":"2016-03-02T14:08:52","modified_gmt":"2016-03-02T17:08:52","slug":"pagando-pelos-erros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/pagando-pelos-erros\/","title":{"rendered":"PAGANDO PELOS ERROS"},"content":{"rendered":"<p>Mais do que a decis\u00e3o sobre a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que deve ser mantida hoje em 14,25% ao ano, os investidores querem ver o que o Banco Central escrever\u00e1 na ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que ser\u00e1 divulgada na pr\u00f3xima semana. Com a credibilidade no ch\u00e3o, a institui\u00e7\u00e3o ter\u00e1 que refor\u00e7ar seu compromisso com o controle da infla\u00e7\u00e3o. Se vier com palavras amenas, pode provocar ainda mais ru\u00eddos e fechar todas as portas para a queda da Selic a partir do segundo semestre, como aposta grande parte dos especialistas.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 mais espa\u00e7o para a repeti\u00e7\u00e3o de equ\u00edvocos, como o cometido pelo presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, em janeiro \u00faltimo. Em dia de reuni\u00e3o do Copom, ele usou um relat\u00f3rio do Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI) com perspectivas piores para a economia brasileira para rasgar o compromisso que havia assumido de elevar os juros. Provocou um enorme rebuli\u00e7o no mercado e estimulou remarca\u00e7\u00f5es preventivas de pre\u00e7os. O impacto foi t\u00e3o grande que as perspectivas de infla\u00e7\u00e3o para este ano saltaram para quase 8%.<\/p>\n<p>Agora, Tombini e seu diretor de Pol\u00edtica Econ\u00f4mica, Altamir Lopes, assumiram, publicamente, o discurso de que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para queda dos juros. Isso s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel, segundo eles, quando a infla\u00e7\u00e3o come\u00e7ar a cair. Todo mundo sabe, por\u00e9m, que o maior desejo do BC hoje \u00e9 de cortar os juros, e o far\u00e1 ainda neste ano. Mas \u00e9 preciso, antes de tudo, retomar um pouco da confian\u00e7a perdida e corrigir a comunica\u00e7\u00e3o com os agentes econ\u00f4micos. Os investidores precisam ter a certeza de que pelo menos um \u00f3rg\u00e3o do governo n\u00e3o abriu m\u00e3o do compromisso de levar a infla\u00e7\u00e3o para as metas.<\/p>\n<p><strong>Pior dos mundos<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias proje\u00e7\u00f5es circulando pelo mercado, mostrando que o corte de juros a partir do segundo semestre ser\u00e1 inevit\u00e1vel. Os mais otimistas em rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel de atividade falam de redu\u00e7\u00e3o de dois pontos percentuais, para 12,25% ao ano. A ala mais pessimistas diz que, diante da gravidade da recess\u00e3o, a Selic ter\u00e1 que cair pelo menos quatro pontos, para 10,25%. Em ambos os cen\u00e1rios, as justificativas s\u00e3o de que, se n\u00e3o houver um afrouxamento da pol\u00edtica monet\u00e1ria, o Produto Interno Bruto (PIB) poder\u00e1 recuar at\u00e9 3% em 2017, isso, depois de ceder 4% em 2015 e 4% em 2016.<\/p>\n<p>O entendimento \u00e9 de que, mesmo que a infla\u00e7\u00e3o deste ano fique acima do teto da meta, de 6,5%, n\u00e3o haver\u00e1 escapat\u00f3ria. Os juros reais, que descontam o custo de vida projetado para os pr\u00f3ximos 12 meses, v\u00e3o aumentar muito, o que \u00e9 mortal para a economia real. O BC ter\u00e1 que agir para n\u00e3o enterrar de vez o pa\u00eds. Para isso, por\u00e9m, ter\u00e1 que reconstruir a credibilidade perdida. N\u00e3o h\u00e1 como uma autoridade monet\u00e1ria sem confian\u00e7a fazer um movimento t\u00e3o forte dos juros, mesmo com a infla\u00e7\u00e3o longe do centro da meta.<\/p>\n<p>J\u00e1 no comunicado de hoje p\u00f3s-reuni\u00e3o de Copom, o time comandado por Tombini deve refor\u00e7ar que os juros, por enquanto, ficam onde est\u00e3o. Na ata, vir\u00e1 o detalhamento sobre o que pensa o BC. Os analistas dizem que o banco n\u00e3o deve se acovardar e precisa cobrar um compromisso mais consistente do Minist\u00e9rio da Fazenda com o ajuste fiscal. \u00c9 generalizado o temor de que o pa\u00eds caminhe para o calote se a d\u00edvida p\u00fablica sair do controle. Sem o reequil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, de nada adiantar\u00e1 o movimento de corte de juros para resgatar a economia.<\/p>\n<p><strong>Panela de press\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Dentro do BC, h\u00e1 uma corrente que defende o corte de juros ainda que o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) fique al\u00e9m de 6,5%. O argumento \u00e9 de que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para um surto inflacion\u00e1rio com o corte de juros, porque a capacidade de crescimento da economia est\u00e1 muito distante de seu potencial. O estrago provocado pelo governo foi tamanho, que uma retomada que possa estimular um movimento de alta de pre\u00e7os est\u00e1 muito distante do horizonte.<\/p>\n<p>De qualquer forma, n\u00e3o d\u00e1 para brincar. O BC j\u00e1 errou demais e imp\u00f4s custos enormes ao pa\u00eds. Se quiser realmente pavimentar o caminho para a redu\u00e7\u00e3o da Selic, ter\u00e1 que ser muito transparente e contundente na comunica\u00e7\u00e3o com o mercado. Meias palavras n\u00e3o bastar\u00e3o. Est\u00e1 claro para todo mundo que a insatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 grande. Falta muito pouco para a panela de press\u00e3o explodir. N\u00e3o seria recomend\u00e1vel ao Banco Central ser o estopim do caos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que a decis\u00e3o sobre a taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que deve ser mantida hoje em 14,25% ao ano, os investidores querem ver o que o Banco Central escrever\u00e1 na ata do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), que ser\u00e1 divulgada na pr\u00f3xima semana. 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