{"id":558,"date":"2016-03-04T08:30:37","date_gmt":"2016-03-04T11:30:37","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=558"},"modified":"2016-03-04T11:13:45","modified_gmt":"2016-03-04T14:13:45","slug":"retrato-da-devastacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/retrato-da-devastacao\/","title":{"rendered":"RETRATO DA DEVASTA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p>Quebrar um pa\u00eds requer muito esfor\u00e7o, mas a presidente Dilma Rousseff conseguiu a fa\u00e7anha. Os n\u00fameros que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou ontem revelam uma economia devastada, que ainda est\u00e1 longe de atingir seu pior momento. A queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% em 2015, a maior em duas d\u00e9cadas e meia, foi a primeira parcela da heran\u00e7a maldita da petista que o pa\u00eds est\u00e1 desfrutando. Tudo indica que, neste ano, ainda veremos encolhimento pr\u00f3ximo de 4%. E n\u00e3o se descarta nova contra\u00e7\u00e3o em 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Desde que tomou posse, em janeiro de 2011, Dilma imbuiu-se da miss\u00e3o de destruir os pilares da estabilidade econ\u00f4mica, constru\u00eddos com muito sacrif\u00edcio depois de uma luta de d\u00e9cadas contra a hiperinfla\u00e7\u00e3o. Cercada por economistas de ideias bastante discut\u00edveis, como Guido Mantega, Nelson Barbosa e Arno Augustin, a presidente acreditou que poderia recorrer a experimentos que j\u00e1 haviam se mostrado desastrosos, como aceitar mais infla\u00e7\u00e3o para estimular o crescimento. Conseguiu, por\u00e9m, com essa vis\u00e3o equivocada, destruir o or\u00e7amento das fam\u00edlias, cujo consumo despencou 4% em 2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A presidente tamb\u00e9m acreditou que, abrindo os cofres do Tesouro Nacional e abarrotando o caixa dos bancos p\u00fablicos, motivaria o setor produtivo a investir. Para isso, n\u00e3o economizou na distribui\u00e7\u00e3o de subs\u00eddios, sobretudo a companhias eleitas pelo Pal\u00e1cio do Planalto como \u201ccampe\u00e3s nacionais\u201d. O que se viu, contudo, foi uma onda de desconfian\u00e7a varrer o pa\u00eds, diante da destrui\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Como era de se esperar, enquanto um grupo seleto de empresas aumentou os lucros, a popula\u00e7\u00e3o se viu obrigada a pagar mais impostos para tentar cobrir o deficit fiscal. Os investimentos? Bem, eles est\u00e3o em queda h\u00e1 tr\u00eas anos. Somente em 2015, recuaram 14,1%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Embalada pelas campanhas do publicit\u00e1rio Jo\u00e3o Santana, que est\u00e1 preso acusado de corrup\u00e7\u00e3o, Dilma prometeu que trabalharia dia e noite para \u201co Brasil crescer e gerar empregos\u201d. A farsa durou at\u00e9 as urnas confirmarem a reelei\u00e7\u00e3o. A partir dali, a economia afundou e o desemprego deu as caras. Apenas em 2015, o \u00edndice de desocupa\u00e7\u00e3o nas seis principais regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds quase dobrou: saltou de 4,3% para 6,9%. No Brasil todo, o desemprego atinge 9% da popula\u00e7\u00e3o economicamente ativa e pode rapidamente chegar a 12% se mantido o ritmo de fechamento de vagas observado em janeiro deste \u2014 quase 100 mil postos desapareceram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Regado a corrup\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todas as maluquices do governo foram regadas a corrup\u00e7\u00e3o. N\u00e3o bastasse ter se deparado com o desmonte da economia, a popula\u00e7\u00e3o tomou conhecimento da dela\u00e7\u00e3o do senador Delc\u00eddio do Amaral. Na pris\u00e3o, conforme revelou a revista <em>Isto\u00c9<\/em>, ele afirmou que tanto Dilma quanto o ex-presidente Lula tentaram atrapalhar as investiga\u00e7\u00f5es da Lava-Jato. O petista disse ainda que a presidente da Rep\u00fablica participou de todos os detalhes da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, pela Petrobras, que arcou com preju\u00edzos bilion\u00e1rios.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como sempre faz quando est\u00e1 acuado, o governo tentou desqualificar as den\u00fancias. Assegurou que Delc\u00eddio estava falando o que n\u00e3o devia porque n\u00e3o teve ajuda para deixar a cadeia. O Planalto sabe, por\u00e9m, que boa parte do que o senador disse na dela\u00e7\u00e3o \u00e9 verdade. Dilma ter\u00e1 que se desdobrar para provar inoc\u00eancia. Quanto \u00e0 economia, a presidente nada pode fazer. Com a sucess\u00e3o de equ\u00edvocos que cometeu, ela n\u00e3o tem mais credibilidade para convencer os agentes econ\u00f4micos de que tem a receita que o pa\u00eds precisa para voltar a crescer. Muito pelo contr\u00e1rio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo o que o governo vem propondo como medidas pr\u00f3-crescimento, na verdade, s\u00f3 agrava os problemas da economia. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, adotou o sistema de banda fiscal, que, na pr\u00e1tica, institucionaliza a licen\u00e7a para registrar deficits cont\u00ednuos nas contas p\u00fablica. Ele apoia a renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas com os estados, que ampliar\u00e1 em mais de R$ 30 bilh\u00f5es o rombo nas contas federais. E acredita que o incentivo ao endividamento pode reativar o consumo. Tanto que lan\u00e7ou um pacote prevendo R$ 83 bilh\u00f5es em financiamentos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em vez de repetir o receitu\u00e1rio do passado, Barbosa deveria trabalhar para recuperar a confian\u00e7a do governo. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho para o pa\u00eds sair do atoleiro no qual o governo o meteu. Mas, pelo que j\u00e1 se viu, \u00e9 pedir demais para um dos pais da Nova Matriz Econ\u00f4mica, a base de todo o desastre desnudado pelo IBGE. Portanto, o melhor \u00e9 se acostumar com o ditado popular: nada est\u00e1 t\u00e3o ruim que n\u00e3o possa piorar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quebrar um pa\u00eds requer muito esfor\u00e7o, mas a presidente Dilma Rousseff conseguiu a fa\u00e7anha. Os n\u00fameros que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) divulgou ontem revelam uma economia devastada, que ainda est\u00e1 longe de atingir seu pior momento. A queda do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,8% em 2015, a maior em duas [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":22,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"wpb_read_more":[],"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-558","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/users\/22"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=558"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":559,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/558\/revisions\/559"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=558"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=558"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=558"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}