{"id":56,"date":"2015-03-03T16:03:00","date_gmt":"2015-03-03T19:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/para_o_barco_nao_afundar\/"},"modified":"2015-03-03T16:03:00","modified_gmt":"2015-03-03T19:03:00","slug":"para_o_barco_nao_afundar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/para_o_barco_nao_afundar\/","title":{"rendered":"PARA O BARCO N\u00c3O AFUNDAR"},"content":{"rendered":"\n<p>O esfor\u00e7o fiscal  prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, est\u00e1 longe de garantir a  retomada mais forte da economia no m\u00e9dio e no longo prazos. As medidas  anunciadas nos \u00faltimos dias, que somam R$ 111 bilh\u00f5es, se concretizadas, apenas  evitar\u00e3o que o pa\u00eds afunde de vez. Para que o Brasil cres\u00e7a de forma sustentada,  a taxas superiores a 3% ao ano, ser\u00e1 preciso uma mudan\u00e7a ideol\u00f3gica do governo a  fim de resgatar a agenda abandonada da produtividade e da maior competitividade  da economia. <\/p>\n<p>\u00c9 louv\u00e1vel que, mesmo a contragosto, e com o PT lhe  apontando uma espada no peito, a presidente Dilma Rousseff assuma que errou feio  nos \u00faltimos quatro anos e d\u00ea poderes para Levy resgatar o barco antes de o pior  acontecer. Est\u00e1 claro, por\u00e9m, que o foco da petista \u00e9 de curto prazo. Seu  objetivo principal \u00e9 evitar o rebaixamento do pa\u00eds pelas ag\u00eancias de  classifica\u00e7\u00e3o de risco e o fechamento dos mercados internacionais, o que poderia  detonar uma crise cambial aguda, a ponto de o Banco Central ser obrigado a se  desfazer das reservas que hoje funcionam como importante seguro. <\/p>\n<p>Na vis\u00e3o  do economista S\u00edlvio Campos Neto, da Tend\u00eancias Consultoria, o Brasil est\u00e1,  neste momento, apenas tomando o rem\u00e9dio fundamental para sua sobreviv\u00eancia. Se  realmente o governo quiser impulsionar o Produto Interno Bruto (PIB), ter\u00e1 que  ampliar os esfor\u00e7os para al\u00e9m da arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas. Isso implica  apoiar reformas como a tribut\u00e1ria e a da Previd\u00eancia Social, agilizar o processo  de concess\u00f5es na \u00e1rea de infraestrutura e abrir a economia. Sem isso, o pa\u00eds  est\u00e1 condenado a ter mais uma d\u00e9cada perdida. <\/p>\n<p>Os n\u00fameros mostraram que,  sob o comando de Dilma, o Brasil teve o pior desempenho econ\u00f4mico em um quarto  de s\u00e9culo. O risco de o pa\u00eds acumular dois anos de retra\u00e7\u00e3o no PIB \u00e9 enorme,  fato que n\u00e3o se v\u00ea desde 1930. Com a petista, a desigualdade social aumentou e o  desemprego teve a primeira alta em seis anos. Quando se olha para a frente,  nada, nem mesmo o esfor\u00e7o fiscal prometido por Levy, garante que, em 2018,  quando a presidente encerrar\u00e1 o segundo mandato, o PIB estar\u00e1 caminhando a todo  vapor. <\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso os \u00edndices de confian\u00e7a est\u00e3o t\u00e3o baixos. Parte da  equipe econ\u00f4mica acredita que, j\u00e1 no fim deste ano, o humor dos empres\u00e1rios  estar\u00e1 melhor, uma vez que o ajuste fiscal mostrar\u00e1 resultados e a infla\u00e7\u00e3o,  agora pressionada pela corre\u00e7\u00e3o das tarifas p\u00fablicas, estar\u00e1 apontando para  baixo. Isso, no entanto, n\u00e3o significar\u00e1 a volta dos investimentos produtivos. A  ind\u00fastria est\u00e1 machucada demais, em recess\u00e3o h\u00e1 mais de dois anos, e o setor de  servi\u00e7os, que vinha segurando o n\u00edvel de atividade, desabou para o menor patamar  desde a crise de 2009. <\/p>\n<p>Quanto aos consumidores, S\u00edlvio Campos Neto afirma  que eles ser\u00e3o os \u00faltimos a voltar a confiar no governo. Assim como demoraram a  sentir os efeitos da desacelera\u00e7\u00e3o da economia, conviver\u00e3o, por mais tempo, com  o pior do ajuste prometido por Levy: redu\u00e7\u00e3o do poder de compra e demiss\u00f5es.  \u201cN\u00e3o podemos esquecer que o ac\u00famulo de equ\u00edvocos foi t\u00e3o grande nos \u00faltimos  quatro anos, com subs\u00eddios em excesso, interven\u00e7\u00e3o para cortes na conta de luz e  press\u00e3o para o Banco Central reduzir juros mesmo com a infla\u00e7\u00e3o em alta, que  levar\u00e1 tempo para a casa ficar arrumada\u201d, destaca. <\/p>\n<p><b>Falta de  horizonte<\/b> <\/p>\n<p>Economista-chefe do Ita\u00fa Unibanco, Ilan Goldfajn diz que o  fato de o governo demostrar uma vis\u00e3o de curto prazo, imediatista, cria um  problema adicional \u00e0 economia: a falta de horizonte. \u201cTorna-se dif\u00edcil enxergar  o futuro, mesmo o pr\u00f3ximo, em meio a ajustes emergenciais\u201d, assinala. Diante  desse quadro, ele se pergunta: \u201cQual ser\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o da economia daqui a tr\u00eas,  quatro anos? De que forma terminar\u00e1 esse per\u00edodo de ajuste?\u201d. <\/p>\n<p>Para  Goldfajn, existem algumas alternativas. Uma delas, bem pessimista, seria a de  que os ajustes propostos por Levy n\u00e3o se sustentariam por falta de apoio do  governo ou da sociedade, o que minaria de vez a confian\u00e7a de investidores,  empres\u00e1rios e consumidores. Outra, benigna, seria o apoio necess\u00e1rio para os  ajustes, apesar de todas as dificuldades econ\u00f4micas e pol\u00edticas, resgatando a  credibilidade do pa\u00eds e permitindo v\u00e1rios anos de recupera\u00e7\u00e3o da  economia. <\/p>\n<p>Num cen\u00e1rio intermedi\u00e1rio, afirma o economista do Ita\u00fa, os  ajustes seriam o m\u00ednimo necess\u00e1rio para evitar uma crise, mas insuficientes para  retomar a confian\u00e7a e o crescimento. \u201cA agenda continuaria focada no curto  prazo, sempre alerta para evitar o pior, mas sem for\u00e7as para ir al\u00e9m. O  crescimento seria med\u00edocre, mas n\u00e3o haveria queda substancial na renda nem  aumento forte do desemprego. Seria uma d\u00e9cada perdida, mas sem crise\u201d, frisa,  concluindo: \u201cPara alguns seria um cen\u00e1rio pessimista; para outros, o melhor que  se pode esperar\u201d. <\/p>\n<p><b>\u00c0 espera das ag\u00eancias<\/b><b> <\/p>\n<p><\/b>\u00bb Tudo indica  que os representantes de ag\u00eancias de classifica\u00e7\u00e3o de risco que estar\u00e3o no  Brasil nesta semana ser\u00e3o recebidos pelo ministro da Casa Civil, Aloizio  Mercadante. No Pal\u00e1cio do Planalto, avalia-se que a perda do grau de  investimento do pa\u00eds \u00e9 um risco real, embora seja injusto se ocorrer, pois tem  v\u00e1rios indicadores positivos, incluindo o n\u00edvel de reservas internacionais e o  emprego em patamar historicamente muito bom. O argumento de assessores da  presidente Dilma \u00e9 o de que, nem de longe, o Brasil se parece com o pa\u00eds em  grave crise, que recorreu, por diversas vezes, ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional  (FMI). Apesar das justificativas, n\u00e3o h\u00e1 ilus\u00f5es: a perda do grau de  investimento vai piorar muito a situa\u00e7\u00e3o que j\u00e1 \u00e9 bastante ruim.   <\/p>\n<p><b>Ressalvas de Barbosa<\/b><b> <\/p>\n<p><\/b>\u00bb Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nota publicada na  coluna no s\u00e1bado passado, falando sobre a palestra que far\u00e1 na C\u00e2mara de  Com\u00e9rcio Fran\u00e7a-Brasil, na pr\u00f3xima sexta-feira, o ministro do Planejamento,  Nelson Barbosa, diz que n\u00e3o tem qualquer participa\u00e7\u00e3o na organiza\u00e7\u00e3o do evento  nem controle de convidados ou sua forma de acesso. Ele ressalta ainda que  considera inadequado o t\u00edtulo da nota e repudia qualquer insinua\u00e7\u00e3o de \u201cpre\u00e7o\u201d  envolvendo seu nome.  <\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 16h05min   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O esfor\u00e7o fiscal prometido pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, est\u00e1 longe de garantir a retomada mais forte da economia no m\u00e9dio e no longo prazos. As medidas anunciadas nos \u00faltimos dias, que somam R$ 111 bilh\u00f5es, se concretizadas, apenas evitar\u00e3o que o pa\u00eds afunde de vez. 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