{"id":562,"date":"2016-03-06T08:30:53","date_gmt":"2016-03-06T11:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=562"},"modified":"2016-03-07T16:06:39","modified_gmt":"2016-03-07T19:06:39","slug":"rastilho-de-polvora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/rastilho-de-polvora\/","title":{"rendered":"RASTILHO DE P\u00d3LVORA"},"content":{"rendered":"<p>A condu\u00e7\u00e3o coercitiva do ex-presidente Lula para prestar depoimento sobre corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras mudou a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato de patamar e elevou as crises pol\u00edtica e econ\u00f4mica a n\u00edveis insustent\u00e1veis. Daqui por diante, veremos um pa\u00eds conflagrado, que deixar\u00e1 ainda mais distante a possibilidade de a economia sair do atoleiro em que se encontra. N\u00e3o h\u00e1 mais como pensar em uni\u00e3o nacional para p\u00f4r em pr\u00e1tica as medidas que o Brasil tanto precisa para se levantar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 certo que o governo n\u00e3o desfruta mais da confian\u00e7a dos agentes econ\u00f4micos. Para empres\u00e1rios e investidores, o melhor seria que a presidente Dilma Rousseff deixasse imediatamente o poder. Com isso, acreditam, a credibilidade voltaria e seria poss\u00edvel fechar um pacto pelo crescimento. Esse desejo, por\u00e9m, n\u00e3o pode extrapolar para uma guerra santa, que, com certeza, ter\u00e1 como maior perdedor o pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como diz um importante banqueiro, a sensa\u00e7\u00e3o \u00e9 de que entramos em uma sala cheia de g\u00e1s, que pode explodir a qualquer momento. O f\u00f3sforo, diz ele, j\u00e1 foi aceso com a decis\u00e3o da pol\u00edcia de levar Lula para depor. A decis\u00e3o da Justi\u00e7a de autorizar a condu\u00e7\u00e3o coercitiva refor\u00e7a que nenhum cidad\u00e3o est\u00e1 acima da lei, mas, para muitos, passou a ser a senha do confronto, da luta de classes. Os confrontos em frente \u00e0 casa do ex-presidente foram o sinal mais claro do clima de beliger\u00e2ncia que se instalou no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse ambiente carregado, temia-se por um fato que pudesse provocar o colapso. E ele veio com Lula sendo retirado de casa para depor. Se, at\u00e9 ent\u00e3o, a pris\u00e3o do l\u00edder petista era algo inimagin\u00e1vel, agora se tornou uma possibilidade real. O problema \u00e9 que a fragilidade atual de Lula acabou por empurrar o governo de Dilma Rousseff para o precip\u00edcio. Se o ex-presidente cair, como se diz na g\u00edria policial, a chefe do Executivo ir\u00e1 junto. N\u00e3o h\u00e1 como dissociar os dois.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Mergulho na depress\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m acredita mais em uma solu\u00e7\u00e3o a curto prazo para o Brasil, que est\u00e1 mergulhando na depress\u00e3o, resultado da mais prolongada recess\u00e3o de que se tem not\u00edcia em d\u00e9cadas. Esperava-se que, mesmo com todas as crises que nos tiram o sono, o pa\u00eds chegasse a 2018, ano de elei\u00e7\u00f5es, num cen\u00e1rio menos hostil. Mas, com o terremoto pol\u00edtico que abalou a Rep\u00fablica, continuaremos caminhando num ambiente pantanoso, muito favor\u00e1vel para o aparecimento de salvadores da p\u00e1tria, que ocupariam o v\u00e1cuo aberto pela falta de lideran\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O quadro \u00e9 t\u00e3o dram\u00e1tico que mesmo pessoas ligadas a Dilma reconhecem que ela perdeu a capacidade de controlar o ambiente pol\u00edtico e de tocar as reformas constitucionais que poderiam reanimar a atividade econ\u00f4mica. \u00c9 por isso que o buraco no qual o pa\u00eds se meteu ainda est\u00e1 longe do fim. \u201cEstamos no pior dos mundos\u201d, diz um assessor do Pal\u00e1cio do Planalto. \u201cTemos um governo fr\u00e1gil, sem apoio pol\u00edtico, e uma economia em frangalhos. Isso gera muita confus\u00e3o e, pior, tens\u00e3o. N\u00e3o h\u00e1 como ver o futuro \u00e0 frente\u201d, emenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A perspectiva dentro do governo e entre os agentes econ\u00f4micos \u00e9 de que, com a economia afundando mais nos pr\u00f3ximos meses e o desemprego disparando, os \u00e2nimos v\u00e3o se acirrar. O primeiro grande teste para medir a temperatura ser\u00e1 o 13 de mar\u00e7o, quando manifesta\u00e7\u00f5es contra Dilma devem ganhar as ruas. Os confrontos, sobretudo nas capitais onde o PT \u00e9 mais hostilizado, como S\u00e3o Paulo, tender\u00e3o a ganhar contornos preocupantes. Teme-se, inclusive, mortes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Processo de depura\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O momento, portanto, exige serenidade. A democracia permite que todos expressem, livremente, suas opini\u00f5es. O fato de algu\u00e9m discordar de alguma posi\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa um chamado para a briga. O que todos devem ter em mente \u00e9 que o Brasil est\u00e1 passando por um processo de depura\u00e7\u00e3o, expondo o que h\u00e1 de pior, como a corrup\u00e7\u00e3o que dizimou o caixa da Petrobras, empresa que j\u00e1 foi s\u00edmbolo de efici\u00eancia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A Lava-Jato veio para ficar. N\u00e3o h\u00e1 mais retorno, gostem ou n\u00e3o gostem. Quando ela chegar ao fim, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas de que o Brasil estar\u00e1 melhor. A opera\u00e7\u00e3o est\u00e1 mostrando que n\u00e3o h\u00e1 mais cidad\u00e3o de primeira e segunda classes. Todos s\u00e3o iguais perante as leis. Acabou o tempo em que somente negros, pobres e ladr\u00f5es de galinha iam presos. Trata-se de uma conquista da qual temos que nos orgulhar \u2014 e muito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A condu\u00e7\u00e3o coercitiva do ex-presidente Lula para prestar depoimento sobre corrup\u00e7\u00e3o na Petrobras mudou a Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato de patamar e elevou as crises pol\u00edtica e econ\u00f4mica a n\u00edveis insustent\u00e1veis. Daqui por diante, veremos um pa\u00eds conflagrado, que deixar\u00e1 ainda mais distante a possibilidade de a economia sair do atoleiro em que se encontra. 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