{"id":569,"date":"2016-03-08T08:30:16","date_gmt":"2016-03-08T11:30:16","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=569"},"modified":"2016-03-08T11:14:51","modified_gmt":"2016-03-08T14:14:51","slug":"fantasia-para-o-desastre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/fantasia-para-o-desastre\/","title":{"rendered":"FANTASIA PARA O DESASTRE"},"content":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff decidiu vestir novamente a fantasia de candidata. Bastou a reaproxima\u00e7\u00e3o com o ex-presidente Lula, para que ela retomasse o velho e ultrapassado discurso de que a culpa de todos os males que o Brasil est\u00e1 enfrentando hoje \u00e9 da oposi\u00e7\u00e3o. A petista acredita que, com isso, ganha for\u00e7a pol\u00edtica para manter o mandato, amea\u00e7ado por um processo de impeachment e por uma investiga\u00e7\u00e3o de uso irregular de recursos na campanha \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o. Na verdade, ao jogar palavras ao vento, ela s\u00f3 ajuda a afundar o pa\u00eds, varrido por uma onda sem precedentes de desconfian\u00e7a.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Enquanto esteve distante de Lula e do PT, Dilma deu algum sinal de racionalidade. Liberou sua equipe econ\u00f4mica para negociar, com a oposi\u00e7\u00e3o que ela agora critica, um pacote m\u00ednimo de ajuste fiscal, incluindo a reforma da Previd\u00eancia Social, de forma a mostrar que nem tudo est\u00e1 perdido em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s contas p\u00fablicas. Ao partir para o discurso eleitoral, simplesmente, ela fecha todas as portas do Congresso, pois o partido dela, o PT, j\u00e1 avisou que n\u00e3o aprovar\u00e1 nada que afronte os manifestantes que lotaram a porta da casa de Lula para receb\u00ea-lo depois de prestar depoimento na pol\u00edcia federal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como bem define um importante t\u00e9cnico da equipe econ\u00f4mica, se antes j\u00e1 estava dif\u00edcil acreditar no real compromisso de Dilma com o ajuste fiscal e a reforma da Previd\u00eancia, agora ficou praticamente imposs\u00edvel. Ao dar tchauzinhos da sacada do apartamento de Lula, em S\u00e3o Bernardo do Campo, para a claque que a aplaudia, ela explicitou de que lado est\u00e1. Entre colocar as contas p\u00fablicas em ordem e garantir o apoio nas ruas contra os que pedem o fim de seu mandato, a chefe do Executivo ficar\u00e1 com os companheiros, ainda que isso provoque mais estragos na economia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Queda de 4% \u00e9 piso<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o por acaso, empres\u00e1rios e investidores est\u00e3o se apegando a todos os sinais de que o governo de Dilma pode acabar antes do prazo previsto. Apesar de essa probabilidade ser baixa, muitos justificam que \u00e9 melhor manter a esperan\u00e7a de que isso aconte\u00e7a do que imaginar que o desastre econ\u00f4mico pode perdurar at\u00e9 2018. Todos os n\u00fameros da atividade mostram um pa\u00eds em colapso. O primeiro trimestre do ano est\u00e1 caminhando para o fim e os economistas projetam queda de 1,8% em rela\u00e7\u00e3o aos \u00faltimos tr\u00eas meses de 2015, que j\u00e1 foram terr\u00edveis.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A falta de perspectiva para a economia \u00e9 tamanha, que os mais pessimistas acreditam que o piso para a queda do Produto Interno Bruto (PIB) passou a ser de 4%. \u201cCom o distanciamento da oposi\u00e7\u00e3o, da qual o governo vinha se aproximando para tirar o pa\u00eds do atoleiro fiscal, esgar\u00e7ou-se o combate \u00e0 recess\u00e3o e \u00e0 infla\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ivo Chermont, economista-chefe da Itaim Asset. Para ele, est\u00e1 ficando cada vez mais evidente que a contra\u00e7\u00e3o do PIB neste ano ser\u00e1 de 4,1%. Isso, \u00e9 claro, no seu cen\u00e1rio base. \u201cSe houver alguma revis\u00e3o desse n\u00famero, ser\u00e1 para pior\u201d, avisa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o de Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da Nova Futura Corretora, o tombo do PIB neste ano ser\u00e1 de 4,2%. E nem mesmo o poss\u00edvel corte das taxas de juros pelo Banco Central ser\u00e1 suficiente para evitar o aprofundamento da recess\u00e3o. \u201cA resposta do PIB \u00e0 pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 muito pequena\u201d, diz. O mais preocupante, acrescenta Ivo Chermont, \u00e9 que a infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 muito acima do toler\u00e1vel para uma economia que, em 2015, fechou com \u00edndices de pre\u00e7os pr\u00f3ximos de 11%. \u201cContinuaremos afundados num quadro de forte contra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica com custo de vida em torno de 9%\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O caldo entornou<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A equipe econ\u00f4mica reconhece que \u201co caldo entornou de vez\u201d, n\u00e3o apenas por causa do ressurgimento do discurso de candidata de Dilma. Para t\u00e9cnicos da Fazenda e do Banco Central, a dela\u00e7\u00e3o do senador Delc\u00eddio do Amaral e o risco de pris\u00e3o do ex-presidente Lula elevaram a n\u00edveis incontrol\u00e1veis a crise pol\u00edtica, que torna imposs\u00edvel se falar em ajuste fiscal e em reformas estruturais pelos pr\u00f3ximos meses. Essa percep\u00e7\u00e3o vale para a CPMF, imposto que o Pal\u00e1cio do Planalto planejava aprovar at\u00e9 o fim de maio e cobrar a partir de setembro, garantindo refor\u00e7o de R$ 10 bilh\u00f5es no caixa do Tesouro Nacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A ordem, por\u00e9m, \u00e9 n\u00e3o jogar a toalha explicitamente. A equipe econ\u00f4mica continuar\u00e1 pregando que trabalhar\u00e1 junto ao Congresso para levar adiante todas as propostas que resultem na melhora das contas p\u00fablicas e contenham o derretimento da economia. Mas, \u00e0 medida que Dilma for migrando para mais \u00e0 esquerda, modelando o discurso ao que as bases do PT querem ouvir, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, se tornar\u00e1 um fantoche, uma figura decorativa. Nada muito distante da vis\u00e3o que muitos empres\u00e1rios e investidores j\u00e1 t\u00eam dele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quanto ao Banco Central, o que todos esperam \u00e9 que siga na dire\u00e7\u00e3o err\u00e1tica que prevaleceu desde que Dilma tomou posse, ou seja, prometendo uma coisa e fazendo outra. A institui\u00e7\u00e3o, ressalte-se, deixou de ser refer\u00eancia h\u00e1 muito tempo. Em vez de dar a tranquilidade que a economia tanto precisa nesse ambiente de caos que o pa\u00eds se encontra, s\u00f3 alimenta ru\u00eddos e a especula\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, a infla\u00e7\u00e3o que assombra as fam\u00edlias segue imp\u00e1vida. \u00c9 o Brasil ao deus-dar\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A presidente Dilma Rousseff decidiu vestir novamente a fantasia de candidata. 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