{"id":571,"date":"2016-03-09T08:30:17","date_gmt":"2016-03-09T11:30:17","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=571"},"modified":"2016-03-09T08:28:26","modified_gmt":"2016-03-09T11:28:26","slug":"o-fator-pmdb","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/o-fator-pmdb\/","title":{"rendered":"O FATOR PMDB"},"content":{"rendered":"<p>Mais do que as manifesta\u00e7\u00f5es marcadas para domingo, que podem elevar as press\u00f5es para o impeachment ou a ren\u00fancia da presidente Dilma Rousseff, \u00e9 a conven\u00e7\u00e3o nacional do PMDB, no s\u00e1bado, que est\u00e1 mexendo com as emo\u00e7\u00f5es do mercado financeiro. Os investidores tentam mapear quais s\u00e3o as chances reais de o partido pular do barco do governo. Se hoje, com a legenda ainda se dizendo da base aliada e ocupando espa\u00e7o de destaque na Esplanada dos Minist\u00e9rios, a petista n\u00e3o consegue fazer nada andar no Congresso, sem o apoio formal dos peemedebistas o fracasso ser\u00e1 total.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>At\u00e9 onde a vista alcan\u00e7a, tudo indica que n\u00e3o ser\u00e1 desta vez que o PMDB romper\u00e1 formalmente com Dilma. Mas, entre os investidores, \u00e9 forte a convic\u00e7\u00e3o de que o partido deixar\u00e1 a presidente \u00e0 m\u00edngua at\u00e9 entreg\u00e1-la aos le\u00f5es. Essa perspectiva tem prevalecido sobre todos os problemas da economia. N\u00e3o h\u00e1, no entendimento dos agentes financeiros, o que esperar do governo em termos de medidas para tirar o pa\u00eds da recess\u00e3o e resgatar a confian\u00e7a. O jeito \u00e9 se apegar \u00e0 pol\u00edtica para que ela promova a virada que todos est\u00e3o ansiando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O exemplo mais forte de como o mercado lavou as m\u00e3os em rela\u00e7\u00e3o ao atual governo foi a rea\u00e7\u00e3o \u00e0 proposta de deputados petistas para que o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, amplie o deficit fiscal para estimular os investimentos e, por tabela, a retomada do crescimento. Em outros tempos, tal iniciativa seria suficiente para provocar um nervosismo enorme entre os investidores, sobretudo pelo fato de o ministro sempre flertar com rombos nas contas p\u00fablicas. Contudo, nada do que venha do PT em rela\u00e7\u00e3o ao ajuste fiscal causa mais espanto. Mesmo que o governo demonstre apoio.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Crises extremas<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pelos c\u00e1lculos de Andr\u00e9 Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos, do jeito que as contas p\u00fablicas est\u00e3o hoje, sem a aprova\u00e7\u00e3o de qualquer aumento de imposto, nem a CPMF, o Brasil registrar\u00e1 deficit prim\u00e1rio at\u00e9 2018, o \u00faltimo ano de governo de Dilma garantido pelas urnas. Em 2016, especificamente, o buraco ser\u00e1 de 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Isso significa dizer que, em mais da metade dos dois mandatos \u2014 supondo que complete os oito anos \u2014, a petista manter\u00e1 as contas p\u00fablicas no vermelho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No entender de Perfeito, num quadro de crises econ\u00f4mica e pol\u00edtica t\u00e3o extremas, como as que estamos vivendo, seria compreens\u00edvel que o governo apresentasse rombos em suas contas. \u201cO problema \u00e9 que as pessoas n\u00e3o acreditam que os deficits ser\u00e3o revertidos em um per\u00edodo pr\u00e9 determinado\u201d, diz. A vis\u00e3o \u00e9 de que os buracos se repetir\u00e3o constantemente, como uma licen\u00e7a para gastar. E quando algu\u00e9m se der ao trabalho de propor a cobertura dos rombos, ser\u00e1 sempre por meio de aumento de impostos, coisa que a sociedade n\u00e3o suporta mais, especialmente por se deparar com um governo perdul\u00e1rio e incompetente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O economista da Gradual acredita, por\u00e9m, que haver\u00e1 algum ajuste nos resultados do governo, quando inclu\u00eddos os gastos com encargos da d\u00edvida. O chamado deficit nominal encerrou 2015 acima de 10% do PIB. Dos mais de R$ 500 bilh\u00f5es que o Banco Central gastou com juros, R$ 100 bilh\u00f5es foram decorrentes das perdas com swaps cambiais, contratos que funcionam como uma venda futura de d\u00f3lares. Esses preju\u00edzos n\u00e3o devem se repetir. Al\u00e9m disso, ele aposta em queda da taxa b\u00e1sica de juros (Selic), que est\u00e1 em 14,25% ao ano, e em ligeiro recuo da infla\u00e7\u00e3o, que reduz as despesas com t\u00edtulos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Apreens\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se o mercado v\u00ea como positiva a debandada do PMDB da base aliada, dentro do governo, tal perspectiva gera apreens\u00e3o, principalmente na equipe econ\u00f4mica. Todos sabem que a for\u00e7a do partido \u00e9 fundamental para que pelo menos algumas das medidas relativas ao ajuste fiscal passem no Congresso. \u201cNa conjuntura atual, j\u00e1 n\u00e3o podemos contar com a maioria do PT, que deveria estar unida em torno da presidente Dilma. Perder o apoio do PMDB ser\u00e1 mortal\u201d, admite um importante assessor do Pal\u00e1cio do Planalto.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O desespero da equipe econ\u00f4mica s\u00f3 refor\u00e7a o quanto o governo est\u00e1 fr\u00e1gil e sem capacidade de sair do imobilismo. N\u00e3o \u00e0 toa, as proje\u00e7\u00f5es para a economia s\u00f3 pioram. At\u00e9 o fim do ano, as estimativas eram de que o desemprego medido pela Pnad Cont\u00ednua encerrasse 2016 entre 11% e 12%. Agora, j\u00e1 se fala em 13% e 14%. Ou seja, o ex\u00e9rcito de desocupados pode passar de 9,1 milh\u00f5es para 14 milh\u00f5es de pessoas. Haja for\u00e7a de Dilma para lidar com todas as insatisfa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais do que as manifesta\u00e7\u00f5es marcadas para domingo, que podem elevar as press\u00f5es para o impeachment ou a ren\u00fancia da presidente Dilma Rousseff, \u00e9 a conven\u00e7\u00e3o nacional do PMDB, no s\u00e1bado, que est\u00e1 mexendo com as emo\u00e7\u00f5es do mercado financeiro. 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