{"id":575,"date":"2016-03-10T08:30:25","date_gmt":"2016-03-10T11:30:25","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=575"},"modified":"2016-03-10T09:19:25","modified_gmt":"2016-03-10T12:19:25","slug":"juros-em-queda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/juros-em-queda\/","title":{"rendered":"JUROS EM QUEDA"},"content":{"rendered":"<p>O Banco Central j\u00e1 n\u00e3o discute mais se baixar\u00e1 os juros, mas quanto ter\u00e1 que cortar da taxa b\u00e1sica da economia (Selic). A institui\u00e7\u00e3o acredita que uma janela de oportunidade est\u00e1 se abrindo, com o \u00cdndice de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) dos pr\u00f3ximos meses situando-se entre 0,45% e 0,48% e o d\u00f3lar girando entre R$ 3,70 e R$ 3,80. A perspectiva do BC era de que o afrouxo monet\u00e1rio come\u00e7asse no segundo semestre. Mas o grupo liderado pelo presidente da institui\u00e7\u00e3o, Alexandre Tombini, defende que a redu\u00e7\u00e3o dos juros comece mais cedo, talvez no in\u00edcio de junho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Observa-se que, depois de meses de divis\u00e3o sobre os rumos da Selic, o consenso come\u00e7ou a ganhar corpo entre os integrantes do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom). \u00c9 poss\u00edvel que os dois diretores do BC que vinham votando pela alta de 0,5 ponto percentual nos juros \u2014 Tony Volpon (Assuntos Internacionais) e Sidnei Marques (Organiza\u00e7\u00e3o do Sistema Financeiro) \u2014 optem pela manuten\u00e7\u00e3o da taxa em 14,25% na reuni\u00e3o de abril. A unanimidade do Copom ser\u00e1 a senha para futuras quedas. A cren\u00e7a \u00e9 de que os juros podem cair at\u00e9 4 pontos percentuais, para 10,25%, at\u00e9 o primeiro trimestre de 2017.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Que ningu\u00e9m espere, por\u00e9m, sinais de redu\u00e7\u00e3o dos juros na ata do Copom que ser\u00e1 divulgada hoje. \u201cTrata-se de um documento velho\u201d, diz um t\u00e9cnico do BC. \u201cMuito coisa mudou desde a semana passada, quando se optou por manter a Selic em 14,25%\u201d, acrescenta. A recess\u00e3o se mostrou mais profunda que o imaginado e o d\u00f3lar entrou em trajet\u00f3ria de baixa. \u201cA infla\u00e7\u00e3o continuar\u00e1 elevada no acumulado de 12 meses, mas o importante ser\u00e1 o \u00edndice corrente e as revis\u00f5es, para melhor, das expectativas de mercado\u201d, complementa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O BC acredita que ter\u00e1 todo o respaldo dos agentes econ\u00f4micos para cortar os juros. Na avalia\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicos da institui\u00e7\u00e3o, a economia est\u00e1 t\u00e3o ruim, com o desemprego aumentando de forma muito r\u00e1pida, que n\u00e3o haver\u00e1 gritaria quando a Selic come\u00e7ar a descer. \u201cO pa\u00eds est\u00e1 descendo ladeira abaixo. Isso n\u00e3o \u00e9 segredo para ningu\u00e9m. O BC n\u00e3o pode assistir a esse movimento passivamente, sobretudo se a infla\u00e7\u00e3o perder for\u00e7a\u201d, afirma outro t\u00e9cnico.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Impacto emocional<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O apoio \u00e0 queda dos juros \u00e9 vis\u00edvel no mercado. No entender do economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, com o IPCA de 0,90% em fevereiro e a desacelera\u00e7\u00e3o mais forte a partir de mar\u00e7o, a redu\u00e7\u00e3o dos juros ser\u00e1 antecipada. Nos c\u00e1lculos do economista Elson Teles, do Ita\u00fa Unibanco, a infla\u00e7\u00e3o de mar\u00e7o ser\u00e1 de 0,48%. As proje\u00e7\u00f5es dos economistas levam em considera\u00e7\u00e3o o d\u00f3lar mais baixo. Em vez de cota\u00e7\u00f5es entre R$ 4 e<br \/>\nR$ 4,50, agora j\u00e1 se fala na moeda norte-americana oscilando em torno de R$ 3,85.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 ainda outra justificativa para a queda da Selic. Como a infla\u00e7\u00e3o vai cair, os juros reais (que descontam a varia\u00e7\u00e3o do IPCA) subir\u00e3o, dificultando mais a atividade. \u201cUma economia em recess\u00e3o de 4% n\u00e3o aguenta juros reais t\u00e3o elevados, como o que estamos vendo, entre 7% e 8%\u201d, explica um t\u00e9cnico do Minist\u00e9rio da Fazenda. \u201cO BC n\u00e3o pode ficar alheio a isso\u201d, emenda. Ele chama a aten\u00e7\u00e3o para os ventos favor\u00e1veis que v\u00eam de fora, como a decis\u00e3o do Federal Reserve (Fed), o BC dos Estados Unidos, de adiar a alta de juros e a fragilidade dos pre\u00e7os das commodities por causa da China.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os mais afoitos dentro do governo pregam que o Copom aproveite \u201ca onda favor\u00e1vel do mercado\u201d para dar um al\u00edvio r\u00e1pido \u00e0 economia. Afirmam que, neste momento, com o Produto Interno Bruto (PIB) derretendo, o efeito da Selic menor ser\u00e1 mais emocional do que pr\u00e1tico, pois levar\u00e1 tempo para a atividade responder aos est\u00edmulos da pol\u00edtica monet\u00e1ria. Ressaltam ainda que, mesmo quando a rea\u00e7\u00e3o da economia se tornar aparente, o ritmo de recupera\u00e7\u00e3o estar\u00e1 longe de pressionar a infla\u00e7\u00e3o. \u201cCom o PIB recuando 8% em dois anos, n\u00e3o h\u00e1 como esperar um salto repentino da atividade\u201d, assinalam, em coro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Nada de euforia<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dentro do BC, os t\u00e9cnicos reconhecem que a perspectiva de Dilma deixar o poder, seja pelo impeachment, seja pela ren\u00fancia, est\u00e1 jogando a favor para a queda dos juros. N\u00e3o se descarta o d\u00f3lar cair para R$ 3,50 se o PMDB indicar uma poss\u00edvel sa\u00edda do governo e se as manifesta\u00e7\u00f5es contra o governo forem maiores do que o esperado. H\u00e1, segundo eles, um caminh\u00e3o de dinheiro esperando para entrar no Brasil assim que a crise pol\u00edtica se dissipar. Isso obrigaria, inclusive, o BC a voltar a comprar d\u00f3lares para n\u00e3o interromper o ajuste das contas externas e manter a competitividade da ind\u00fastria.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A orienta\u00e7\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria, por\u00e9m, \u00e9 de n\u00e3o se deixar contaminar pelo sentimento de euforia que tenha como base uma mudan\u00e7a de governo. Os juros v\u00e3o cair, mas tudo ser\u00e1 baseado em argumentos t\u00e9cnicos. A institui\u00e7\u00e3o continuar\u00e1, inclusive, cobrando um compromisso s\u00e9rio do ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, com o ajuste fiscal. O BC tem a clara no\u00e7\u00e3o de que errou demais e de que ajudou a levar o pa\u00eds para o buraco no qual est\u00e1 metido. N\u00e3o pode \u2014 e n\u00e3o deve \u2014 insistir nos equ\u00edvocos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Bras\u00edlia, 08h30min<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Banco Central j\u00e1 n\u00e3o discute mais se baixar\u00e1 os juros, mas quanto ter\u00e1 que cortar da taxa b\u00e1sica da economia (Selic). 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