{"id":60,"date":"2015-03-07T00:01:00","date_gmt":"2015-03-07T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bc_descontrolado\/"},"modified":"2015-03-07T00:01:00","modified_gmt":"2015-03-07T03:01:00","slug":"bc_descontrolado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/bc_descontrolado\/","title":{"rendered":"BC DESCONTROLADO"},"content":{"rendered":"\n<p>Em meio ao quadro ca\u00f3tico vivido pelo pa\u00eds, combinando crise pol\u00edtica com turbul\u00eancias na economia, era imprescind\u00edvel que o Banco Central funcionasse como um pilar de credibilidade. Ao emitir sinais de seguran\u00e7a aos mercados, por meio de a\u00e7\u00f5es transparentes, a institui\u00e7\u00e3o certamente contribuiria para amenizar o nervosismo que tomou conta dos investidores e jogou o d\u00f3lar para o n\u00edvel mais alto em quase 11 anos. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o que se est\u00e1 vendo. <\/p>\n<p>O BC brasileiro, comandado por Alexandre Tombini, tornou-se um manancial de incertezas. Ao manter uma comunica\u00e7\u00e3o err\u00e1tica com os mercados, seja em rela\u00e7\u00e3o ao c\u00e2mbio, seja em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 infla\u00e7\u00e3o e ao crescimento econ\u00f4mico, embaralha o horizonte. O jeito encontrado pelos investidores para se protegerem nesse quadro nebuloso foi comprar d\u00f3lares. N\u00e3o por acaso, a moeda norte-americana encerrou a semana cotada a R$ 3,057, com a maior valoriza\u00e7\u00e3o semanal desde 2008. <\/p>\n<p>A confus\u00e3o criada pelo BC come\u00e7a pela taxa b\u00e1sica de juros (Selic). A cada decis\u00e3o do Comit\u00ea de Pol\u00edtica Monet\u00e1ria (Copom), a institui\u00e7\u00e3o indica um caminho. No in\u00edcio de dezembro do ano passado, alertava sobre a necessidade de parcim\u00f4nia no aumento da Selic. Semanas depois, garantia que faria tudo o que fosse poss\u00edvel para conter o avan\u00e7o da carestia. Depois, passou indicar o fim do ciclo de aumento dos juros. N\u00e3o satisfeito, o banco voltou a indicar que n\u00e3o toleraria a alta da infla\u00e7\u00e3o. Agora, sinaliza que pode estender o arrocho que, se acreditava, acabaria em abril, com os juros a 13%. <\/p>\n<p>Mesmo em um quadro de calmaria, esse vaiv\u00e9m do BC j\u00e1 seria danoso para a economia. Mas, com o pa\u00eds acuado pelo embate entre o Congresso e o Pal\u00e1cio do Planalto e diante das d\u00favidas crescentes quanto \u00e0 capacidade do ministro da Fazenda, a indecis\u00e3o da autoridade monet\u00e1ria agiganta a onda de desconfian\u00e7a que atormenta os agentes econ\u00f4micos e provoca pesados preju\u00edzos nos mercados futuros de juros. Para compensar essas perdas, os investidores est\u00e3o correndo em busca de d\u00f3lares, cuja a consequ\u00eancia \u00e9 mais infla\u00e7\u00e3o e mais juros. <\/p>\n<p>O descontrole do BC faz estragos, tamb\u00e9m, no caixa do Tesouro Nacional. Como ningu\u00e9m acredita na capacidade da autoridade monet\u00e1ria de levar \u00e0 infla\u00e7\u00e3o para o centro da meta, de 4,5%, at\u00e9 o fim de 2016, uma vez que o time de Tombini nunca entregou o que prometeu, o governo est\u00e1 sendo obrigado a fazer emiss\u00f5es recordes de Letras do Tesouro Nacional (LTNs), t\u00edtulos de curto prazo que t\u00eam custos elevad\u00edssimos. No leil\u00e3o desses pap\u00e9is realizado na \u00faltima quinta-feira, as taxas ficaram em 13,23% ao ano. Foram vendidos R$ 18,6 bilh\u00f5es em LTNs, t\u00edtulos que est\u00e3o reduzindo, significativamente, o prazo de vencimento da d\u00edvida p\u00fablica. <\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3. O BC n\u00e3o sabe o que quer com o d\u00f3lar. Ao mesmo tempo em que indica que manter\u00e1 as interven\u00e7\u00f5es no c\u00e2mbio, por meio dos contratos de swap cambial (esp\u00e9cie de vendas futuras da moeda norte-americana), sinaliza que reduzir\u00e1 sua presen\u00e7a no mercado. Essa postura esquizofr\u00eanica s\u00f3 alimenta a confus\u00e3o. <\/p>\n<p>Por lei, o \u00fanico mandato do BC \u00e9 para manter a infla\u00e7\u00e3o dentro das metas. Mas o que se tem visto \u00e9 a institui\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m preocupada com o ritmo do crescimento econ\u00f4mico e com o d\u00f3lar, agindo como uma biruta, que gira ao sabor dos ventos. Para desespero de todos, n\u00e3o acerta uma. <\/p>\n<p><b>Nada de discursos vazios<\/b> <\/p>\n<p>Se realmente quer levar a infla\u00e7\u00e3o para 4,5% no fim de 2016, o Banco Central deve dizer, claramente, que ter\u00e1 de pesar a m\u00e3o da taxa de juros, mesmo que isso aprofunde a recess\u00e3o na qual o pa\u00eds mergulhou. Caso n\u00e3o queira derrubar tanto o Produto Interno Bruto (PIB), que mude a meta do custo de vida para o ano que vem, para 5,5% ou 6%. Ningu\u00e9m aguenta mais a autoridade monet\u00e1ria errando feio. O que o pa\u00eds quer e precisa \u00e9 de um BC firme, que n\u00e3o fique com discursos vazios que s\u00f3 dificultam a sa\u00edda da economia do atoleiro. <\/p>\n<p><b>Rumores sobre a sa\u00edda de Levy<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Foi grande a boataria ontem sobre a poss\u00edvel sa\u00edda de Joaquim Levy do Minist\u00e9rio da Fazenda. Nas mesas de opera\u00e7\u00e3o dos bancos, analistas difundiam rumores de que, para se fortalecer politicamente diante do estrago provocado pela lista de pol\u00edticos envolvidos na Opera\u00e7\u00e3o Lava-Jato, a presidente Dilma Rousseff faria todas as concess\u00f5es no ajuste fiscal exigidas pelos partidos da base aliada. Procurada, a assessoria de Levy garantiu que ele continua firme e forte no cargo e convencido de que entregar\u00e1 a meta fiscal de 1,2% do PIB. <\/p>\n<p><b>Mulheres seguradas<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Os seguros de carros v\u00eam ocupando cada vez mais espa\u00e7o no or\u00e7amento das mulheres. Tanto que elas j\u00e1 respondem por 40% dos contratos no pa\u00eds, segundo levantamento da Federa\u00e7\u00e3o Nacional de Seguros Gerais (FenSeg). Elas conseguem valores entre 5% e 15% menores do que os homens. O vice-presidente da entidade, Luiz Pomarole, explica que isso ocorre porque as motoristas dirigem com velocidade m\u00e9dia menor e s\u00e3o, em geral, mais cuidadosas ao volante. <\/p>\n<p><b>Virgin chega ao Brasil<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb A inglesa Virgin est\u00e1 preparando seu desembarque no mercado de telefonia brasileiro. Diante das mudan\u00e7as feitas na legisla\u00e7\u00e3o pela Ag\u00eancia Nacional de Telecomunica\u00e7\u00f5es (Anatel), a empresa, que atua em 10 pa\u00edses, est\u00e1 prestes a comprar uma rede de transmiss\u00e3o no pa\u00eds para oferecer servi\u00e7os corporativos. Promete derrubar as tarifas.&nbsp; <\/p>\n<p><b>Por dentro das empresas<\/b> <\/p>\n<p>\u00bb Quem quiser conhecer experi\u00eancias do mundo corporativo relatadas por executivos de v\u00e1rias empresas encontrar\u00e1 boa leitura no livro Segredos do sucesso. Ser\u00e1 lan\u00e7ado no pr\u00f3ximo dia 20, no hotel Copacabana Palace, no Rio. Um dos autores \u00e9 o diretor comercial da TIM no Distrito Federal, Leonardo Queiroz. H\u00e1 relatos de profissionais da Sony Music, TAM, Natura, Walmart, Volkswagen e Microsoft. <\/p>\n<p><i>Bras\u00edlia, 00h01min<\/i>   <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em meio ao quadro ca\u00f3tico vivido pelo pa\u00eds, combinando crise pol\u00edtica com turbul\u00eancias na economia, era imprescind\u00edvel que o Banco Central funcionasse como um pilar de credibilidade. 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