{"id":607,"date":"2016-03-16T08:30:53","date_gmt":"2016-03-16T11:30:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/?p=607"},"modified":"2016-03-16T09:18:40","modified_gmt":"2016-03-16T12:18:40","slug":"trem-desgovernado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs2.correiobraziliense.com.br\/vicente\/trem-desgovernado\/","title":{"rendered":"TREM DESGOVERNADO"},"content":{"rendered":"<p>Por mais que se queira buscar um fato positivo relacionado ao governo, a realidade se imp\u00f5e e o que se v\u00ea pela frente \u00e9 um trem descarrilado em dire\u00e7\u00e3o a uma montanha. E n\u00e3o h\u00e1 exagero nisso. Dia ap\u00f3s dia, uma sucess\u00e3o de den\u00fancias atropela qualquer sinal de rea\u00e7\u00e3o da presidente Dilma Rousseff, e o fim de seu mandato fica mais pr\u00f3ximo. A dela\u00e7\u00e3o feita pelo senador Delc\u00eddio do Amaral, ressaltando que o ministro da Educa\u00e7\u00e3o, Aloizio Mercadante, ofereceu dinheiro a ele para que protegesse a chefe e o ex-presidente Lula, torna a situa\u00e7\u00e3o desesperadora.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil acreditar que, ao se tornar ministro, Lula tenha for\u00e7a suficiente para mudar o curso da hist\u00f3ria. Ele est\u00e1 t\u00e3o entranhado na corrup\u00e7\u00e3o desvendada pela Opera\u00e7\u00e3o Lava-Lato que se tornou uma pessoa t\u00f3xica, com potencial para levar o governo mais rapidamente para o buraco. Dilma est\u00e1 disposta a abrir m\u00e3o de todos os seus poderes em favor de seu criador, apostando que ele ser\u00e1 capaz de reaglutinar a base aliada, mantendo uma ponte com o PMDB. Mas, alvejado pela Justi\u00e7a, na condi\u00e7\u00e3o de superministro, Lula colar\u00e1 de vez no Pal\u00e1cio do Planalto a responsabilidade pelos crimes cometidos na Petrobras.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que se pode depreender das tentativas de Dilma de se reerguer \u00e9 que ela sempre escolhe o caminho errado. A presidente teve todas as condi\u00e7\u00f5es de dar uma guinada na economia logo depois que se reelegeu, o que hoje faria uma diferen\u00e7a enorme. Chamou Joaquim Levy para o Minist\u00e9rio da Fazenda e indicou que estava disposta a fazer um ajuste fiscal consistente. De in\u00edcio, pareceu convincente, tanto que os agentes econ\u00f4micos lhe deram um voto de confian\u00e7a. Mas a Dilma compromissada com a arruma\u00e7\u00e3o das contas p\u00fablicas se mostrou uma farsa, como havia sido a campanha dela \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Se a economia estivesse caminhando minimamente bem \u2014 em agosto de 2015, o Banco Central estava pronto para dar in\u00edcio a um movimento de queda de juros \u2014, a crise pol\u00edtica n\u00e3o teria ganhado a dimens\u00e3o que ganhou, mesmo com todas as den\u00fancias da Lava-Jato. O pa\u00eds n\u00e3o estaria mergulhado em uma recess\u00e3o t\u00e3o profunda e o desemprego se manteria sob controle. Haveria uma retomada dos investimentos, a ponto de o Produto Interno Bruto (PIB) encerrar 2016 com ligeira alta em vez do tombo de mais de 4% que boa parte dos analistas projeta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Peso da soberba<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do alto de sua soberba, Dilma n\u00e3o se importou em jogar Joaquim Levy no colo dos inimigos, que estavam todos ali, no governo, prontos para dar o bote. Ela tinha a certeza de que, com seu discurso de mulher honesta, que n\u00e3o aceita malfeitos, conseguiria se manter distante da Lava-Jato. Contudo, ao mesmo tempo em que as investiga\u00e7\u00f5es da pol\u00edcia federal se aproximavam do Planalto, a economia afundava. Deu no que deu. O governo se enfraqueceu de uma tal forma que as ruas, hoje, pedem o impeachment da presidente e repudiam a nomea\u00e7\u00e3o de Lula para um minist\u00e9rio. Veem no gesto de Dilma um \u00fanico objetivo: livrar o ex-chefe das garras do juiz Sergio Moro, pois passar\u00e1 a ter foro privilegiado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diante de todos os erros que coleciona, pode-se dizer que Dilma est\u00e1 cavando a pr\u00f3pria sepultura. Ela perdeu todas as oportunidades de manter uma dist\u00e2ncia regulamentar da crise pol\u00edtica agigantada pelas investiga\u00e7\u00f5es na Petrobras. Se n\u00e3o tivesse cedido \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o de repetir o populismo que prevaleceu no primeiro mandato, teria o m\u00ednimo de credibilidade para convencer os agentes econ\u00f4micos a fazerem o dever de casa, ou seja, produzir, gerando emprego e renda. Hoje, n\u00e3o h\u00e1 um s\u00f3 empres\u00e1rio e investidor que defenda o governo. Todos querem o seu fim o mais rapidamente poss\u00edvel.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A torcida do capital pela sa\u00edda de Dilma ganha for\u00e7a ante a perspectiva de que, com Lula na condi\u00e7\u00e3o de superministro, o que j\u00e1 est\u00e1 ruim ficar\u00e1 pior na economia. A gastan\u00e7a voltar\u00e1 com tudo, com a tentativa do governo de se desfazer de parte das reservas internacionais, de US$ 372 bilh\u00f5es, para tocar os programas mais estapaf\u00fardios. \u201cSe isso se tornar realidade, ser\u00e1 o pior dos mundos\u201d, diz Camila Abdelmalack, economista-chefe da CM Capital Markets. Ela ressalta que o pa\u00eds est\u00e1 parado, s\u00f3 h\u00e1 incertezas no horizonte e a desmoraliza\u00e7\u00e3o do governo \u00e9 tamanha que n\u00e3o h\u00e1 como revert\u00ea-la.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Fragilidade de Barbosa<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Para a equipe econ\u00f4mica, com o governo caminhando para um final melanc\u00f3lico, n\u00e3o h\u00e1 muito mais a ser feito, a n\u00e3o ser prometer e prometer. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que, por enquanto, continua no cargo, j\u00e1 foi avisado para mudar o discurso e esquecer qualquer tipo de reforma estrutural, sobretudo a da Previd\u00eancia Social, cujo projeto ele havia prometido enviar ao Congresso em abril. Assessores dele, por sinal, j\u00e1 come\u00e7am a buscar alternativas para sair antes do que chamam de o fracasso final.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Tudo caminha, segundo integrantes da Fazenda, para a sa\u00edda de Barbosa, que completar\u00e1 tr\u00eas meses no cargo na pr\u00f3xima segunda-feira, caso Lula passe a dar as cartas na economia. Sabendo que est\u00e1 sendo passado para tr\u00e1s, o ministro recolheu as asas. Nos \u00faltimos dias, n\u00e3o deu nenhuma declara\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Ele sabe, por\u00e9m, que foi ator principal, ao lado da presidente, no desmonte da economia. Foi ele quem mais atacou o projeto de ajuste das contas p\u00fablicas defendido por Levy e que poderia estar dando frutos hoje.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste governo, infelizmente, houve um esfor\u00e7o concentrado em busca do pior. A corrup\u00e7\u00e3o correu solta e as decis\u00f5es na \u00e1rea econ\u00f4mica foram de deixar qualquer um estupefato com tantas barbaridades. N\u00e3o adianta empurrar a culpa para ningu\u00e9m. Se o dia da queda chegar, todos ter\u00e3o sua parcela de culpa. Uns mais, outro menos. Mas todos s\u00e3o culpados. Pena que a conta do desastre tenha que ser arcada pelo lado mais fraco da moeda, a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 08h30min<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por mais que se queira buscar um fato positivo relacionado ao governo, a realidade se imp\u00f5e e o que se v\u00ea pela frente \u00e9 um trem descarrilado em dire\u00e7\u00e3o a uma montanha. E n\u00e3o h\u00e1 exagero nisso. 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